3 anos!

Ô, ô, ô, o Livrada! voltou!, cantariam vocês, caso tivessem inclinações para rimas pobres e fossem educados musicalmente nas arquibancadas dos estádios. Mas como sei que meus leitores podem ser poucos (lentamente se tornando muitos), mas com a qualidade intelectual para apreciar boas piadas e críticas ácidas sobre livros outrora respeitados, sei que o que impera por aqui é uma casualidade mais comportada e menos musical. Não tem problema, o fato é que após pouco mais de um mês, estamos cá de volta para nossa árdua e inglória missão de propagar piadas e exegese literária aos quatro cantos da interweb brasileira e mundial.

E estou cada vez mais relapso com as efemérides, pois passou o aniversário do Livrada! e eu deixei por isso mesmo, sendo que não deveria ser assim. Afinal de contas, são três anos da minha vida dedicados a esse recôndito obscuro da deepweb. De novo, não ganhei dinheiro, mas ganhei amigos. Trocaria os amigos por dinheiro? Talvez, mas o fato é que consegui fazer desse lugar mais um dentre os milhões a discutir literatura de qualidade. E pode ser um pouco arrogante da minha parte, ou pode ser o timing, mas o fato é que na época em que comecei isso aqui, no começo de 2010, quase não havia blogs de literatura de qualidade e muito menos que tratassem o assunto de maneira leve e engraçada, ao passo que hoje tem um engraçadão em cada esquina. De maneira que o Livrada! pode ser considerado pioneiro em alguma coisa, e isso muito me orgulha.

De lá pra cá, muita coisa mudou no mundo da literatura, e destacaria, sobretudo, o crescimento absurdo do mercado editorial e a maneira como as editoras tratam hoje os blogs literários. A sensação é quase como a daquela galera de Seattle que fazia um som assim, meio pop, meio deprê, e de repente todos começaram a assinar contratos com grandes gravadoras. Ser percebido por quem tem interesse mercadológico no que você faz é bom, por que de repente você pelo menos não gasta mais dinheiro para alimentar isso com novidades, mas ser percebido por quem tem interesse cultural no que você escreve não tem preço. As mensagens de apoio e carinho que recebo aqui nesta caixa de comentários e da cada vez mais curtida página do Facebook por vezes me deram fôlego para escrever por mais uma semana, e por isso eu agradeço a todos.

Mas nada de ficar sentimentalóide por agora. Estamos em celebração pelos três anos do Livrada!, e não poderia deixar de falar dos escritores que também passaram por aqui. Cristóvão Tezza, Xico Sá, Elvira Vigna, Valter Hugo Mãe e Pedro Juan Gutierrez, obrigado pela leitura. E se deixei de agradecer a algum autor comentado, shame on you! Custa fazer a gente saber que você passou por aqui, ô, gostoso? Larga a mão de ser gostoso, ô, gostoso. Seja humilde, ô, gostoso. Nojento, tcham.

Eu tinha um livro para comentar por aqui nessa semana, mas resolvi dedicar esse post a nós mesmo e a tudo que construímos. E por nós quero dizer eu, você, leitor costumaz, você, leitor esporádico e você, adolescente chato que vem aqui pedir resumo de livro pra trabalho de escola. Obrigado pelas lembranças boas, pelos prêmios disputados e nunca conquistados, por todos os anunciantes que desapareceram depois de saber o preço de um banner simples aqui (eu acho que os caras tão achando que o Livrada! é bolinho ainda), por todas as editoras parceiras que me mandam livros sem pressão e por toda a atenção dedicada. Continuamos nos vendo por aqui até surgir a ordem de despejo.

Doem dinheiro para o Livrada! (é sério).