Post Extraordinário – Saramago está morto (e vai ficar assim)


(musiquinha do plantão da Globo) Tan tan tan tan-tantantantan Tan tan tan tan-tantantantan tan tan tantan tan TAAAAAAAAAAAAAAAN Blrrrrrrrup (isso é a virada dos tímpanos no final) Povo da terra! Saramago, o último português inteligente da face da Terra (como disse o Foba) morreu hoje, aos 87. Isso foi pela manhã, mas só agora a noite fiquei sabendo que foi de complicações pulmonares. Na verdade, foi de velhice mesmo. Nessa idade, qualquer morte é velhice. Bronquite é velhice, infarto é velhice, sífilis é velhice, uma combinação de pneumonia e uma machadada na cabeça é velhice, não importa. 87 anos de vida é coisa PRA CARALHO.

E, apesar desse tom bobagento, a verdade é que a morte do Saramago é sentida por todo mundo que gosta de boa literatura. E até mesmo por quem não gosta. Ora, o Lula não escreveu uma carta de pesar a Portugal? Já viu o Lula lendo Saramago? Se alguém vir, por favor tire foto que eu posto aqui! E quantas pessoas conheceram a obra dele por meio do filme Ensaio Sobre a Cegueira, do Meirelles, o diretor mais esforçado do Brasil? E o que é o filme Ensaio Sobre a Cegueira senão um O Fim dos Tempos que deu certo? Divaguei, foi mal.

Estava dizendo que a perda de Saramago é irreparável para o mundo da literatura, embora, sejamos francos, o velhus não tava escrevendo mais tãããoooo bem quanto antigamente. Claro que, ainda assim, seus livros eram muito mais fodas do que muita coisa que tem por aí, e não me refiro aos best-sellers.

A galera da mídia que cobriu a morte dele falou muito na Pilar, a esposa 30 anos mais nova que ele conheceu aos 63 anos. Nada dá mais alegria a um velho do que, depois de muito tempo, voltar a meter. Olhaí o Ferreira Gullar que não deixa a gente mentir. E eu acredito com certeza que aquelas dedicatórias que ele coloca pra Pilar em todos os livros são a mais pura verdade. Devemos muito a ela, não esqueçamos, meu povo.

Por fim, gostaria de dizer que espero que agora que o Saramago morreu, o senhor Luiz Scharcz, editor da Companhia das Letras (ô moço, deixa eu trabalhar aí com o senhor?) resolva reimprimir algumas obras inestimáveis do escritor, como A Jangada de Pedra e o primeiro volume dos Cadernos de Lanzarote (por que o povo da Globo ficou falando Lanzarotê, igual curitibano? É assim que tem que falar?).

É isso aí. Valeu, Saramago, você é o avô que eu nunca tive.

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14 Respostas para “Post Extraordinário – Saramago está morto (e vai ficar assim)

  1. Caraca adorei este post,primeira vez que paro para prestar atençao no texto,pq nos outros so dou uma bizoiada e caio fora(adolescente sem senso de cultura e o OH),e agora que parei,vi vs falando de um jeito engraçadissimo sobre a morte,eh a morte unica certeza que temos!alguem sempre disse ou foi eu qe inventei PARA MORRER BASTA ESTAR VIVO,qe facil neh!?

    • Valeu pela visita, Josiel. Leia mais isso aqui. Você não vai aprender nada que preste, mas, se der pra se divertir, tá valendo. Abraço!

  2. Fiquei sabendo bem cedo. Que dia estranho! Depois de saber fiquei na reitoria, grupo de estudos sobre literatura, cada vez que um exemplo aparecia eu pensava; “puta merda, é a primeira vez que um escritor foda morre e eu fico pensativo”. Lembro do primeiro livro dele que ganhei. Meu pai trouxe de Portugal, editora Caminhos, “Memorial do Convento”. Fiquei impressionado.
    Obrigado pelo post, Yuri!

    • Oi Lucas… É, estranho como a morte de uns caras assim pegam a gente de surpresa, né? Saramago era fodão e vai fazer falta. Obrigado por passar aqui! Grande abraço.

  3. UUHUHAEUHAUHeauhaeaeuaeu…as constatações que eu considero bastante verdadeiras sobre a Pilar e o Ferreira Gullar são sensacionais.aeueahuaehuaehueah…Dotadas de clareza de raciocínio e verdade nos enunciados.

  4. Estava na Alemanha em outubro 97, quando o país homenageado na Feira do Livro de Frankfurt era Portugal e Saramago foi agraciado com o Nobel. Em Alemão, o livro recém lançado (e muito comentado dele era Die Stadt der Blinde (literalmente, A Cidade dos Cegos). Quando voltei ao Brasil no mês seguinte, uma das primeiras coisas que fiz foi ir a uma livraria e pedir a “Cidade dos Cegos”: não encontrei nenhuma nesta então triste Curitiba. Só meses depois soube que o título pelo qual deveria estar procurando era “Ensaio sobre a Cegueira”. Depois o Saramago que é o português…

    Algumas ideias do autor eram polêmicas. Por exemplo, aquela em que sugere a Portugal se integrar à Espanha. A maioria dos lusitanos não ficou muito feliz (ou se sentiu muito lisonjeada) com a sugestão. Como dizem por lá, “De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”.

    Nada dá mais alegria a um velho do que, depois de muito tempo, voltar a meter.

    Parece que existe um certo “charme grisalho”, conferido a certos homens pela experiência, maturidade, equilíbrio, sobriedade. A boníssima Catharina Zeta Jones, para citar um exemplo, vive aparentemente feliz com seu vetusto maridão, o Michael Douglas, há anos. E disserta longamente em entrevistas sobre a vantagem de se ter um companheiro mais maduro, o que me lembra uma frase de Nelson Rodrigues: “Meu conselho aos jovens é que envelheçam”.

    Aí, juventchura: não basta apenas energia e uma bela estampa: tem também que ter conteúdo. Do contrário os coroas mais estabelecidos / “safos” vão levar as “minas”. 😉

    • Oi Juvenal, que irada sua história. Acho muito estranho como a cultura da tradução de títulos de livro pede que ele seja transferido para a língua nova com as quase mesmas palavras, e quando isso não acontece, todo mundo fica meio bolado. Isso, porém, acontece mais com livros infanto juvenis ou lançados por editoras não muito responsáveis com o rojão que seguram. Fiquei meio assim quando traduziram o Disgrace do Coetzee como Desonra, sendo que durante o livro inteiro ele fica falando de “desgraça”… Fazer o quê, né?

      Esse lance do charme grisalho aparentemente é uma realidade para alguns casais. Vale uma tese aí, povo da academia! Por um lado, realmente existe a maturidade e a sobriedade. Por outro, existe a estabilidade que os garotões sempre dispostos a trocar a de quarenta por duas de vinte não tem. Além disso, tem a questão financeira e a massagem no ego da mulher que sabe que o coroa não vai fazer nada que arrisque perder o bom e velho chá de buceta. Ah, e a Catherine Zeta Jones pode discursar à vontade, que a gente sabe que o segredo do grisalhão é a Síndrome de Michael Douglas hehehehe… De qualquer jeito, a juventude sempre pode disfarçar a falta de conteúdo com um blog de crítica literária fajuta ou algo que o valha 😉

      Ah, fiquei feliz que você assinou o rss do Livrada! Seja sempre bem vindo a compartilhar suas impressões aqui.
      Shavua Tov pra você também!

  5. Não canso de me espanter com sua desenvoltura – um comentário desses aqui em Portugal e você não escrevia nunca mais em lado nenhum! Mas é isso, como você disse, tem que acabar com esse “snobismo” quando se trata de falar de cultura. Gostei muito.
    1 abraço

    • Ah, sério? Já estava quase pedindo pra você me arrumar um emprego de crítico literário aí em Portugal… Vamos subverter esse sistema aí!
      Abraço!

  6. Pingback: Dois anos! « Livrada!

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