Mario Vargas Llosa – Elogio da madrasta (Elogio de la madrasta)


Elogio de la madrastaSaaaaai da frente! Sem tempo pra brincadeira que hoje eu tô com pressa! Não é ótimo isso, essa sinceridade com que eu trato vocês, queridos leitores? Acho que o jornalismo tinha que ter mais dessas. Queria ver o William Bonner começar a escalada do Jornal Nacional assim: “Hoje não tem notícia nenhuma” (passa pra Fátima) “Nada aconteceu no mundo” (passa pro William) “E por isso hoje não tem jornal” (passa pra Fátima) “Fique agora com essa novela chatona da Globo” (passa pro William) “Boa noite” (passa pra Fátima) “Boa noite”. E aí aquela música de fundo que toca enquanto eles fazem a escalada vai minguando e desafinando, até parar, e pronto, acaba o jornal. Ou então você lê uma crônica do Elio Gaspari no jornal e ele escreve: “Sabe do que mais? Tá mó solzão, calor desgraçado, vou descer a serra e pegar um bronze no Guarujá. Vocês não vão achar ruim, né? O que vocês fariam no meu lugar? Tchau, galera!”. Mas enfim, disse que tava com pressa e tô mesmo, então vamos ao ponto.

Elogio da madrasta! Mario Vargas Llosa! Prêmio Nobel 2010! Literatura peruana! (toca a flautinha tosca no fundo, versão de “Estou apaixonado” do João Paulo e Daniel que só os peruanos sabem fazer: pfuu pfuu pfu pfuu pfu pfuuuuuuuuuuuuuu). Manja, já coloquei as tags no texto, economizei um tempo monstro. Rá, otimização é comigo. Elogio da Madrasta é um livro pequetitinho que foi lançado pelo escritor lá em 1988, quando Faith do George Michael bombava nas rádios. Nele, esse autor galã narigudo que vocês tão vendo aí embaixo traça uma estorinha simples, de um patriarca chamado Dom Rigoberto que, após enviuvar, casa-se de novo com a gatíssima dona Lucrécia, que parece ser mais gata do que o nome sugere (perdoem-me as Lucrécias desse mundo). Acontece que Dom Rigoberto também tem um filho, chamado Alfonso, o Fonchito, que, verdade ou mentira?, tá meio que dando em cima da madrasta do alto de seus oito anos de idade. Oito anos, Brasil! E você aí achando que sua filha modernete que tem doze anos, pinta o cabelo de rosa, é vegetariana e faz cosplay de Sakura Card Captors ou coisa que o valha é que é precoce. Não é mole, não.

Mas deve ser alguma coisa na água que se toma nessa casa, não sei. Vai que caiu uma semente de catuaba na caixa d’água, porque o fato é que Dom Rigoberto e Dona Lucrécia fazem altos joguinhos sensuais e são permissivos com tudo. Ou seja, a sacanagem rola solta naquela casa. Sobra de inocente só a babá do Fonchito e o próprio, que talvez não seja tão inocente assim.

Já deu pra perceber que estamos falando aqui de um romance erótico, não é? É, mas não, porque nem sempre. Veja bem, Vargas Llosa mistura a esse componente safadjenho histórias fantasiosas da mente de Dom Rigoberto, que cria estorinhas para os quadros que ele tem na parede (e que temos a sorte de apreciá-los também no livro, embora em preto e branco. São uns quadros assim meio que renascentistas, sabe? Cheio daqueles gordos de bunda de fora fazendo coisas prosaicas, tipo pequeniques e cosplay da Sakura Caps Creditors. Isso é uma característica essencial no livro: a imaginação fértil de Dom Rigoberto e a mistura de narrativas — e não só isso, de gêneros literários diferentes também — pois são esses os elementos primordiais que irão compor (sorry, mesóclise com verbo “compor” é coisa pros Dennis Rodman da literatura) a continuação desse livro, intitulado “Os Cadernos de Dom Rigoberto” (falarei dele algum dia, mas já adianto que nesse livro, Llosa pontencializa a ideia à quarta potência pelo menos). Isso tudo pra mostrar que Vargas Llosa é e sempre foi um cara altamente gabaritado pra transitar tranquilamente entre os mais variados estilos, gêneros e temáticas da literatura. E todo mundo treme nas bases, até a palmeira estremece, então palmas pro Llosa que ele merece.

Essa edição da Alfaguara é um chuchu igual a todos os livros dele. Ainda acho um pouco estranho essas fotos de pessoas em que não aparecem suas cabeças, mas entendo que seja uma preocupação editorial em não interferir na nossa experiência de fantasiar a fisionomia dos personagens, coisa que a Martin Claret deveria aprender, porque até hoje eu acho o Idiota, do livro do Dostoiévsky, a cara do Fabio Lione, do Rhapsody (não que ele não possa ser idiota). Enfim, a edição tem a formatação padrão dos livros da Alfaguara, então sem muito o que comentar. Tem o fato de que é uma tradução feita em conjunto: Ari Roitman e Paulina Wacht, que traduziram outros títulos do autor, além da tradução da Trilogia Suja de Havana lançada pela Alfaguara. Acho que eles são meio que responsáveis pela literatura latino-americana na editora, mas pode ser que eu esteja errado. É isso então, pessoas, deixa eu ir que eu tô atrasado!

Comentário final: VOU PERDER O ÔNIBUS!

Ps: Vocês nem viram que eu mudei o slogan do blog, de tanto que vocês me zoaram, né?

Ps2: em breve, a lista dos participantes do Desafio literário. Quem não escolheu seu autor, ou não o definiu, faça-o aí que vai ser maneiro!

 

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13 Respostas para “Mario Vargas Llosa – Elogio da madrasta (Elogio de la madrasta)

  1. Você é cheia de graça, Maria. Mesmo eu me perdendo com as piadas, consegui ver os frames do peruano. Quando li o primeiro livro dele fiquei meio sem entender esses frames, depois saquei que o menino queria inovar. Vá lá, conseguiu.
    Agora, algo que me deixa curioso; eu leio essas coisas sobre índios e povos africanos e tudo o mais e sempre aparece isso de jogos sexuais. Afinal de contas, e parece que os tios ali da região Peru, Colômbia e derivados manjam, mas o que são jogos sexuais?

    • Valeu, Lucas! “Jogos sexuais” não foi um termo cunhado pelos índios ou africanos, mas pela revista NOVA cosmopolitan, e basicamente significa “gente velha fazendo sacanagem heterodoxa”. Espero ter explicado. 🙂
      Abraço!

  2. olá, yuri!

    encontrei teu blog sem querer numa pesquisa no google e acabei por listar nos meus favoritos. quem aguenta a pompa e a verborragia que se vê nos ‘blogs literários’ por aí? tá de parabéns.

    quero participar do desafio com coetzee, pode me inscrever.

    • Oi Olga, obrigado pela visita! Fiquei feliz que você gostou da sua descoberta e entendeu a proposta do blog. Apareça sempre que quiser, aqui não tem pompa nenhuma, prometo! E tá anotado, vai ser o Coetzee então!
      Beijo!

  3. Ainda não li este livro, mas pretendo fazê-lo.
    Eu notei a mudança do slogan do blog outro dia aí, acho que domingo. E não pude deixar de falar um “oooooooowwwwnnnn” alto e sozinha. Porque esse blog é feito sim pelo amor ao próximo.

    Beijos!!

    Ah, além do desafio, bora fazer um bolão pra ver quem vai ganhar o Nobel neste ano? Eu já tenho meu palpite.

    • Oi querida, você é a maior leitora de Vargas Llosa que eu conheço, tem que ler esse livro sim! E claro, o blog é feito por amor ao próximo. Por dinheiro é que não vai ser, né? 😛
      Qual seu palpite pro Nobel desse ano? Deixa registrado aí!
      Beijo!

  4. Bem, esqueci-me profundamente que isto não era o blogger, então já estava a entrar em parafuso por não poder entrar com a minha conta. Mas considerando que sou uma despistada do caneco, lá reparei nos detalhes para chegar à conclusão que o melhor mesmo era conformar-me com o login a partir do facebook.

    Aquilo que escreveu inicialmente sobre um noticiário sincero, fez-me lembrar um cartaz do McDonalds que estava exposto na paragem de autocarros, com o slogan “De manhã estamos de mau humor”. Ou seja, imaginei logo os empregados de lá a reclamar com os clientes por usufruírem do serviço, oferecendo-lhes hambúrgueres atirados à cara, cuspidelas cheias de mau bafo matinal e montes de ofensas para as mães deles, família e ancestrais. Seria engraçadíssimo ir lá de manhã, se fosse assim!

    Sobre o livro, tenho de o ler por causa de um trabalho para a universidade, mas admito estar deveras assustada, embora curiosa. Já li muitos resumos sobre este, só para ter uma ideia do que me espera, e este sem dúvida foi dos melhores resumos que alguma vez li. Só que continuo sem conseguir imaginar o miúdo a enrolar-se com a Lucrécia, por muitas voltas que dê ao cérebro, não dá… Quanto ao Dom Rigoberto, imagino-o super gordo e alto. Se calhar por isso a Lucrécia decidiu ir para um ser mais leve, para não correr o risco de um dia, quiçá, ser esmagada caso ele coma uma almôndega a mais.

    Tenho de ler!
    Parabéns pelo blogue, gostei da sua escrita! A minha é mais literária, como pode ver caso vá ao meu blogue http://newsfromuniverse.blogspot.com , associado à conta de facebook http://facebook.com/newsfromuniverse

    Cumprimentos!

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