Vídeo: Os Abraços Perdidos, de João Chiodini

Vocês já ouviram falar de João Chiodini? Caso a resposta seja não, cá estou eu fazendo a minha parte. Mas ele também fez a dele. Em dois passos simples: primeiro, escreveu um livro interessante. Depois, mandou ele pra minha caixa postal. Demorei pra ler, mas li. Está aqui algumas palavras sobre este romance catarinense, um drama familiar forte.

Os Abraços Perdidos

Desafio Livrada! 2016

Mais um ano, queridos leitores. Estamos aqui seguindo firme e forte nessa brincadeira de ler livros e falar sobre eles na internet. Como é tradição todo ano há uns quatro anos, abro a temporada 2016 com o Desafio Livrada! Mais uma vez com 15 categorias, 14 das quais você escolhe e uma delas quem escolhe sou eu porque alguém precisa salvar um desavisado de encher o ano com Danielle Steel e afins.

Todos os anos o Desafio Livrada! tem por trás de suas categorias uma intenção geral. A do ano passado, carinhosamente e oficialmente-não-oficialmente batizada de Highway to the Danger Zone, tinha como objetivo fazer o leitor sair de sua zona de conforto e entrar em uma zona de perigo, com leituras desconfortáveis, pouco usuais. A desse ano, como pode-se perceber (ou não pode-se perceber), é aquela mesma daquela plaquinha que dizia γνωθι σεαυτόν, ou “Conhece-te a ti mesmo” em letras não-escrotas.

Mais do que isso, gostaria de propor ao leitor desse ano um mergulho não só um ano de auto-conhecimento, mas um ano de conhecimento literário um pouco mais erudito. Temos entre as categorias um prêmio Nobel, um cânone da literatura, um livro russo e algumas outras que podem fazer com que o leitor adentre 2017 tendo vencido alguns traumas de sua vida de leitor iniciante ou experiente. As outras categorias fazem parte do processo de conhecimento interior. Com elas você vai descobrir por que comprou um determinado livro que lhe pareceria ilógico de comprar, quais os guilty pleasures que lhe fazem bem, qual é a literatura produzida na sua terra e qual o seu trauma de nunca ter lido nada que seus amigos já leram.

E o que você faz com tudo isso, você pode estar querendo me perguntar. Nada, amigo. Faz quem quer, quem não quer não faz. Fica peixe. Mas quem quiser brincar como centenas de pessoas que já toparam a brincadeira pelo instagram, é só fazer sua lista de livros que se encaixe em cada uma das categorias, botar a leitura pra frente e, se quiser, compartilhar com a gente, seja em forma de vídeo, seja em forma de foto no insta, usando a hashtag #desafiolivrada2016, como você pode ver alguns exemplos já postados. Seguem as categorias:


1- Um prêmio Nobel
2- Um livro russo
3- um cânone da literatura ocidental
4- uma novela
5- Um livro que você não sabe por que tem
6- Um autor do seu estado
7- Um livro publicado por uma editora independente
8- Uma ficção histórica
9- Um livro maluco
10- Um livro que todo mundo já leu menos você
11- Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta
12- Um livro bobo
13- Um romance de formação
14- Um livro esgotado
15- As aventuras do bom soldado Svejk

Dúvidas sobre as categorias? Segue o vídeo explicativo. É só clicar na imagem abaixo. Ou pode deixar sua dúvida nos comentários do vídeo que eu respondo também 🙂

Desafio Livrada 2016

Ainda não sabe do que eu estou falando? Veja aqui os outros:

Desafio Livrada! 2015

Desafio Livrada! 2014

Desafio Livrada! 2013

Desafio Livrada! 2011

Vídeo: Entrevista com João Anzanello Carrascoza

Algumas leitoras minhas são muito fãs do João Anzanello Carrascoza, esse cara tão lírico e tão contundente nas palavras. Eis que alguém (não lembro quem, perdão) deu a ideia de fazer uma entrevista com ele. O pedido foi acatado e facilitado quando minha amiga Elisa me deu o Caderno de um Ausente, livrinho dele lançado pela Cosacnaify. Resolvi tirar um minuto da minha cobertura oficial para o Litercultura para entrevistá-lo então, e o resultado você vê clicando na imagem abaixo.

Clica na imagem, eu falei!

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John Williams – Stoner

Capa_Stoner_Rádio_LondresEita que o vídeo da Flip tá demorando mais pra ser editado do que eu gostaria, ou eu estou menos tempo do que eu gostaria, ou eu só acho que estou tendo menos tempo do que gostaria, o que importa é que não importa, hoje é segunda e vocês merecem uma resenha nova na falta de um vídeo bobo que levamos muito a sério pra fazer e que deve sair muito em breve.

Bom, estamos aí essa semana com o Stoner, esse que é aparentemente um clássico moderno esquecido – o que, aliás, parece muito estranho em se tratando de tão pouco tempo para esquecer um livro, será que isso vai acontece com a Profecia Celestina daqui a uns dez anos? Stoner foi publicado na década de 60 nos Estados Unidos e, de acordo com o texto didático escrito para fazer você entender por que esse e por que agora, ele foi republicado em 2003 pelo New York Review of Books e considerado um sucesso editorial e entrou na lista dos mais vendidos em alguns países da Europa, o que não é lá muito animador pra quem, como eu, costuma ler a lista dos mais vendidos dos lugares (agora a maioria é livro de colorir, sabiam?). Também não anima muito o fato da contracapa ter comentários elogiosos de escritores medíocres como Bret Easton Ellis (que acha que ainda estamos nos anos 80) e de Tom Hanks que, é bom que se lembre, achou que Forrest Gump foi uma boa. E a cereja do bolo é o primeiro parágrafo da história, que basicamente resume a coisa toda ao dizer:

“William Stoner entrou na Universidade do Missouri como calouro no ano de 1910 com a idade de 19 anos. Oito anos depois, no auge da Primeira Guerra Mundial, recebeu o diploma de doutorado e assumiu um cargo na mesma universidade, onde lecionou até a sua morte, em 1956. Nunca subiu na carreira acima da posição de professor assistente, e poucos estudantes se lembravam dele com alguma nitidez após terem cursado suas disciplinas. Quando morreu, seus colegas doaram à biblioteca da universidade um manuscrito medieval em sua memória. Esse manuscrito ainda pode ser encontrado no ‘Acervo de Livros Raros’, com a seguinte inscrição: ‘Doado à Biblioteca da Universidade do Missouri. Em memória de William Stoner, departamento de Inglês, por seus colegas’”.

Como bem apontou o posfaciador desse livro, o escritor americano Peter Cameron (e foi só isso de bom que ele teve pra apontar em sete páginas de pura especulação literária sobre coisas que CLARAMENTE não estão no texto), para que continuar a leitura de um livro que já está todo resumido ali, né mesmo, geração spoiler? E talvez esteja aí a beleza da coisa e a lição pra vocês que gostam dessa vibe de ler 43 livros sobre uma escola de vampiras do bem que precisam de namorados e ficam muito enfezados se alguém te conta que a Zoey virou a líder das Filhas das Trevas — o que, aliás é algo que seu tio vida loka que teve a vida marcada pelo filme Easy Rider já tentava lhe dizer: o que importa não é o destino, mas o caminho. Ou não exatamente isso, mas vamos devagar.

EscritorDe fato, William Stoner, o personagem principal desse livro (e eu achando que era sobre drogados roqueiros que ouvem Stoner Rock) não é quase nem protagonista da própria vida, de tão prosaico. Não é um bom professor, não tem uma personalidade forte, não fez absolutamente nada de memorável nem algo que merecesse figurar em um livro como nós o conhecemos. Digo como o conhecemos porque a televisão, assim como a literatura, já teve uma certa ânsia por protagonistas, até que começou a apostar suas fichas em personagens reais, limitados, patéticos, falhos e coadjuvantes. E as pessoas que estavam assistindo essas coisas realmente gostaram porque, geralmente, eram programas engraçados, mas também sensíveis no trato a reles mortais. E aí a gente vê que o mistério não tem mistério, o cara salva no texto – e nem é um texto rebuscado, é só um texto realmente sensível.

Stoner é um personagem um tanto inoperante, na verdade. Leva várias porradas da vida e não faz quase nada a respeito. Tem um professor rival, um aluno metido a besta, uma mulher que não gosta dele, uma filha distante, amigos mortos e a coisa toda para deixar o romance enevoado com uma melancolia infinita, e ainda assim não deixamos de nutrir uma certa ternura por ele. Sim, Stoner é um desses romances em que, não tendo muito a se agarrar textualmente – floreios ou grandes digressões – o leitor acaba se aproximando demais dos personagens, que são tão misteriosos quanto parecem. Há coisas sobre a vida de Edith, mulher de Stoner, que nunca saberemos, nem a relação do professor Lomax com seu aluno aleijado Charles Walker, e essas coisas reforçam a tangibilidade do personagem principal, inserido em um mundo aberto em que coisas acontecem de maneira não relacionada a sua vida com começo, meio e fim.

E no fim, é isso: a sensibilidade. Ela é que está salvando tudo quanto é produto que você possa inventar no mundo de hoje porque há uma impressão geral de que as pessoas se acostumaram com os absurdos da vida e ficaram insensíveis a certas coisas. Recuperar essa sensibilidade em uma obra escrita como essa não só faz com que o mundo fique um pouco mais sensível como também faz com que você se sinta bem por conseguir sentir empatia por uma história tão sutil.

Esse livro foi lançado pela editora Rádio Londres, uma das mais novas parceiras do Livrada! Eles são uma editora nova e me procuraram pelas redes sociais e me mandaram esse livro. Por causa do nome, eu achei que fosse uma editora que só lançasse livro de hipster londrino, mas que bom que não é assim. Não li nenhum outro romance publicado pela editora ainda, mas parece que eles estão com um acervo bom de títulos não-babacas – o que já é uma grande coisa em se tratando das grandes casas editoriais de hoje em dia. O projeto gráfico desse livro é primoroso e respeita tudo o que há para se respeitar em um projeto gráfico que se preze. Papel pólen, uma fonte boa (chamada Calluna, que eu não conheço, mas tá beleza também), uma capa bem bonita que parece que compartilha a foto da edição original, ou de alguma edição gringa pelo menos, e uma certa identidade visual com a colocação do título e do autor numa bolinha colorida, atrás do nome da editora (o que reforça que a coisa parece tudo menos o nome da editora. Parece tipo uma coleção ou algo assim). Enfim, um livro bonito também.

Ps: parece que muita gente comentou que a primeira edição de Stoner tinha muito errinho no texto, e que a tradução dava umas trombadas com a realidade da língua em algumas horas, mas eu recebi aqui a segunda edição e, fora uma coisa ou outra muito rara, tá tudo bem.

Comentário final: 314 páginas em papel pólen. Quebra uma perna com osteoporose (lembra quando os comentários finais eram só sobre o poder destrutivo do livro? Ah, o Livrada! de antigamente…)

Vídeo: A literatura que produzimos

O post de hoje é um vídeo, e o vídeo de hoje é sobre um caderno, e o caderno de hoje traz uma reflexão. Não sei se esse vídeo vai ser muito assistido (eu acho que não), mas acho importante ter um espaço desses para discutir esse tipo de assunto, que no caso é sobre a literatura pessoal, e o que nos motiva a ler.

Clique na imagem para ver o vídeo.

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Vídeo: Dora Bruder, de Patrick Modiano

Prêmio Nobel é sempre bom de conhecer, né? Pois é, só que já passou meio ano e as pessoas ainda não sabem muita coisa sobre o Patrick Modiano e as chances dele entrar pra lista dos Nobéis esquecidos (pelo menos por nós) é muito grande. De qualquer forma, pra não deixar passar, aqui vai um vídeo curtinho pra comentar um livro curtinho que ele escreveu.

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Clica no Cauê Moura, abestado.