Irvine Welsh – Pornô (Porno)


PornôE aí, meus queridos, como vocês estão? Desesperados com a qualidade dos candidatos a irmão metralha desse ano? Colocando o nariz de palhaço a cada inauguração de ponte? Com jingles estúpidos grudados no fundo do cérebro? Estupefatos com pleiteadores do naipe de Tati Quebra Barraco e Tiririca? É, estamos agüentando firme. No primeiro prêmio da Mega Sena que eu ganhar, pulo fora. Não vou nem esperar ganhar a bolada duas vezes.

Sim, é verdade, tivemos um ganhador da promoção ontem, o sortudo Raphael Pousa, leitor do blog há um diazinho, ganhou o livro do Houellebecq no primeiro comentário. Prometi, vou cumprir. Vou mandar o livro para o rapaz, e pedir desde já, muito gentilmente que o Sr. Raphael Pousa pague um micão com o livro no melhor estilo “pessoa ajudada pelo Luciano Huck”. Sei lá, quando receber, tire uma foto com o livro e mande para gente! Sou mais legal que o Huck, nem to pedindo pra você tirar uma foto vestido de Bonequicha, nem dançando a a dança do carangueijinho ou coisa parecida, ó só que maneiro que eu sou.

Sem mais delongas, vamos ao livro de hoje, outro tijolão, porque eu estou cansado desses livros de 200 páginas. Mas esse é diferente, esse é um tijolão light, um tijolão raso, um tijolão chuchu beleza pra você que gosta de pagar de sapeca com um livrão debaixo do braço mas não curte tanto ter que pensar nos lances da trama. Assim é Pornô, de Irvine Welsh, uma continuação super desconhecida do seu clássico transposto para o cinema, Trainspotting. Sabe? Aquele filme cheio de inglês com cara de menino criado pela avó tomando mais droga que aquela banda chata que cantava “Ôôo Carlaaaa”. E por que, vocês perguntariam, por que você está escrevendo sobre o segundo livro da saga dos drogadinhos? Bom, acontece que meu exemplar de Trainspotting está até hoje na casa do querido professor Yeso Ribeiro, que, quero crer, é um leitor desse blog, e vai ligar para marcar aquele refrigerante que está me devendo desde não sei quando, né não Yesão?

Para quem lembra de Trainspotting, a trama de Pornô fica fácil de entender (e se você não viu o filme, planeja ver e é um cinéfilo chato que não gosta que te contem um filme que você já deveria ter visto há pelo menos vinte anos, pare de ler agora): Sick Boy, que foi interpretado no cinema pelo ex-namorado da Angelina Jolie, o Hacker fodão do filme Hackers – Piratas de Computador, resolve dar início à sua nova empreitada: iniciar uma empresa pornô, e logo com uma adaptação de sacanagem do clássico chinfrim “Sete Noivas Para Sete Irmãos” (quando eu vejo esses filmes eu tenho que dar graças a Deus por existirem Slys, Van Dammes e Steven Seagals). Para isso, conhece um sujeito acabadão chamado Juice Terry, e uma menina chamada Nikki, uma estudante modernete que resolve atuar no filme, com uns papos de “ih, vocês são caretas, ser atriz pornô não tem nada demais, gente”. É, povo moderno, se arrependimento matasse, dupla sertaneja nenhuma ia poder fazer música sobre arrependimento sob acusação de fazer apologia ao genocídio. Sick Boy também conta com a ajuda de Renton, o garoto interpretado por Ewan McGregor que roubou o dinheiro de todo mundo no fim do filme e se mandou. Renton tem uma boate em Amsterdã, a Meca dos maconheiros, e tá de bem com a vida, aproveitando a grana que ele roubou. Só que, nesse meio tempo, Begbie, que no filme era Robert Carlyle (por que diabos esse cara não faz mais filmes? Ele é bom pra caramba!) sai da prisão e quer vingança por ter sido roubado, e aí é confusão pra todo lado!

Irvine WelshBom, mas isso você poderia ter lido na orelha do livro, se tivesse a sorte de achar um exemplar nos dias de hoje. Pornô, o livro, é legal por ser uma narrativa eletrizante, dessas que não te desgrudam do livro, o grande talento dos fast-paste afinal. Aliás, será que esse cara é fast-paste ou não é? Fico na dúvida… A produção XXX que rola na trama tem altos obstáculos engraçados e é divertido ler um monte de gente (perdoem o palavreado) se fudendo para literalmente, se fuder. Quem leu Trainspotting tá ligado que Welsh usa vários narradores no livro — um dos grandes talentos do autor — e neste livro não é diferente. Acho muito incrível como ele consegue dar voz a tantos de seus personagens, e vozes únicas e diferentes, o cara realmente não tá pagando de ventríloquo. Por outro lado, não gosto dessa tradução que traduz gírias escritas mais próximas da oralidade, tipo “fiadaputa”. Acho que isso meio que estraga o livro.

O projeto gráfico de Pornô, para a época em que foi lançado (ali por 2005), não é ruim, apesar de ter o maldito papel offset. Esse lance de capa fosca e brilhante não era tendência ainda, e a capa é bem convidativa com essa mulher inflável engraçada na capa. Ponto para a Rocco. Entretanto, tudo pode levar a crer que o livro é cheio de sacanagem, e não é bem assim. Pode decepcionar muitos dos chabrolas, assim como eu decepciono cada um que chega aqui procurando por termos que vou deixar para falar no twitter. Não quero atrair mais perverts do que já estou fazendo por resenhar um livro com um título desses. Ah, uma curiosidade: esse livro é publicado no Reino Unido pela Jonathan Cape, o que mostra que o cara tem um respaldo sinistro por lá, ao contrário de certos Georges Orwells aí…

Momento nada a ver do dia: galera, eu sei que não tem nada a ver com a proposta do site, mas, além da literatura, tenho muito gosto pela biologia, embora não estude como gostaria. Bem, olha só que legal esse site interativo de taxonomia do Museu de Ciência Natural de Barcelona!

Comentário final: 565 páginas em papel pólen soft. Marretada no dedão do pé pra você!

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16 Respostas para “Irvine Welsh – Pornô (Porno)

  1. Cara muito boa sua resenha, leio seu blog a algum tempo no trabalho…Afinal, trabalhar não é das coisas mais legais inventadas pelo homem. Adoraria deleitar-me somente com páginas e mais páginas de bons livros e você vem ajudando com alguns casos. Você poderia comentar alguns clássicos aê, aqueles mais pesadões…E obrigado pela dica, nem sabia que existia uma continuação do Transpotting…abrss

    • Oi Vitor, que legal descobrir que tenho um leitor costumaz, que transgride essa ordem estabelecida pelo trabalho para se divertir um pouco por aqui. Vou confessar que não sou dos melhores leitores de clássicos, leio muita literatura contemporânea, até porque no jornalismo cultural, o que vale é a novidade, então, a gente procura sempre se ligar no que é novo. Mas vou procurar resenhar alguns de vez em quando. Caso tenha perdido algum, clique ali na tag “clássico da literatura” para ler os que já foram comentados aqui.
      Abraço!

  2. Eu vou tirar uma foto com o livro sobre o meu rosto pode? Pode.! heehheeh
    blz, eu pago o mico e mando a foto!

    Welsh é um autor que ainda quero ler, está na fila! O que não anda muito na fila é o tempo! :S

    abs

  3. Pingback: Tweets that mention Irvine Welsh – Pornô (Porno) « Livrada! -- Topsy.com

  4. O filme Trainspotting é muito bom (me impressionou demais quando eu vi; tinha 15 anos). O livro, já não sei. Depois dos 20 a gente fica com preconceito, né?!

    Mas a resenha está muito divertida! Também li no trabalho, mas não tive tempo de comentar lá.

    Beijos!

    • É verdade, querida, não sei se pegaria um livro como Trainspotting para ler hoje em dia. Mas marcou e valeu a leitura na época. Obrigado!
      Beijo!

  5. Andar com um livro chamado ‘Pornô’ pra ler no ponto-de-ônibus é meio foda (trocadilhos included), mas não parece uma má ideia. Mas acho que essa sugestão eu vou deixar passar hehehe

    \o/

    • Ahahaha é, eu li esse livro no começo de 2007, quando você era um calouro assustado, Miluse. Eu acho que levei ele para a faculdade algumas vezes, incluindo na noite do Putz…
      Abraço!

  6. Li Pornô logo que foi lançado e achei o livro divertidíssimo. Quanto a sua crítica sobre a tradução, vale lembrar que as marcas de oralidade também se encontram na versão original, o que torna o autor tão original. Acho Trainspotting um dos melhores publicados nos últimos tempos, tanto que para meus alunos de literatura inglesa é leitura obrigatória no terceiro semestre, por representar tão bem a escrita moderna. Já o filme… Putz! Hoje eu tô do contra…

    • Oi Marcelo, valeu por passar aqui.
      Eu sei que as marcas de oralidade também existem na versão original, mas o que me incomodou, eu acho, foi a oralidade da tradução. Não sei, acho que podiam bolar algo mais parecido com a fala do que “fiadasputa”. Gosto bastante do Trainspotting também, tanto o livro quanto o filme. Acho que marcou uma época aí.
      Abraço!

  7. Trainspotting é um dos únicos filmes que tenho a paciência de assistir mais de uma vez. Sempre tou a fim de ver. Consegui (com muito custo) um exemplar do livro e também fiquei impressionada com o talento do Irvine, sobretudo com os vários narradores. Agora tou atrás da continuação, tá difícil tambem, mas na lista de próximas compras! Fico com uma pena de comprar livro grande sem estar com tempo pra ler!

    Aliás, só soube um pouco mais do enredo de Pornô nesse post! Tou imaginando o Begbie com aquela “britva” nervosa atrás do Rents! Só deu mais vontade de ler. Muito legal. 😀

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