Jack London – Caninos Brancos (White Fang)


20140929-023818.jpgEu sei, eu sei, já estava há muito tempo sem escrever aqui, e não foi por má vontade ou por desinteresse, pelo contrário: temos muitos livros a comentar neste espaço tão prazeroso. Mas o caso, se é que pode se chamar de caso, foi uma sucessão de domingos malfadados em que a crônica literária hebdomadária acabou ficando em segundo plano por uma série de outras razões mais urgentes. E veja, cá estou eu mais uma vez num domingo de madrugada, com 38,5 de febre, tentando honrar o compromisso desonrado nas ocasiões anteriores. Pois bem, quem não veio aqui para ouvir desculpas e lamúrias pode fazer o favor de passar para o parágrafo seguinte. Grato.
Pois bem, Jack London. Quem já leu aqui minha resenha de Lobo do Mar sabe o quanto me encantei por esse sujeito, e temo não estar sozinho nesta. Qualquer hipster interessado em histórias de aventuras ou que tenha uma infância nostálgica com filmes da Disney pode se deleitar com a literatura desse homem que escreveu sobre lobos, piratas, lobos piratas, lutas de boxe e afins. Caninos Brancos virou filme da Disney, como citei ali em cima, e acreditem se quiser, eu nunca vi. Mas não tem problema, já que a leitura não é comprometida por esse tipo de coisa.
O romance conta a história de um lobo meio cachorro que nasce no frio das florestas canadenses e se desenvolve na natureza, sempre com a proximidade humana. O autor vai narrando suas primeiras descobertas na natureza e tenta aproximar ao máximo o raciocínio animal das nossas conclusões lógicas, dando assim um antropomorfismo pra figura central do livro. A relação de Caninos Brancos com os humanos é conflitante com a sua natureza selvagem, e ele aprende a balancear seu lado cachorro com seu lado lobo assassino nas mãos de Castor Cinzento, que é um índio bravo que não demonstra emoções mais nobres em relação aos cãezinhos. Mas ele vai aprendendo a criar um respeito quase que divino com relação aos homens (chamado numa espécie de discurso indireto livre da narrativa de deuses), e aprende a se tornar uma máquina bruta de retaliação e selvageria. É, isso é basicamente o grosso do livro, já que as situações narradas são um tanto episódicas e pinçá-las aqui seria um exercício pra lá de aleatório. O que se pode dizer é que Caninos Brancos é um dos poucos romances de formação animal de que se tem notícia. Eu acho.
A leitura de Caninos Brancos pode chatear um pouco quem espera por mais diálogos, mas qualé! Não vai ficar lendo livro de cachorro esperando que eles falem, né? Isso aqui não é Clifford, o Cão Gigante! O que interessa pra gente é uma humanização do animal em questão e uma sensibilidade aguçada do autor para perceber as sutilezas da vida selvagem e tentar, a partir dai, construir uma gênese intelectual do dog. As noções de certo e errado, fraco e forte, comida e objeto, tudo isso é esmiuçado por Jack London no livro, e acho que ele fez um excelente trabalho se você me perguntar, viu?
O projeto gráfico é da penguin-companhia e acho que já falei o quanto me rendi a essa coleção diante do acervo invejável de clássicos modernos de que eles disponibilizam. Papel pólen, blá blá blá, finito que eu to num iPad e preciso tomar outra novalgina agora. E outro banho gelado. Ó senhor, por que gosta de me adoecer? E ó, perdão pela formatação tosca, é o que da pra fazer agora. Depois conserto.

Comentário final: 296 páginas em papel pólen. Pega, Rex!

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3 Respostas para “Jack London – Caninos Brancos (White Fang)

  1. Vai passar; é só não ler livros que se passam em lugares de baixas temperaturas. Vi o filme e li o livro: é daqueles casos em que a versão cinematográfica não envergonha a obra que lhe deu origem. Recomendo ambos.

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