Vídeo: Milan Kundera – A Festa da Insignificância (La Fête de L’insignifiance)

Você ainda gosta de ver vlogs? Espero que sim, porque o nosso está apenas começando e ó, tá ficando legal. Nesse, comentamos o best-seller tcheco Milan Kundera e colocamos alguns pontos simples de entender em um livro meio complicado de sacar. Mas, como dizem pra todo mundo que já fez uma cagada nessa vida, o que vale é a intenção.

Já falei pra se inscrever no canal? Vou falar de novo, porque precisa. Me ajudem a ficar rico, gente.

Já falei que isso é só uma imagem? Você tá tentando apertar o play até agora e achando que o que tá abrindo na outra aba é pop-up desgraçado. E tá errado.

livrada

Ryszard Kapuściński – O Xá dos Xás (Szachinszach)

jornalismo literarioE ainda dizem que o polonês é uma língua difícil. Xá dos Xás = Szachinszach. Xáxinxáx = Xá dos Xás. É só deixar a intuição fazer a sua parte e começar a ler Bruno Schulz, e entender o que você quiser entender, é claro. Mas bem, os senhores e as senhoras não vieram aqui para ter lições de polonês comigo, que no máximo improviso um versinho ou outro de ogórek ogórek ogórek zielony ma garniturek e não tô aqui para destilar mais do que isso dos meus conhecimentos filolololológicos. Estou aqui para falar desse livrorreportagem do grande mestre da arte Ryszard Kapuściński, esse polaco que deveria ter morrido antes do tempo umas 70 vezes e não morreu. Kapuściński cobriu guerras e escreveu sobre déspotas memoráveis, e ajudou a entender o lado feio e sujo do meio do século 20, lado esse que as pessoas até hoje não sabem pelo simples fato de não ligarem a mínima para o que acontece nesses países. Assim foi com o Irã e sua dinastia Pahlevi.

O livro, obviamente trata disso. Se você não sabe – e tudo bem, ninguém aqui está julgando o fato de você ter feito supletivo – xá é o título dado ao monarca no irã, e é esse o título porque quer dizer “rei”, em persa. Xeque-mate, o rei está morto, você já deve ter escutado isso em algum lugar ou lido em algum almanaque de cultura inútil. Pois bem, o Irã tem uma longa história de xás que massacraram o povo apenas para depois serem mortos ou exilados. É uma história cíclica, e a dos Xás Pahlevi tem muito a ver com o que está acontecendo hoje com o Estado Islâmico – de novo, se você não sabe o que é Estado Islâmico, a gente não julga, MAS…

O primeiro xá é o Reza Pahlevi, um homem de formação militar que ascendeu ao poder e que mais ou menos conseguiu manter tudo em ordem, se é que pode se chamar aquilo de ordem. O Irã não é essa potência cheia de petróleo e gente perigosa que é hoje, antigamente era só mato, deserto e pobre. Nem carroça tinha. Mas o filho, o xá Mohammed Reza Pahlevi, diferentemente do pai, não lidou tão bem com as coisas. Ele era, segundo o autor, um cara inseguro, que precisava ser bajulado, vaidoso e arrogante, e quando seu primeiro-ministro Mohammed Mossadegh resolveu nacionalizar o petróleo iraniano (e o império britânico sofreu uma queda porque até então eram eles quem mais ou menos mandavam por ali), a promessa de um país bilionário botou o Xá pra trabalhar. Assim, ele começou a querer industrializar o Irã, sem perceber que as coisas mais básicas ainda faltavam. E o povo ficou mais irado, e com o povo irado, o movimento nas mesquitas se intensifica, e eis que surge a voz incansável, serena e monocórdica do aiatolá Khomeini, que inspira a articulação do movimento contra o xá. Mas aí já tô contando demais sobre a história e pouco do livro.

Ryszard_KapuscinskiFalemos do livro. Não é à toa que Kapuściński foi o que foi. A escrita dele é um misto de crônica, relato jornalístico, remontagem histórica, ensaio e leves tons de escrita ficcional, tudo misturado num blend gostoso típico desses gênios da raça que surgiram naquele século (Norman Mailers da vida). De modo que ler O Xá dos Xás é algo que você tem que fazer nem que seja pra falar “mas que desgraçado esse sujeito que escreve tão bem e rodou o mundo e viu de perto a história acontecendo… que desgraçado mesmo”. E, claro, aprender um pouco sobre a história do Irã, como já disse, é entender também um pouco do que ocorre no Oriente Médio. Os governantes colocados no poder pelos interesses do ocidente, o descontentamento do povo com a falta de perspectiva e o levante capitaneado pela ideologia formada dentro das mesquistas torna a história cíclica como os espertinhos sempre falaram que era. De modo que O Xá dos Xás é uma aula de boa escrita, de história, de geopolítica e de como viajar pelo mundo (aprendam, seus fanboys da Disney).

O livro faz parte da coleção Jornalismo Literário da Companhia das Letras e é fiel ao padrão de quatro fotos e um textão, uma capa gráfica e um posfácio pra exaltar o autor e o livro em questão. O problema é que achei que nesse caso em específico, o livro carecia de mais fotos. Quem não queria relembrar a beldade de dona Soraya, mulher do Xá, e de ver o levante dos povos, e mesmo as fotografias de que o autor fala na segunda parte do livro – a maior delas, que centraliza o tríptico. Intitulada “Daguerreótipos”, ele conta a história através de fotografias antigas de que dispõe. Por que não podemos ver essas fotos também? Not cool, bro. Not cool.

Comentário final: 197 páginas em papel pólen. Xuxuxu Xaxaxau.

Jack London – Caninos Brancos (White Fang)

20140929-023818.jpgEu sei, eu sei, já estava há muito tempo sem escrever aqui, e não foi por má vontade ou por desinteresse, pelo contrário: temos muitos livros a comentar neste espaço tão prazeroso. Mas o caso, se é que pode se chamar de caso, foi uma sucessão de domingos malfadados em que a crônica literária hebdomadária acabou ficando em segundo plano por uma série de outras razões mais urgentes. E veja, cá estou eu mais uma vez num domingo de madrugada, com 38,5 de febre, tentando honrar o compromisso desonrado nas ocasiões anteriores. Pois bem, quem não veio aqui para ouvir desculpas e lamúrias pode fazer o favor de passar para o parágrafo seguinte. Grato.
Pois bem, Jack London. Quem já leu aqui minha resenha de Lobo do Mar sabe o quanto me encantei por esse sujeito, e temo não estar sozinho nesta. Qualquer hipster interessado em histórias de aventuras ou que tenha uma infância nostálgica com filmes da Disney pode se deleitar com a literatura desse homem que escreveu sobre lobos, piratas, lobos piratas, lutas de boxe e afins. Caninos Brancos virou filme da Disney, como citei ali em cima, e acreditem se quiser, eu nunca vi. Mas não tem problema, já que a leitura não é comprometida por esse tipo de coisa.
O romance conta a história de um lobo meio cachorro que nasce no frio das florestas canadenses e se desenvolve na natureza, sempre com a proximidade humana. O autor vai narrando suas primeiras descobertas na natureza e tenta aproximar ao máximo o raciocínio animal das nossas conclusões lógicas, dando assim um antropomorfismo pra figura central do livro. A relação de Caninos Brancos com os humanos é conflitante com a sua natureza selvagem, e ele aprende a balancear seu lado cachorro com seu lado lobo assassino nas mãos de Castor Cinzento, que é um índio bravo que não demonstra emoções mais nobres em relação aos cãezinhos. Mas ele vai aprendendo a criar um respeito quase que divino com relação aos homens (chamado numa espécie de discurso indireto livre da narrativa de deuses), e aprende a se tornar uma máquina bruta de retaliação e selvageria. É, isso é basicamente o grosso do livro, já que as situações narradas são um tanto episódicas e pinçá-las aqui seria um exercício pra lá de aleatório. O que se pode dizer é que Caninos Brancos é um dos poucos romances de formação animal de que se tem notícia. Eu acho.
A leitura de Caninos Brancos pode chatear um pouco quem espera por mais diálogos, mas qualé! Não vai ficar lendo livro de cachorro esperando que eles falem, né? Isso aqui não é Clifford, o Cão Gigante! O que interessa pra gente é uma humanização do animal em questão e uma sensibilidade aguçada do autor para perceber as sutilezas da vida selvagem e tentar, a partir dai, construir uma gênese intelectual do dog. As noções de certo e errado, fraco e forte, comida e objeto, tudo isso é esmiuçado por Jack London no livro, e acho que ele fez um excelente trabalho se você me perguntar, viu?
O projeto gráfico é da penguin-companhia e acho que já falei o quanto me rendi a essa coleção diante do acervo invejável de clássicos modernos de que eles disponibilizam. Papel pólen, blá blá blá, finito que eu to num iPad e preciso tomar outra novalgina agora. E outro banho gelado. Ó senhor, por que gosta de me adoecer? E ó, perdão pela formatação tosca, é o que da pra fazer agora. Depois conserto.

Comentário final: 296 páginas em papel pólen. Pega, Rex!

Vídeo: Cristóvão Tezza – O Professor

 

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Querem me calar, mas olha eu aqui de novo com um vídeo sobre esse escritor supimpa que nós temos e tanto já comentamos neste humilde espaço! Tem maçã, tem xiboquinha, tem Akira, tem moletom da Santa Cruz e tem muita alegria e descontração nesse vídeo sobre o último livro do Cristóvão Tezza: O Professor. Vai dar mole ou vai assistir e se inscrever no canal de uma vez? Tá bombando, gente, vem!
tezza

Clica na imagem, filé. Tá difícil? Clica aqui então.

 

 O Professor cumpre as seguintes modalidades do Desafio Livrada 2014:

3- Um livro do seu autor favorito

11- Um livro publicado pela primeira vez neste ano

 

Comentário final: 240 páginas de puro calibre!

Vídeo: Desafio Livrada! 2014 – Reta Final

O Desafio Livrada! está de volta para comentarmos na reta final os 15 livros que eu, o criador dessa bagaça, escolhi para não ficar de fora da febre de 2014. E claro, ótima oportunidade para fazer um vídeo e ostentar as minhas lindas edições conseguidas com árdua negociação e dinheirinho suado. E agora chega disso que eu tenho um avião pra pegar nessa linda segunda-feira.

desafio livrada

 

Clica na imagem, abestado. Ou clica aqui.

O Livro dos Camaleões

livro dos camaleõesPoesiaaaaaaaaaa! E dessa vez é pra valer. Sempre bom ver esse vídeo do Bial, mas não é todo dia que podemos colocar o dedo na origem dele, que é justamente o livro de hoje. Eis que meu prédio fez há pouco tempo atrás uma biblioteca comunitária para fazer alguns livros detestáveis circularem entre os condôminos que não têm critério nenhum sobre o que ler. Vamos falar a verdade, já tentou achar alguma coisa que preste nessas bibliotecas comunitárias? As pessoas geralmente colocam ali livros que não servem nem pra jogar fora, e isso não é exagero. Na biblioteca do meu prédio é a mesma coisa, só que um pouco diferente – de vez em quando aparece coisa boa. Vi uma vez um tomo gigantesco de As Vinhas da Ira que logo desapareceu e agora tem um Não Verás País Nenhum dando sopa, o que há de ser uma coisa boa. No meio desses, apareceu essa raridade que vamos discutir hoje. Desde já agradeço aos senhores condôminos por jogarem suas porcarias ali para alimentar esse recôndito esquecido da deepweb que se ergue em meio aos buzzfeed da vida.

O Livro dos Camaleões é, veja bem, o livro de um grupo de poesia que existiu na década de 80 chamado Os Camaleões. Parece que na época era uma coisa meio comum fazer grupos de poesia, algo como uma Legião Urbana feita por três Renatos Russos e nenhum Dado Villalobos, e você pode imaginar a hecatombe que isso era. Eles saíam por aí em bares e em eventos recitando poemas e fazendo performances. Ugh. Os Camaleões, no caso, eram três: o apresentador Pedro Bial, o repórter Claufe Rodrigues, que hoje faz as matérias do Globo News Literatura (e que ganhou a antipatia dos curitibanos por ser o mala que foi lá bater na porta do Dalton Trevisan com um câmeraman a tiracolo), e o editor do Fantástico Luiz Petry. Todos eles tinham pseudônimos, respectivamente: Peter Pane, Baby the Billy e Patrick Jack. Eu sei, eu sei, os caras não são bons de pseudônimo, mas falemos um pouco de poesiaaaaaaaaa.

Os poetas, para nós leigos, podem ser divididos em dois grandes grupos: os laureados e os de rodoviária. Prêmio literário é algo que serve exatamente a esse propósito, porque se não tem um zé mané pra dar um trofeuzinho pro seu Zé das Couves, a gente nunca vai enxergar o lirismo dele com os nossos próprios olhos. E não é só ganhar um prêmio pro sujeito cair nas graças do povo não, amigo. É um caminho árduo e tortuoso, e é por isso que os poetas – os de rodoviária, principalmente – gostam de fazer poemas sobre as agruras de ser poeta, essa coisa bela e trágica para se ter como destino. Baseado nisso, os Camaleões se assumiram marginais e, nas palavras deles, pop-descartáveis. Por que, claro, a aura de marginal é muito importante pra um poeta de rodoviária, porque parece que ele não tá se esforçando muito na coisa ou parece que ele tá mais empenhado em tomar porres e transar do que fazer poesia, mas a gente que é macaco velho sabe que é o contrário.

bial, petry, claufeAssim, o livro é dividido em várias partes: os Camaleões Pop-Descartáveis, os Camaleões de Fogo, os Camaleões na Derrota e os Camaleões Amigas, entre outros. Aliás, nesses últimos dois imperam o tom da tal da estética da derrota e da estética homossexual criadas pelo Patrick Jack. Na primeira, todo mundo é derrotado, coitadinho, marginal e a partir daí renasce como poeta (ou algo assim), e na segunda todo mundo é boiola sem nenhum motivo aparente.

Fora isso, o livro nos brinda com versos como “entre a mulher e o que ela quer/ o fim e o começo… / existe uma ponte que sou eu” (Pane), “Ainda há no ar o aroma do nosso amor/ renascendo renitente como o capim” (Billy) e “Mais tarde, soube que Paloma Jack foi abatida a tiros como uma galinha d’Angola/ Daí saí pelo mundo escrevendo os versos do meu martírio/ e buscando Paloma Jack em todas as mulheres/ Foi assim que nasceu Patrick Jack, o coiote solitário” (Jack) Quanta coisa absurda tem nesse livro! E pensar que eles escreveram esses versos quando tinham 27 anos! E publicaram! Bom, não sei o que foi que aconteceu na dissolução dos Camaleões, mas olha, esse lance de poesia não é muito a praia de ninguém ali, pelo que eu sei. Todos eles tão na TV hoje, bem sucedidos e de acordo com a própria filosofia deles, não existe pior poeta do que gente bem sucedida, então melhor que o passado fique no passado. É claro que o Pedro Bial ainda arrisca uns poemas aqui e acolá, e dá vazão à sua verborragia quando precisa anunciar uma eliminação no Big Brother Brasil, então tá tudo mais ou menos bem.

Esse livro foi editado por uma editora chamada Anima, teve zero de cuidado no projeto gráfico, uma capa horrorosa, não tem padrão na formatação dos poemas nem na assinatura, mas tem ilustrações estranhíssimas de Chico Caruso e outros ilustradores sobre os quais eu nada sei. Chega desse livro.

O Livro dos Camaleões cumpre as seguintes modalidades do Desafio Livrada 2014:

7- Um livro de poesia

8- Um livro escrito por alguém com menos de 40 anos.

Comentário final: 140 páginas de pura POESIAAAAAAAA.

Vídeo: Edward Bunker – Educação de um Bandido (Education of a Felon)

Fala, macacada! Hoje a resenha é em vídeo também, e desde já gostaria de agradecer imensamente ao feedback recebido e a todos vocês que se inscreveram no canal. Com um vídeo, já estamos beirando as 150 assinaturas, mas precisamos continuar pro Google e seu filhote YouTube levarem a gente a sério. Então, por favor se inscrevam no canal do Livrada! É super fácil, ó: primeiro, você clica na imagem aí embaixo, depois, logado com a sua conta do Google, você clica no retângulo vermelho embaixo do vídeo onde diz “Inscrever-se”, e pronto! Não custa nada pra você, mas é uma mão na roda pra gente!

Estão gostando do nosso humilde vlog filmado na minha humilde residência? Acho que vou tirar o meu wheyzinho do fundo nos próximos vídeos, alguns de vocês ficaram muito chocados com ele. Whey é vida, galera! Deixem de manha. Peço desculpas por eventuais falhas técnicas, estamos todos aprendendo a fazer isso ainda, e a ideia é melhorar sempre.

Mas enfim, não era isso que vocês vieram ler aqui. Vocês querem saber sobre o Ed Bunker (o Mr. Blue do Cães de Aluguel) nessa deliciosa dica literária que vos deixo para essa semana. De resto, já sabem: curtam o vídeo, compartilhem, discutam na caixa de comentários, se quiser eu até respondo por lá!

livrada vlog still 2

 

Clica na imagem, abestado.