Hábitos de leitura 1 – Tratando bem do seu livro

E aí pessoas, tranqüilidade? Pois é, hoje vamos deixar as resenhas de lado um pouco para falar sobre algo muito importante: o seu corpo. Sabe, existem certas partes do seu corpo que são só suas, e um adulto não deveria tocá-las de um jeito que te deixe desconfortável. Bah, mentira, vamos dar início a uma série sobre hábitos de leitura.

Pra quem nunca desconfiou, aqui no Livrada! a gente trata do livro também pelo seu aspecto físico. Ler, para os leitores habituais, é uma ação permeada de nuances aí, e quem sabe tá ligado: cada um tem as suas. Por isso, se me dão licença, falaremos hoje sobre o jeito como você, eu e o teu primo esquisito (aquele cujo sonho quando era criança era cuidar dos velhinhos. Hummmm) tratamos dos nossos livros. Então, participem aí da discussão.

Eu sou um leitor que mantenho uma posição quase indiana com meus livros: praticamente não podem tocar no chão. E o principal motivo pelo qual trato a papelada com tanto zelo é simples: livro é caro pra chuchu. Suponho que ninguém seja milionário por aqui e que livro não é um simples Tazo, que vem junto do salgadinho de graça, pra você colecionar e perder no jogo de azar com os amigos. Não, camaradinha, é papo de quarenta reais pra cima.

Entretanto, entendo que nem todo mundo seja um colecionador de livros e não esteja tão preocupado assim com a estética da sua biblioteca. Quando a gente começa a falar dessas coisas, o que não falta é duas dúzias de neguinho falando “mas o que importa é o conteúdo, mé mé mé”. E de fato, depois da sexta série, o livro é o único objeto do mundo para o qual o termo ‘beleza interior’ ainda faz sentido. Ainda assim, a gente vive num mundo material cheio de garotas materiais, então sem falsa demagogia pra cima de moi, beleza? Dizia eu que existem essas pessoas, sem nenhum apego por seus alfarrábios, que não veem mal algum em marcar as páginas com a orelha, dobrá-lo durante a leitura como uma revista Caras, sublinhar partes interessantes (não é mais eficaz anotar em um caderninho, ou algo assim?) e, o pior, o supra-sumo do desapego: anotar números de telefone e outras notas nadavê na folha de rosto ou outro lugar. Claro que estou falando tudo aqui do meu ponto de vista e, para mim, rabiscar o livro só é aceitável quando é um autógrafo do autor ou uma dedicatória dos amigos que tem o bom gosto de te presentear com livros (exceto quando te dão de presente livros do tipo Amar é Prosa, Sexo é Poesia. Não vou citar nomes). Para pessoas assim, sem vaidades, o e-book vai fazer muito sentido, e vai ser, quem sabe, a primeira vez em que será preciso cuidar — e muito bem — do suporte. Afinal, Kindle não é exatamente algo que você ganhe na pescaria da festa junina da sua igreja (a menos que você seja de alguma religião de ricos, tipo o judaísmo ou aquela religião maluca dos Estados Unidos em que o sacerdote faz coleção de carrões, aí tudo bem). Por mais paradoxal que seja, só quem não liga muito para o aspecto físico do livro vai investir em algo tão dispendioso quanto um reader, acho eu.

Entretanto, cuidar bem de um livro envolve algumas práticas chatinhas, como moderar os empréstimos (um outro tópico, um outro dia, quem sabe?), transportá-los com certo cuidado e fazer uma limpeza eventual. Conheci gente que tinha o hábito de transportar os livros em pequenos sacos plásticos, desses que a tia do xerox coloca as folhas que você fotocopia, ou mesmo uma sacola de mercado, que evita formação de orelhas e outros amassados uma vez dentro da bolsa ou mochila. Tentei fazer isso por um tempo, mas não consegui me adaptar, então resolvo levar o livro na mão ou mesmo no bolso gigantesco das minhas calças de maloqueiro.

Para fazer a limpeza dos queridos, o lance é o seguinte: uma vez por mês tirá-los da estante e folhear rapidamente as páginas para arejá-las e passar um pano seco nas capas para tirar o pó. E se você, assim como eu, mora no Paranã, cuidado: aranhas marrons curtem uma literatura. Outro dia achei uma atrás da minha coleção do Kafka, terrível e asqueroso aracnídeo, não dá nem pra fazer a piadinha infame com a Metamorfose. Agora, se você tem uma biblioteca monstruosa, acho melhor fazer aos pouquinhos, né?

E você? Como cuida do seu livro?

Ah, e se você ficou muito chateado porque hoje não teve resenha, não tema, gafanhoto. Passa lá na Paradoxo para ler a resenha dessa semana, de um livro muito irado do Snoopy.