Vídeo: Entrevista com Alison Entrekin

Eu estava na Flip no começo de julho, e fiquei sabendo que a tradutora Alison Entrekin estava lá. Ela já traduziu livros como Cidade de Deus, Budapeste e O Filho Eterno, para falar dos mais lembrados. Veja bem, eu queria entrevistar a Alison há muito tempo, sendo ela uma das mais importantes tradutoras do português para o inglês que nós temos hoje, mas como foi no improviso e não preparei uma pauta e nem lembrava das coisas que queria perguntar pra ela, saiu algo básico, mas, acredito, relativamente completo no que tange assuntos introdutórios sobre tradução. Sei que não é um tópico muito popular, mas eu gosto muito de falar com tradutores, então assistam aí!

Só clicar na imagem.

alisonentrekin

Vídeo: Book Haul Maio/Julho de 2015

É, amigo, fiz um book haul. Quem me viu, quem me vê. Mas eu não podia deixar de fazer, afinal, foram tantas coisas maneiras que eu recebi na caixinha do Livrada! que eu precisava fazer uma “prestação de contas”, por assim dizer. No vídeo eu falo dos livros que ganhei, dos que eu comprei e dos que recebi de editoras, além de filmes e séries que assisti. Aproveito ainda pra falar dos marcadores do Livrada!, que você recebe se mandar uma cartinha, um livro, uma calcinha ou qualquer coisa do tipo pra minha caixa postal, que é:

Yuri – Livrada!

Caixa Postal 19501

Curitiba – PR

CEP 80050-380

No mais, as imagens falam por si só. Assista ao vídeo clicando na imagem abaixo.

caixapostal

Vídeo: Desafio Livrada 2015 – As Minhas Escolhas

Vocês devem estar se perguntando o porquê desse post ter saído na terça-feira e não na segunda, como habitualmente sai. A resposta é simples: eu esqueci.

Mas bom, a notícia não está aqui de qualquer jeito. A notícia está no Youtube e o que tá rolando agora é que eu finalmente fiz um vídeo com as minhas escolhas do Desafio Livrada 2015. Aqui você confere os livros que eu li/estou lendo/vou ler para o desafio, e confere também o link para os outros vídeos feitos por leitores para suas escolhas.

Se você não sabe do que eu tô falando, veja aqui o post original.

Se você sabe do que eu tô falando, clica na imagem.

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Vídeo: Um rolé pela Flip 2015 (parte 2)

E chegamos a última parte da nossa cobertura maravilhosa pela Flip 2015! Aproveitem cada minuto desse vídeo como nós aproveitamos cada minuto fazendo ele (tomando chuva e pisando naquelas pedras desgraçadas. Sério, alguém gosta dessa porcaria? Se eu fosse prefeito, mandava asfaltar tudo!)

Clica aí na imagem e deixe um comentário massa lá no vídeo pra gente saber o que você achou :)

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Vídeo: Um rolé pela Flip 2015 (parte 1)

Finalmente! Eis aqui a primeira parte do nosso passeio pela Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip!

Gostaria de agradecer muito ao Murilo, que topou fazer essa trip com sua câmera e seu tripé para fazermos essa cobertura maneira pra vocês. Sem ele isso não seria possível!

Clica aí na imagem:

flip parte 1

John Williams – Stoner

Capa_Stoner_Rádio_LondresEita que o vídeo da Flip tá demorando mais pra ser editado do que eu gostaria, ou eu estou menos tempo do que eu gostaria, ou eu só acho que estou tendo menos tempo do que gostaria, o que importa é que não importa, hoje é segunda e vocês merecem uma resenha nova na falta de um vídeo bobo que levamos muito a sério pra fazer e que deve sair muito em breve.

Bom, estamos aí essa semana com o Stoner, esse que é aparentemente um clássico moderno esquecido – o que, aliás, parece muito estranho em se tratando de tão pouco tempo para esquecer um livro, será que isso vai acontece com a Profecia Celestina daqui a uns dez anos? Stoner foi publicado na década de 60 nos Estados Unidos e, de acordo com o texto didático escrito para fazer você entender por que esse e por que agora, ele foi republicado em 2003 pelo New York Review of Books e considerado um sucesso editorial e entrou na lista dos mais vendidos em alguns países da Europa, o que não é lá muito animador pra quem, como eu, costuma ler a lista dos mais vendidos dos lugares (agora a maioria é livro de colorir, sabiam?). Também não anima muito o fato da contracapa ter comentários elogiosos de escritores medíocres como Bret Easton Ellis (que acha que ainda estamos nos anos 80) e de Tom Hanks que, é bom que se lembre, achou que Forrest Gump foi uma boa. E a cereja do bolo é o primeiro parágrafo da história, que basicamente resume a coisa toda ao dizer:

“William Stoner entrou na Universidade do Missouri como calouro no ano de 1910 com a idade de 19 anos. Oito anos depois, no auge da Primeira Guerra Mundial, recebeu o diploma de doutorado e assumiu um cargo na mesma universidade, onde lecionou até a sua morte, em 1956. Nunca subiu na carreira acima da posição de professor assistente, e poucos estudantes se lembravam dele com alguma nitidez após terem cursado suas disciplinas. Quando morreu, seus colegas doaram à biblioteca da universidade um manuscrito medieval em sua memória. Esse manuscrito ainda pode ser encontrado no ‘Acervo de Livros Raros’, com a seguinte inscrição: ‘Doado à Biblioteca da Universidade do Missouri. Em memória de William Stoner, departamento de Inglês, por seus colegas’”.

Como bem apontou o posfaciador desse livro, o escritor americano Peter Cameron (e foi só isso de bom que ele teve pra apontar em sete páginas de pura especulação literária sobre coisas que CLARAMENTE não estão no texto), para que continuar a leitura de um livro que já está todo resumido ali, né mesmo, geração spoiler? E talvez esteja aí a beleza da coisa e a lição pra vocês que gostam dessa vibe de ler 43 livros sobre uma escola de vampiras do bem que precisam de namorados e ficam muito enfezados se alguém te conta que a Zoey virou a líder das Filhas das Trevas — o que, aliás é algo que seu tio vida loka que teve a vida marcada pelo filme Easy Rider já tentava lhe dizer: o que importa não é o destino, mas o caminho. Ou não exatamente isso, mas vamos devagar.

EscritorDe fato, William Stoner, o personagem principal desse livro (e eu achando que era sobre drogados roqueiros que ouvem Stoner Rock) não é quase nem protagonista da própria vida, de tão prosaico. Não é um bom professor, não tem uma personalidade forte, não fez absolutamente nada de memorável nem algo que merecesse figurar em um livro como nós o conhecemos. Digo como o conhecemos porque a televisão, assim como a literatura, já teve uma certa ânsia por protagonistas, até que começou a apostar suas fichas em personagens reais, limitados, patéticos, falhos e coadjuvantes. E as pessoas que estavam assistindo essas coisas realmente gostaram porque, geralmente, eram programas engraçados, mas também sensíveis no trato a reles mortais. E aí a gente vê que o mistério não tem mistério, o cara salva no texto – e nem é um texto rebuscado, é só um texto realmente sensível.

Stoner é um personagem um tanto inoperante, na verdade. Leva várias porradas da vida e não faz quase nada a respeito. Tem um professor rival, um aluno metido a besta, uma mulher que não gosta dele, uma filha distante, amigos mortos e a coisa toda para deixar o romance enevoado com uma melancolia infinita, e ainda assim não deixamos de nutrir uma certa ternura por ele. Sim, Stoner é um desses romances em que, não tendo muito a se agarrar textualmente – floreios ou grandes digressões – o leitor acaba se aproximando demais dos personagens, que são tão misteriosos quanto parecem. Há coisas sobre a vida de Edith, mulher de Stoner, que nunca saberemos, nem a relação do professor Lomax com seu aluno aleijado Charles Walker, e essas coisas reforçam a tangibilidade do personagem principal, inserido em um mundo aberto em que coisas acontecem de maneira não relacionada a sua vida com começo, meio e fim.

E no fim, é isso: a sensibilidade. Ela é que está salvando tudo quanto é produto que você possa inventar no mundo de hoje porque há uma impressão geral de que as pessoas se acostumaram com os absurdos da vida e ficaram insensíveis a certas coisas. Recuperar essa sensibilidade em uma obra escrita como essa não só faz com que o mundo fique um pouco mais sensível como também faz com que você se sinta bem por conseguir sentir empatia por uma história tão sutil.

Esse livro foi lançado pela editora Rádio Londres, uma das mais novas parceiras do Livrada! Eles são uma editora nova e me procuraram pelas redes sociais e me mandaram esse livro. Por causa do nome, eu achei que fosse uma editora que só lançasse livro de hipster londrino, mas que bom que não é assim. Não li nenhum outro romance publicado pela editora ainda, mas parece que eles estão com um acervo bom de títulos não-babacas – o que já é uma grande coisa em se tratando das grandes casas editoriais de hoje em dia. O projeto gráfico desse livro é primoroso e respeita tudo o que há para se respeitar em um projeto gráfico que se preze. Papel pólen, uma fonte boa (chamada Calluna, que eu não conheço, mas tá beleza também), uma capa bem bonita que parece que compartilha a foto da edição original, ou de alguma edição gringa pelo menos, e uma certa identidade visual com a colocação do título e do autor numa bolinha colorida, atrás do nome da editora (o que reforça que a coisa parece tudo menos o nome da editora. Parece tipo uma coleção ou algo assim). Enfim, um livro bonito também.

Ps: parece que muita gente comentou que a primeira edição de Stoner tinha muito errinho no texto, e que a tradução dava umas trombadas com a realidade da língua em algumas horas, mas eu recebi aqui a segunda edição e, fora uma coisa ou outra muito rara, tá tudo bem.

Comentário final: 314 páginas em papel pólen. Quebra uma perna com osteoporose (lembra quando os comentários finais eram só sobre o poder destrutivo do livro? Ah, o Livrada! de antigamente…)