Kyoichi Katayama – Um grito de amor do centro do mundo (Sekai No Chusshin De Ai Wo Sakedu 世界の中心で、愛をさけぶ)


SEKAI NO CHUSSHIN DE AI WO SAKEDUIh, são dez horas da noite, eu saí de casa pra ver a luta na televisão e esqueci de escrever pro blog de novo. Peraí, de novo não, da outra ocasião eu não escrevi porque a vida tá difícil mesmo, e eu espero que vocês me perdoem e me entendam. Bom, felizmente dessa vez o meu camarada Lucas Lazzaretti emprestou-me o seu laptop para que eu digite essas rápidas linhas enquanto tento encontrar um acento e outro nesse teclado maluco. Por isso hoje vou ser breve, cumpri tabela e fazer algo que eu não faço há muito tempo, que é meter o malho num livro.

Por isso, vamos lá. De cabeça falo hoje de Um grito de amor do centro do mundo, do Kyoichi Katayama, um livrim meia boca demais que eu quis ler pra saber que cara tinha um best-seller japonês. Achei que, por ser do Japão, esse povo tão sofrido que hoje estamos homenageando aqui, pudesse ser um best-seller melhor que os dos outros países. Como é o caso do Michel Houellebecq na França por exemplo (e não vamos falar de Marc Levy aqui, pelo amor dos meus bagos). Houellebecq vendeu meio milhão de cópias com seu penúltimo livro, A Possibilidade de uma Ilha, que um dia eu resenho. Isso se meus números estão atualizados. Bom, o Katayama vendeu nada mais nada menos do que 3,5 milhões de cópias no Japão. Isso num país que é uma tripinha menor que o Chile. Quero ver um livro vender isso aqui no Brasil. Nem Laurentino Gomes, amigo. Bom, daí que imaginei que o livro talvez fosse um desses petardos que teria a sorte de ser mais vendável do que rosa branca de iemanjá no ano novo. Mas, amigos, me enganei. Mea culpa, mea maxima culpa.

Um grito de amor no centro do mundo conta a história de Sakuratô e Aki, um menino e uma menina, repectivamente, que se apaixonam na escola ainda, mas tempos depois ela descobre que está com leucemia e morre (não se preocupe, não contei nenhum spoiler). Putz, me digam: quantos Chick Flicks vocês já viram com um roteiro como esse, com algumas váriáveis, como idade e qual dos dois tem câncer? O cara já começou mal, ou seja, explorando um tema mais batido que músculo antes de ir pra panela. Mas bom, quem ainda não está cansado de ler sobre isso, e quer achar um ticket fácil pra avenida do choro, o livro pode ser uma boa. Só que, se a história não é muito original, a forma não é muito inovadora também. Uma escrita beeeem mela cueca, cheia dos sentimentalismos baratos e formas muito usadas. Coisas como “a vida é triste, como as folhas das árvores caindo num outono frio” etc. Já falei que existem frases que me fazem levantar da cadeira e querer gritar “gol!”. Pois esse tipo de coisa me dá vontade de levantar e xingar a mãe do juiz.

Tá, exagerei um pouco, mas faz parte da crítica ser impiedoso com o livro pra depois dar uma levantada na moral do livro. Isso quando o crítico não é cruel, como eu não sou. Quando o cabra é cruel, ele faz o contrário: levanta um pouquinho a bola e depois enterra todo mundo. Bom, o livro não é desagradável de ler, a verdade é essa. E é curtinho, não atrapalha o cronograma de ninguém e pode ser uma boa leitura pra você levar pra praia e ler embaixo de um belo guarda-sol. São 155 páginas, afinal, não machuca ninguém. E vá lá, quem sabe você se emociona. Ah sim, o título do livro faz uma menção ao livro do Harlan Elisson “Crying out love in the center of the world”. O Murakami também faz menção no título do livro dele que eu resenhei, né? Que cambada de japa referente!

Esse projeto gráfico da editora Alfaguara é o bicho ou não é? Alguns me disseram que a japonesinha da capa matou o resto da foto que tem um fundo bacana, mas eu gosto da capa. A tradução foi feita diretamente do japonês por alguém que não vou saber citar de cabeça porque o livro está longe, e o papel tem uma gramatura grande pra parecer que tem mais livro do que na realidade tem. Bom, o projeto deles muda muito pouco. Ainda assim, valeu a intenção da editora de trazer um best-seller que não seja americano ou o nosso inominável Paulo Coelho. É um best-seller? É. Mas pode ser cult? Pode também. Tô parecendo o Kleber Machado? Um pouco. Vamos parar por aí? Sim.

Comentário final: Escrevi o último parágrafo já em casa. Que droga essa luta do Shogun…

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18 Respostas para “Kyoichi Katayama – Um grito de amor do centro do mundo (Sekai No Chusshin De Ai Wo Sakedu 世界の中心で、愛をさけぶ)

  1. Vai que lá no Japão as pessoas não morrem tão facilmente de leucemia. Afinal de contas eles quase não tiveram exposição a radiação nos últimos 70 anos. Para o país do Godzilla ele deve ser um baita menino sensível. Tudo bem, nada salva! Não me interesso por ler, de qualquer forma.
    Abraço.

    PS: A luta foi uma droga pro Shogun. Parece que o Jon Jones gostou.

    • Não se guie, por mim, Isabelle. Só estou dizendo o que você pode achar do livro, mas a leitura quem faz é você! Se quiser arriscar, vai fundo! 🙂
      Abraço!

      • Geralmente não me guio não, até porque gostar ou não de um livro é bem subjetivo, mas esse roteiro de leucemia matou o livro, mas quem sabe um dia, quando puder e meu dinheiro der. =]

  2. Oi Yuri! Pois, já estou como a Isabelle, depois de ler a sua resenha me passou o entusiasmo para ler o Sr. Katayama. O tempo tá curto e caro, não dá para desperdiçá-lo com leituras que não nos trazem festa para a alma. Ainda por cima, a minha fasquia japa está alta, depois de ter lido Mishima (O marinheiro que perdeu as graças do mar, por exemplo) e Yasunari Kawabata (A casa das belas adormecidas ou Terra de neve), que certamente você conhece. Também já li um de Murakami, mas não me encheu as medidas como os outros dois.
    Aproveito para lhe dizer que já consegui encontrar/comprar a “Conspiração Barroca”, de Ruy Tapioca, mas o “Vento Sudoeste”, do Garcia-Roza está mais difícil. Mas eu não desisto jamais.
    Abraço

    • Oi Sônia. A resposta que dei para a Isabelle vale pra você também. Às vezes, nós homens podemos ser muito insensíveis com livros melosos, então fico até receoso de dar umas desses de vez em quando. Ah, e Murakami não é tão japonês quanto o Mishima e o Kawabata. Agora, queria mesmo era ler o Tanizaki…
      Que bom que conseguiu comprar o Ruy Tapioca! Não li esse livro (não existe no Brasil por alguma razão), mas se for tão bom quanto A República dos Burgres, prepare sua estante para um novo clássico. E o Vento Sudoeste anda difícil de se achar inclusive por aqui, então nem se esquente. Acho que os livros policiais serão os primeiros a serem comercializados em massa em formato e-book.
      Abraço!

      • Ola Yuri!
        Primeiramente parabens pelo blog! Gosto bastante de suas dicas e a maneira como escreve.
        Agora no que diy respeito aos livros japas… bem, eu ja li mais de 8 autores niponicos e como vi que vc mencionou Tanizaki, nao pude deixar de comentar! Leia o classico: Ha quem prefira urtigas. O livro no Brasil custa uma bomba pelo tamanho, mas digo que vale bem a pena. Os conflitos modernos e o modo como ele descreve essas intrigas familiares eh bem interessante. Dele tambem li Naomi, que achei meio bobinho, eh uma Lolita sem graca… Quero comprar o: A Voragem, mas ainda estou hesitando.
        Eu gostei do Kyochi… na verdade foi o meu primeiro livro da serie dos japoneses, dai parti pra Murakami, Mishima, Kawabata, …

        Abracos!

  3. Fala Yuri, de bom mesmo esse livro parece que tem só o título e a capa! rs Mas literatura japonesa é uma que eu precisava explorar mais, quem sabe num futuro distante eu não faça isso e lembre desse livro. Ahh informação quente, se vc não sabe ainda, Houellebecq vem para a Flip deste ano!

    Abraços!

    • Oi Raphael, também tenho essa vontade de conhecer mais a literatura japonesa, e esse livro é japonês, então conhecê-lo também faz parte, né? Acho que o Zeitgeist literário de um povo também se mede pelos best-sellers e não só pelas grandes produções intelectuais. Ah, já sabia do Houellbecq sim, valeu, vamos preparar uma postagem sobre ele em breve!
      Abraço

  4. O Houellebecq vem pra Flip?! Isso significa que eu também irei!

    Há livros e livros “melosos”. Alguns podem até convencer (Murakami, Minha querida Sputnik). Vale lembrar que a literatura japonesa – ou o que conheço dela – tem esse quê mais poético. E existem os que não convencem de jeito nenhum (Amor, de novo, da Doris Lessing, livro que não recomendo para ninguém).

    Beijo, Yu!

    • Oi querida. Preciso conhecer mais livros melosos que convençam, ando muito insensível para tudo ultimamente. Quem me dera ir na Flip conhecer o Houellebecq!
      Beijo!

  5. Nossa, não sabia que era um livro.. meu primeiro contato com essa obra foi com o dorama de mesmo nome (Sekai no Chuushin de, Ai wo Sakebu), produzido pela TBS.
    Eu não assisti inteiro, porque achei muitoooo chato.. e pelo visto o livro parece ser tão chato quanto hauhauhau

    • Olá, srta. Inafuko, cujo primeiro nome desconheço, muito obrigado por passar aqui.
      Sim, você tem razão, o livro fez tanto sucesso no Japão que virou mangá e filme, série, figurinha de chiclete, joguinho de playstation, sabor de gelatina… tá, exagerei, mas foi um sucesso. Ao que parece, nós, leitores brasileiros (nisseis ou não), não estamos caindo nessa…
      Abraço!

  6. Olá. Então, eu gostei bastante do dorama, uma vez que, mesmo sabendo como acabará o romance dos jovens desde o princípio, a história mostra, também a superação da morte da Aki por parte do Saku… Talvez, pelo fato de ser um livro traduzido, grande parte de sua qualidade tenha sido perdida. Ora, sabe-se que uma leitura pode ter um significado completamente diferente na linguagem japonesa, uma vez que se trata de outra cultura. Desse modo, expressões que possam até parecer “bregas” aos olhos ocidentais podem ter uma lógica mais profunda e diferenciada para os orientais. O mero fato de ser um descendente de japoneses não implica que se compreenderá todo o subjetivismo e o pensamento japoneses. Vou ler o livro e pretendo ler a versão japonesa também. Garanto que serão leituras distintas. Por favor, compreendam.

    • Oi Keisuke.
      Concordo com você. Arrependi-me, futuramente, de ter feito uma resenha tão furiosa quanto essa, mas a leitura desse livro me deixou furioso na época. Sempre tenho grandes expectativas quando começo a ler um autor japonês, e esse foi o primeiro que me decepcionou.
      Um abraço.

  7. Ja que voce gosta de um bom livro policial e gosta de literatura japonesa, ja misturou os dois? eu adoro a natsuo kirino e recomendo a todo mundo. alguns sao bem ruizinhos, mas do outro lado e grotescas para mim sao duas perolas do genero! adoro seu blog!

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