Flip 2015

Flip 2015

É isso, amigo. O Livrada! vai estar muito ocupado essa semana fazendo a cobertura da Flip 2015. Para quem não sabe ou chegou no mundo nos últimos quinze minutos, a Flip é a Festa Literária Internacional de Paraty, que toma conta da minha cidade natal por uns bons cinco dias e gente bonita e diferenciada vem prestigiar escritores que ninguém nunca viu na vida e comprar livros caros. Paraty fica um inferno e é para lá que nós – eu e o Murilo, cinegrafista e amigo de todas as horas – vamos.

Nossa meta na flip é: 1- Entrevistar escritores 2- Falar com a galera e cobrir o evento em geral 3- Zoar o barraco 4- Participar da lendária suruba secreta que acontece durante o evento 5- Travar contato com algum milionário filantropo que queira dar dinheiro pra gente fazer o que a gente já tá fazendo de graça. Fora isso, só diversão.

Como vamos fazer a cobertura em vídeo, ela deve sair depois que o festival acabar, mas tá valendo. Em tempo real, peço que fiquem de olho no instagram do Livrada!, que terá fotos toda hora para vocês não perderem muito mais do que já estarão perdendo por não comparecer a essa bagaça histórica. Temos credenciais, temos tempo livre, temos uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. O chão vai tremer, o tempo vai fechar, os lisos vão correr e as cocotas, rebolar.

A propósito: devo levar para a Flip alguns exemplares da coletânea Livro dos Novos, antologia de novos contistas da qual eu participei, e venderei de bom grado pra qualquer curioso que se interessar por essas coisas e marcadores de página do Livrada! feitos pelo Estúdio Invertido. Então, se me virem por lá, me peçam!

A Flip começa na quarta-feira dia 1, e vai até domingo, dia 5. Acompanhem!

Ah. e mandem sugestões sobre o que fazer por lá. Escritores que vocês acham que vale a pena conhecer, eventos legais, pessoas em geral, enfim, dêem pitacos :D

Vídeo: A literatura que produzimos

O post de hoje é um vídeo, e o vídeo de hoje é sobre um caderno, e o caderno de hoje traz uma reflexão. Não sei se esse vídeo vai ser muito assistido (eu acho que não), mas acho importante ter um espaço desses para discutir esse tipo de assunto, que no caso é sobre a literatura pessoal, e o que nos motiva a ler.

Clique na imagem para ver o vídeo.

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Liev Tolstói – Felicidade Conjugal (Semeynoye Schast’ye – Семейное счастье)

Felicidade ConjugalTolstói, senhoras e senhores, esse russo cabra da peste que não nega fogo nunca e que não decepciona nem quando encarna as ideias mais odiosas que uma mente brilhante como a dele pode ter. Vamos mostrar aqui hoje como este Felicidade Conjugal, publicado em 1858, exibe toda a maestria do autor em escancarar paradas tão e atemporais quanto estes tais sentimentos comuns a todos. No caso aqui, o amor. L’amour, aaah, l’amour. Senta aí que lá vem história.

A história é narrada por Mária Aleksândrovna (esses russos e seus acentos impronunciáveis para nós), uma menina novinha do interior. Conhecemos Mária pouco tempo depois dela ficar órfã de pai e mãe, criada por uma irmã e uma governanta. É aí que aparece a figura de Sierguiéi Mikháilitch (posso dizer que to adorando essas transliterações de nomes russos que privilegiam esses “is” que os russos falam muito sutilmente? Porque, olha, tô mesmo), amigo de longa data do pai de Mária incumbido de resolver umas pendências burocráticas em nome da família na ausência de um adulto. É claro que a menina fica toda apaixonadinha pelo sujeito que tem idade pra ser seu pai, e o cara que não é bobo mas tá mais vacinado da vida do que gado pra exportação, cai de amores pela gata também, mas não dá nenhum passo nesse sentido porque sabe que 1- ele é velho e tá precisando de esposa e 2- menina novinha assim se interessa por cara mais velho mas depois de um tempo cansa porque percebe que tem muito pra viver ainda.

Mas eventualmente as partes não se aguentam e partem pro abraço, diante de vários, mas muitos mesmo avisos de Sierguiéi de que a coisa não vai dar certo porque Mária é mocinha do interior e quando conhecer a cidade grande vai querer saber só de badalação e vai esquecer o maridão em casa pra ir festar, e ela jurando que não, que nada a ver, que onde já se viu minha vida, meu tudo, te quero só pra mim, mil e uma noites de amor com você, sou evoluída e não vou pra balada e pois bem. Casam. Termina aí a parte um, sabe por quê? Porque acabou aí o sossego da vida. Logo que a menina casa, o que ela percebe sobre a vida? Que ela quer mesmo é ir pra balada e deixar o maridão em casa pra ir festar. Rá!

TolstoiO desfecho dessa coisa toda é parte da maestria da obra e não me cabe comentar aqui, mas veja só que coisa curiosa. Tolstói no começo de sua carreira já tinha umas ideias meio radicais que se aproximariam muito de outras ideias radicais do final de sua carreira, tipo em Sonata a Kreutzer, de 30 anos depois, a saber: que mulher é um bicho escroto que não sabe o que quer, e que casamento bom de verdade é aquele que não acontece de verdade. Sabe-se que a felicidade conjugal de que fala o título é outra daquela esperada no amor romântico, e cabe ao leitor ir até o final para descobrir do que diabos nós falamos quando falamos de felicidade conjugal.

O que queria falar sobre Felicidade Conjugal é que Tolstói é um cara muito bom em descrever com palavras exatas – mas exatas mesmo, enxugando toda a gordurinha melodramática e deixando só o que é verdadeiro mesmo, e isso dá pra ver no todo – a morte dos sentimentos. Em Sonata a Kreutzer, o marido traído vai narrando a morte da confiança na esposa; em A Morte de Ivan Ilitch, Ivan Ilitch narra a morte de sua esperança em viver e a sua própria morte; e neste Felicidade Conjugal, temos em câmera lenta, muito bem explicadinho para bom e mau entendedor, a morte do amor romântico. Pra mim, esse é o grande mérito dessas novelinhas que ele publica: esmiuçar sentimentos tão complexos que serviram de base para muitas outras novelas, desde as de banquinha de jornal até grandes outras obras, incluindo aqui Anna Kariênina do próprio autor. É tipo um Shakespeare: falar de coisa que todo mundo fala, mas de um jeito que ninguém nunca falou antes. Boa, Tolstói.

Esse é o último Tolstói que vou resenhar da Coleção Leste da Editora 34. Porque não tem mais! Aliás, se essa Coleção Leste tem algum defeito é não ter mais Tolstóizinhos curtos, porque ele escreveu vários desses, mas a editora só publicou três (que foram os três que citei no parágrafo anterior). São excelentes edições comentadas e posfaciadas pelos tradutores, que traduzem direto do russo, e serve bem para conhecer as ideias do sujeito, que é claro que precisam ser conhecidas. A tradução desse é do Boris Schnaiderman, que fez um posfácio que, sei lá, não me acrescentou muita coisa, mas tá valendo, eu suponho. Papel pólen, fonte Sabon, aquela coisa de sempre. (Acho que me apeguei muito a essa Coleção Leste mesmo, quero mais livros dela)

Comentário final: 119 páginas em papel pólen.

Vídeo: Karen Blixen – A Fazenda Africana (Out of Africa)

Faz tempo que não tem resenha no canal, né? Mas não é por má vontade, pelo contrário. É pra poder diversificar o conteúdo do Youtube. Vai, tá legal pra caramba, tá tendo de tudo e vai continuar tendo. Mas voltando à programação normal, aqui temos um livraço-aço-aço da Karen Blixen sendo comentado. Pra assistir o vídeo, é só clicar na imagem abaixo!

E a propósito, esse livro faz parte do Desafio Livrada 2015! 

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Georges Simenon – Pietr, o Letão (Pietr-le-letton)

pietrA categoria número 1 do Desafio Livrada! 2015 é um romance policial. Já falei aqui em algumas ocasiões a minha opinião sobre romances policiais: pega um autor que você gosta e lê tudo, porque é mais fácil encontrar variação dentro de livros do mesmo escritor do que entre escritores diferentes, e isso porque a fórmula da literatura policial é uma… veja, uma fórmula. É claro que se você escolher Simenon pra ser esse seu autor policial de estimação você vai ter bastante coisa pra ler, porque o sujeito escreveu, sei lá, uns cem livros. Mas tudo começa de algum lugar, e a carreira do Comissário Maigret, personagem central de grande parte de suas obras começa com Pietr, o Letão. E aqui cabem os dois avisos: tem spoiler e não gostei desse livro.

O mote e a abertura começam desprovidas de qualquer glamour, pra uma primeira história e para apresentar um novo personagem. Maigret recebe um telegrama de que um tal de Pietr o Letão está fugindo de trem e passando por vários países. O policial puxa a ficha do cara e aqui começamos a ver os traços de personalidade que o distinguiriam: nada muito brilhante a não ser a capacidade ímpar de conseguir distinguir qualquer meliante por meio da orelha. Veja bem aqui uma coisa. Existem três tipos clássicos de detetives de histórias de detetives: os sagazes, tipo o delegado Espinosa do Luiz Alfredo Garcia Roza e, tipo ideal, Sherlock Holmes, que saca tudo o que é para ser sacado sobre a vida de um meliante só de olhar pra ele; os derrotados, que são uns bêbados e falidos que tão nessa de desvendar crimes porque não prestam pra muita coisa, e aqui temos alguns personagens do Rubem Foseca e da tradição noir, e as aberrações, que são pessoas que nunca julgaríamos ser capaz de serem protagonistas de livros de detetives. Os casos mais clássicos são os personagens da Agatha Christie, Hercule Poirot, que é um sujeitinho meio patético com uma cabeça de ovo, bigode fininho e um nome escroto (traduz-se Hércules Alho-Poró) e Miss Marple, que é só uma velhinha que mal sai de casa. O detetive Monk, do seriado de TV, também se encaixaria aqui. Agora, veja que Maigret, apesar de conhecer uma orelhinha como ninguém, não se encaixa em nenhuma dessas categorias. É um sujeito mediano, mas competente o bastante para não ser um derrotado. Seu sucesso se encontra em seu autoritarismo, gritando “polícia!” para que soltem a língua ou lhe abram as portas. Nada de muito cativante, portanto. Sai esse picolé de chuchu a caça desse tal de Pietr o Letão, que o narrador simenontrata de explicar aos poucos quem é: um cabeça de uma quadrilha de agiotas que tem como principal colaborador na questão da bufunfa e da lavagem de dinheiro um milionário americano chamado Mortimer-Levingston, que tem uma mulher gatíssima e igualmente maluca e capangas dispostos a apagar vestígios de suas atividades da maneira mais drástica possível.

É engraçado de ver como a coisa se arrasta por 160 páginas por dois impeditivos do pragmatismo policial na história: o fato de Maigret ser francês e sofisticado o impede de chegar chutando a porta, meter a algema e largar o prego em geral. Fica aquela lenga-lenga jamesbondiana em que os antípodas se encontram pra conversar e não sai muita coisa disso. E mesmo quando se descobre a verdade sobre Pietr, o Letão, esse personagem até poderia ser interessante em outra história e em outras circunstâncias, a coisa não melhora muito.

Mas, ainda que o romance falhe miseravelmente em prender a minha atenção (e olha que já li coisa bem chata nessa vida), estruturalmente todos os elementos de um bom policial estão lá: um protagonista, um antagonista, um ajudante, um capanga, uma femme fatale, as pistas, os interrogatórios com pessoas aleatórias, as perseguições, o contra-ataque, o primeiro encontro, o cair da cortina, o segundo encontro, a dissolução, etc. Tudo lá. Talvez na época que Simenon escreveu essas páginas essa parada não fosse tão manjada e acabe rolando um efeito Cidadão Kane na gente. Mas não sei, fato é que o livro não me despertou tanta a atenção quanto deveria.

A Companhia das Letras é quem está republicando a obra de Simenon e os outros livros do Comissário Maigret. São vários e são fininhos, eles vem sem orelha e numa página de gramatura bem leve, então são até mais baratos do que a maioria dos livros da editora. Legal pra montar uma coleçãozinha, mas não pra mim. Só vou ler outro livro desse cara em um futuro distante, quando alguém me recomendar um e disser: “tem que ler esse aqui, cara, porque esse aqui é que é a parada pra valer”. Por enquanto, de volta à programação normal.

Comentário final: 168 páginas. Puliça!

Vídeo: Entrevista com José Luís Peixoto

Não é por nada não, mas esse canal do Youtube tem tudo: tem resenha, tem rolé, tem entrevista e tem vídeo nada a vê. Esse aqui é uma entrevista, e a primeira internacional do canal! José Luís Peixoto recebeu a gente pra dois dedos de prosa antes de sua fala no Litercultura, em Curitiba, no dia 9 de maio, e falou sobre seu primeiro livro, Morreste-me, publicado agora pela editora Dublinense.

Clica na imagem e confira!

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Gonçalo M. Tavares – Matteo Perdeu o Emprego

Gonçalo TavaresO post de hoje é para provar pra vocês de uma vez por todas que se vocês me indicam um livro e eu realmente me interesso por ele eu leio. Mesmo que demore dois ou três anos pra isso. O processo é lento e o bagulho é loko, jão. Fato é que o leitor Sueliton leu Matteo Perdeu o Emprego, do tuga Gonçalo Tavares e resolveu me indicar com muita insistência para que eu lesse e desse minha opinião. Acho que era isso que ele queria: minha opinião. Sim, porque a análise da obra propriamente dita o próprio Gonçalo já fez no posfácio do livro. De certo que ele ficou com medo de ninguém entender o livro com a profundidade que ele escreveu de modo que encheu o fim de notas filosóficas e analíticas sobre o que acabamos de ler. E depois vocês acham que piada de português é algo criado a partir da cabeça imaginativa dos brasileiros.

Bom, vejamos o que pode ser dito sobre Matteo Perdeu o Emprego, ficando aqui livre da obrigação de comentar coisas profundas sobre a obra (thanks, Gonçalo). O livro é um híbrido de conto e romance. Híbrido porque é um romance em que cada capítulo desenvolve uma história com um protagonista diferente. Um chama o outro, em ordem alfabética, e assim a história vai. Aaronson é um corredor que corre em volta de uma rotatória até que é atropelado por Ashley, que precisava entregar uma encomenda a Baumann no número 217 de uma rua que é composta apenas por números 217; Baumann que limpava o lixo e era observado por Boiman, que é interrogado por Camer, que pergunta sobre o homem dos tiques chamado Cohen, que é convidado por Diamond para uma viagem, e por aí vai. Isso até chegar no tal Matteo, que perdeu o emprego e é contratado por uma jovem chamada Ana, que não tem braços, para fazer as paradas por ela. O fato do título do livro fazer referência a Matteo sugere que precisamos percorrer tudo isso para chegar nele, e isso é dito no meio da história, o que é deveras bizarro, mas enfim. Fato é que a história toda até esse ponto é um exercício de conexão e hierarquia, ao que parece, numa mensagem clara de que algumas coisas seguem uma ordem que não podem ser desconsideradas. E tudo volta ao começo quando Matteo se encontra com Nedermeyer – descrito no capítulo “Nedermeyer e a primeira rotunda”, que é um capítulo marcado no índice sem paginação e sem uma divisão na história (esses portugueses não têm mais o que inventar mesmo) que fala a ele sobre o atleta Aaronson que acabou de ser atropelado. Meio furada porque na história de Diamond a narrativa dá saltos de décadas no futuro, desde que precisou dar aulas a uma classe primária do lado de um montão de lixo. Não sei como a história voltou, mas vamos supor que nesse livro a coisa se trata de mágica. Sim, porque na capa do romance, tem um suposto elogio do Le Figaro que diz que Matteo Perdeu O Emprego é um Kafka português. Bom, gente, o Le Figaro não é exatamente um expert em Kafka como se pode perceber por esse comentário, mas por outro lado, acho que qualquer coisa que pareça desnecessária, sem sentido e aparentemente muito mais profunda do que se supõe é chamada de kafkiana. Há que se acabar com esses adjetivos, manolo. Há que se acabar com eles. Já deu o que tinha que dar. E o que pensaríamos sobre essa condução narrativa que usa personagens como elos de uma corrente para chegar a uma ponta e contar dez páginas de história? Existe uma história única? Existe uma história, afinal de contas? Sei lá, vou deixar a análise pro posfácio do Gonçalo, acho que ele já disse o que queria dizer sobre a obra. Da minha parte, cativou como Gonçalo M Tavaresexercício, mas não como livro. Broder, na boa, não encerre um livro maluco com um posfácio que começa citando Musil que não vai dar pra levar em consideração. Eu posso ser um cara raso, mas pelo menos eu sei disso, e não vou ficar citando Musil na tentativa de dizer o contrário. E na verdade eu tava gostando bastante da coisa toda até chegar a essas notas. Sério, pra quê isso? Argh, cara, tô indignado. Por quê, mano? Por quê???? Pra quê? É um livro, cara! Um livro que seria bom se não me metessem uma porção de análise goela abaixo. Isso me irritou e pode não ter sido essa a intenção e a coisa toda – as notas – podem ter uma razão de ser dentro do romance, e podem ser parte do romance apenas divididas em um capítulo chamado “Posfácio” só pra te enganar. Mas isso é dar muito crédito pra coisa. Minha sugestão: leiam o livro, não leiam o posfácio. Leiam o Posfácio, o site, mas não leiam o posfácio de Matteo Perdeu o Emprego, porque não fez nada a não ser me aborrecer. É o mesmo tipo de irritação que senti quando assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e percebi que o filme não tava me dando margem pra não gostar dele sem parecer um velho rabugento mal amado. Ao contrário do povo do Facebook, eu gosto de ter minhas próprias análises e minhas próprias opiniões a respeito das coisas. Mas esse sou eu, né? Eu entendo como as pessoas podem se encantar por esse livro, porque afinal é um livro verdadeiramente autêntico e esse mérito ninguém lhe tira, mas acho que o lugar dele na história é algo para ser decidido pela própria história, e o Gonçalo não é nenhum poeta bobo de esquina pra ficar falando pras pessoas porque é um sujeito ímpar. Ele ja é consagrado, respeitado e talentoso, não precisa desse troço aí.

O livro foi publicado pela editora Foz, que achava que era portuguesa, mas na verdade é de Ipanema. Que coisa. De qualquer jeito, a editora caprichou bem no formato e no projeto gráfico do livro, com papel pólen de gramatura 90, o que é algo fortíssimo pra um livro hoje em dia, fonte Celeste, que é um pouco mais arredondada do que eu estou acostumada, mas boa tamém, uma capa meio bizarra e meio assustadora de um boneco segurando um jornal e um cigarro e ah! O livro acaba ainda com uma citação do Giorgio Agamben. Já dá pra puxar a alcunha de pedante pra esse livro ou tá cedo ainda? Tem Musil, Agamben, Burroughs na epígrafe do posfácio, “Um Kafka português” assinado pelo Le Figaro na capa e uma orelha escrita por alguém que entendeu tanto desse livro quanto eu, e na contracapa ainda tem o Saramago falando que o cara vai ganhar o Nobel um dia! Calma, galera, segurem suas vadjáinas aí que assim eu não aguento!

Ps: Mas a história do cara com o macaco no final é legal pra caramba. Realmente gostei.

Comentário final: 156 páginas em papel pólen 90. O maior, o mais magnífico, o mais inteligente livro já escrito está aqui!! Corram antes que a profecia do Saramago se concretize!