Rubem Fonseca – O seminarista


“Gente, foi o Rubem Fonseca que escreveu o Seminarista? Esse gajo é velho, hein?” Não é nada disso, ó pá, manezão, esse seminarista não é o mesmo seminarista do Bernardo Guimarães, o manolo que escreveu Escrava Isaura. O seminarista em questão é o último livro do nosso querido Rubem Fonseca. Poderia dizer que é o mais novo livro dele, mas a verdade é que nem é tão novo assim: foi lançado em 2009.

Bom, alguma consideração sobre o livro antes de adentrarmos em sua história. O Seminarista foi o primeiro livro inédito do autor publicado pela editora Agir. Ele, que até então era publicado pela Companhia das Letras, migrou pra editora nova depois de um rolão envolvendo a publicação de uma autora meio estreante no ramo literário. Mas bom, isso são fofocas de bastidores que aqui não me cabe contar pra não sucitar a violência. Sou um cara da paz e já tô até imaginando as editoras trocando tiro no meio da rua, tal qual Counter Strike naquela fase do Rio de Janeiro. Deixemos isso pra lá. Fato é que Rubão agora é do time da Agir, que está republicando seus livros aos poucos, em edições muito graciosas que comentarei no final.

Vamos ao livro de hoje. O Seminarista conta aquela velha estória do matador profissional que decide largar o osso, e não vê que isso tá errado. Quer dizer, o cara mata um monte de gente durante a vida inteira dele e aí decide parar de matar? Não é justo que uma pessoa tão maldosa assim tenha esse direito, por isso o tenente Aldo Raine faz questão de tatuar uma suástica na testa dos nazistas safados. Enfim, como em qualquer outra estória dessas, aparece uma mocinha inocente e umas pessoas interessadas em assassinar o assassino. Mas José (esse é o nome dele) é um cara sensível: gosta de rock clássico, poesia, literatura, plantinhas, enfim, é uma flor que nasceu do lobo, sem falar que foi seminarista quando mais moço (daí o nome do livro, né, esperto?). Mas, por alguma razão que Rubão não conta pra gente, decidiu fazer o mal e colocar as pessoas pra comer capim pela raiz. “Por quê, tio?” Não interessa pra você, palhaço. Morre, diabo! É inconsistente, incoerente, inconstante, inconstitucionalíssimamente? É. Mas, fazer o que, o cara é consagrado.

Bom, daí que José fica nessas de ser atormentado, tentando cuidar de sua gatinha, encontrando uns camaradas dos tempos de seminário e matando para não ser morto. Resumindo, uma estória pra lá de original. Gente, o cara teve que pensar muito pra escrever esse livro, hein? Qual vai ser o próximo? Uma mulher que toma um pé na bunda e decide se mudar pra algum país romântico da Europa, onde conhece um europeu forte e musculoso? Bah, fala sério, Rubão, meu rapaz, desde que você achou aquela carteira recheada de dólar você não é mais o mesmo.

Melhor é falar do projeto gráfico do livro, porque esse sim é bonito. Margem bem grande, fonte Minion Pro, papel pólen e capas com a mesma disposição de título e nome do autor, e ainda a assinatura dele dentro do quadradinho com o nome da obra. As lombadas são todas brancas e a minha edição ainda veio com um exemplar do conto “A Arte de Andar pelas Ruas do Rio de Janeiro”, bem melhor do que o livro, um conto das antigas e recheados de fotografias iradas sobre a cidade. O livro também tem site, acesse clicando aqui, e veja que no site eles também vendem o livro em versão e-book, para Kindle. Agora, R$19,90 num e-book? Editoras do meu Brasil, não façam as cagadas que a indústria fonográfica fez com o CD. Depois neguinho começa a piratear os livros e vocês não vão gostar. Bora baixar esse preço, né?

Comentário final: Pretty bitch for fun, for fun, for fun.

 

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16 Respostas para “Rubem Fonseca – O seminarista

  1. Não me agradava muito o que ele havia escrito antigamente e não parece que vá me agradar o que ele escreveu agora. Embora eu já tivesse pensado em atropelar pessoas e em ver se alguém fica preso na parede de madeira com um tiro de doze, não é o tipo de coisa suficiente para compor um conto, na minha opinião.
    Abraço.

    • Oi Lucas,
      Acho que o Rubem Fonseca é um bom contista principalmente e um bom romancista depois, mas concordo que ele desandou legal nesse livro. Ora, o Buffo // Spalanzani tem uma ótima estória, mas, se você não gosta, vale pra ler a cena em que o cara arranca as bolas do outro e faz ele comer (e fizeram um filme ainda, o cara que come as bolas é o Zé Mayer ahahah). Enfim, acho que ele se aproveita dessas imagens pras suas estórias, não as constrói a partir delas.
      Abraço!

  2. O que mais me chamou a atenção foi que o livro tinha versão Kindle…
    Eu tenho um, mas na loja da amazon tem poucas opções de livros em português. Só que na loja que vende o livro do Rubem Fonseca, vende também outros (6!) livros para kindle, e se 19,90 é caro para um livro eletrônico (e é!), 32 para comprar 1822, que se compra em papel por 10 reais a menos, é uma sacanagem!

    • Oi Taciana, nossa, você tem um Kindle, que legal! Queria ter um, mas como tem muito livro best-seller por enquanto, vou esperar até a parada popularizar. É sempre bom ter um quando você quer ler um livro mas não quer que ele ocupe espaço na sua casa. O Rubem Fonseca é um bom exemplo de autor com o que eu faria isso. Agora, não sabia disso do 1822, que roubalheira! Por isso que o Brasil não vai pra frente!!
      Abraços

  3. Bom, já li quase tudo mas esse Rubão realmente é bem fraquinho! O Rubem Fonseca podia ter um baú com várias coisas dele escritas 30 anos atrás, e inéditas ainda que eu ficaria muito feliz! rs Mas ele é um dos nossos mestres, escreveu coisas memoráveis e deu aula para muita gente que atualmente se diz escritor de romances policiais. Mas sua genialidade mesmo fica para os contos.

    Gostei bastante desse projeto gráfico da Agir ficou muito bem feito, não deve nada para a Cia.

    abs

    • oi Raphael,
      E quem garante que ele não tem o tal baú? Vamos ver se ele tem discernimento com seus escritos, se ele joga alguma coisa na gaveta, mas só depois que ele se for. Concordo com você, acho que ele acrescentou e enriqueceu em muito a nossa literatura, principalmente no quesito “ação”. Nossos livros são muito contemplativos e etc. E ele é um ótimo contista e a Agir tratou bem a sua antologia.
      Abraço!

  4. Oi Yuri, estou passando pela primeira vez no seu espaço porque encontrei uma referência no google sobre o livro “O Seminarista” de Rubem Fonseca, que acabei de ler há dois dias atrás. Para mim, Rubem Fonseca é um pouco como Woody Allen, gosto tanto de tanta coisa que já produziram, que mesmo quando fazem algo menos bom, não dá para perder a paixão. Estou lendo agora o “Bufo & Spallanzani”, que me parece, até ao momento, bastante bom! Abraço de Lisboa

    • Olá Sônia, obrigado pela visita! Sempre fico muito feliz quando recebo leitores de além-mar. Entendo completamente sua admiração incondicional por certos gênios, sou assim também com os filmes dos Irmãos Coen (se bem que eles nunca fizeram nada que me desagradasse). E que bom que nossa escassa boa literatura está sendo bem exportada.
      Abraços!

      • Felizmente, tenho tido óptimos encontros com a literatura brasileira: Machado de Assis, Clarice Lispector, Cecília Meireles, e estou querendo conhecer cada vez mais.
        Quanto aos irmãos Coen, é verdade que eles só fazem coisa boa. Assisti ao último filme dos Coen e achei maravilhoso. Merecia pelo menos um Oscar. Injustiça!
        Vou passando por aqui para ler suas sugestões.

  5. Ah, pois eu concordo! Nem um oscarzinho, poxa?
    De literatura brasileira, recomendo a você o João Ubaldo Ribeiro (Viva o Povo Brasileiro, que eu já resenhei por aqui), A República dos Bugres, do Ruy Tapioca (também já resenhada aqui) e o Luiz Alfredo Garcia-Roza, escritor de policiais (também já resenhei alguma coisa, mas não lembro o quê).
    Abraços!

    • Muito obrigada, Yuri, pelas sugestões, assim fica bem mais fácil para mim. Vou ler as suas resenhas. Do João Ubaldo Ribeiro tenho apenas ‘A casa dos Budas Ditosos’ e que ainda não li. Dos outros dois autores não conheço mesmo nada.
      Abraço

      • Segundo falei uma vez com um outro leitor português do blog, o Fausto, o livro do Ruy Tapioca pode ser mais difícil de ser encontrado por aí. Em contrapartida, há um outro, muito mais fácil de encontrar e que, por aqui não existe, chamado A Conspiração Barroca. Ah, e a Casa dos Budas Ditosos é um ótimo livro do João Ubaldo para começar a lê-lo. Tô impressionado com o acervo de literatura brasileira que tem aí em Portugal. João Ubaldo, Clarice Lispector e Rubem Fonseca? Gente, primeiro mundo é outra coisa.
        Abraço!

  6. Não me posso queixar, pelo menos em Lisboa a oferta é bastante diversificada. Acho que amanhã vou ter que passar numa livraria para ver o que há disponível do Tapioca e do Garcia-Roza. 🙂
    Abraço

  7. Que o seminarísta não teve o mesmo nível dos anteriores é questão de crítica literária e fica por ai. Passar disso para qualidade do autor é ignorância literària. Pobre povinho.

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