TAG – Experiências Literárias

Eis que o pessoal da TAG – Experiências Literárias pediu que eu desse minha opinião sobre eles, e eu pensei “por que não? já fico dando minha opinião aqui sobre as coisas sem ninguém pedir mesmo…”

Para quem não sabe, a TAG é uma espécie de assinatura de livros. Mediante um pagamento mensal, eles mandam pra sua casa (também mensalmente) uma caixa. Como essa.

 

 

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Eles mandaram pra mim essa caixa no mês passado, e me chamou a atenção o cuidado com a identidade visual da embalagem. Ok, é uma caixa de papelão, mas é uma caixa muito da bonitinha, com a logo da parada e desenhos de escritores do lado que é pra ninguém na triagem dos correios se enganar: você é um homem/mulher de letras que recebe caixas de livros em casa. Atenção para o detalhe:

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Achei chique.

Pois bem, abrindo a caixinha e começando a tal experiência literária proposta, dou de cara com uma embalagem em papelão ondulado, um caderninho e uma mensagem.

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Orra, que maneiro. A parada é toda personalizada, artesanal, bonitinha, usa embalagens idílicas e roots tipo papelão ondulado e barbante. E ainda não parei de desembalar essa coisa.

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Uma revistinha que fala sobre o livro do mês e seu autor. E nooooooes, não só é um livro do Paul Auster como é o livro que me fez odiar Paul Auster: A Noite do Oráculo. Bom, caiu nas hands, hora de dar uma segunda chance pro livro. A revistinha é feita em papel reciclável e tem não só textos sobre o Auster mas também sobre o “curador” do mês — no caso, o Gregório Duvivier, que aparentemente acha Paul Auster legalzão. Um pouco sobre Duvivier, um pouco sobre Auster, e isso vale também para o pequeno marcador de páginas que eles mandam junto, onde de um lado há algo sobre o autor e do outro, sobre o curador.

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Bom, apresentados os elementos que vêm nessa caixinha, vamos às considerações finais.

A TAG – Experiências Literárias, em sua concepção, não faz um trabalho muito diferente do que eu faço. A grande sacada deles é monetizar a coisa, em primeiro lugar, e “vender” o livro melhor, com uma apresentação mil vezes mais bonita do que eu seria capaz de fazer e de maneira mais uniforme, como um grande clube do livro nacional. Todos os materiais apresentados são muito bonitos, e por mais que o autor desse mês em questão não me agrade, basta dar uma lida na revistinha para arrumar motivos para lê-lo e já começar com alguma bagagem. Bom para quem gosta de contexto, ruim para quem não quer saber nada sobre o livro e sobre o autor antes de começar a ler o primeiro parágrafo do romance. Esse último grupo é bem menor, obviamente, e são leitores que já mais ou menos sabem o que querem ler (por razões arbitrária à beça, mas sabem). Eu queria saber mais sobre os livros dos meses anteriores, mas aparentemente no site só consegui achar textos enigmáticos que dão dicas sobre os livros escolhidos, sem jamais citá-los nominalmente. Mas vi na internet que um deles era o Patrimônio, do Philip Roth, e acho que vi uma vez a Isa, do Lido Lendo falando que tinha recebido o Neve, do Pamuk, e um Fernando Sabino, acho que o Encontro Marcado. O que me leva a concluir que a TAG – Experiências Literárias é uma boa pedida para quem está começando a se aventurar no mainstream da literatura “adulta” (céus, preciso achar um termo que se oponha a literatura jovem-adulta e que não soe boba ou pedante), porque tem muitas indicações e textos introdutórios aos autores e livros significativos de suas carreiras, mas caso você já tenha uma biblioteca razoável, corre o risco de acabar com alguns livros repetidos.

Aparentemente, o caderninho foi um presente separado, e todos os meses eles trazem alguma surpresinha junto do livro, o que é uma coisa muito legal também. Caderninho é meio que um presente universal que todo mundo gosta, mesmo que você acabe com 15 caderninhos em branco em casa, você sempre vai querer ter mais um por alguma razão que nem você mesmo é capaz de dizer. Talvez seja reconfortante ter ali tanto suporte bonito para você expressar toda a sua criatividade bonita quando a sua preguiça bonita deixar o seu corpo bonito. Gostei e vou usar, mas é claro que não sei quando.

Por fim, é mais do que reconfortante saber que um serviço como esses não só existe no Brasil como também vai de vento em popa. Mostra que a literatura — a boa — também pode ser consumida em termos financeiros e que alguém está ganhando a vida com uma empreitada como essa. Sorte para esses caras e para esse serviço divertido e necessário. 🙂

Vídeo: coleções que amamos

O vídeo de hoje é sobre coleções de livros. Qualé, eu sei que você adora colecionar livro (muito provavelmente, é só um palpite travestido de estimativa íntima numa tentativa de aproximação com o receptor, McLuhan cara, sei lá). 

Clica ai na imagem de baixo e confere!  

 

Michel Houellebecq – Submissão (Submission)

Capa Submissao_Alfaguara para novo padrao.inddVoltamos à carga com os textos no blog, e logo com Michel Houellebecq, nosso francês tristonho favorito, que já resenhamos por aqui quando falamos de Extensão do Domínio da Luta, Partículas Elementares e Plataforma. Gosto muito do Houellebecq, porque ele te joga pra baixo e você se deprime mas dá umas risadas pelo menos, e ele deriva de uma linha boa de escritores engraçadinhos porém pertinentes que você deve ler em determinadas épocas da sua vida, tipo Chuck Palahniuk, antes dos 18 anos, Will Self, dos 18 aos 25, e Michel Houellebecq, dos 25 em diante. Fato é que o sujeito vende milhares de livros na França por esmiuçar de maneira muito lúdica e muito agradável (ainda que bem triste) questões da existência humana que vem atormentando os franceses desde, principalmente, o século 20. E ele parece ser um cara que tá sempre ligado nas contemporaneidades, então mal não faz.

Submissão é o livro da vez e nele, Houellebecq aborda questões polêmicas em vigor na França de uma maneira um tanto bunda-mole para os próprios padrões: a ascensão islâmica na Europa e principalmente na França, com os imigrantes do norte da África tomando corpo nas perifas dos grandes centros e os ataques aos jornais engraçadalhos que ou as pessoas são ou as pessoas não são. O protagonista é François, mas pode ser o mesmo de sempre: um cara tristonho, meio cínico, meio tarado, politicamente incorreto, que não liga pra muita coisa exceto pra bebida boa, enfim, quem já leu alguma coisa do Houellebecq sabe de quem eu tô falando. O que muda é o emprego: dessa vez, assim como em Partículas Elementares, é um professor de letras especializado no Huysmans, aquele satanista que se converteu ao catolicismo e que escreveu uma meia dúzia de romances franceses que muito pouca gente além dos próprios franceses leem (com exceção de Às Avessas, um clássico universal).

O escritor situa o personagem em ação pela primeira vez contemplando as alunas muçulmanas e chinesas da faculdade, que chegam quietas e saem caladas. Essa posição subalterna dos islâmicos vai começar a ser alterada drasticamente na trama com a crescente (hã, hã, sacou? Islã, crescente, rá!) expressividade da Fraternidade Muçulmana, o partido teocrático que, em seu braço francês, finalmente consegue, lá pelas tantas do romance, colocar um presidente towelhead. E a partir daí, amigo, as coisas vão ficando estranhas, meio escalafobéticas, começa a aparecer neguinho morto aqui e ali e, mais rápido do que se possa perceber, mudanças bruscas começam a afetar sua vida. E aí ele vê que, diante do quadro geral, até que a coisa não é tão ruim assim. Ops, isso era spoiler, podia contar? Já sabe, né?

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Michel Houellebecq: ô coisinha tão bonitinha do pai

Bom, mencionei esse pequeno spoiler aqui já que uma das questões sociais de Submissão é esse conforto que tradições religiosas como as do islamismo podem trazer a velhos machistas como o nosso protagonista, às voltas com um mundo em que já não se pode viver por pura inapetência. O livro já começa com François falando que, ao entregar seu doutorado em Huysmans, terminou a etapa mais importante de sua vida. Dali pra frente, a falta de roteiro e a inadequação para relacionamentos, amizade e qualquer coisa que não seja comer, beber e dar umas bimbadas ocasionais traz uma melancolia e um desprendimento da vida significativos para o protagonista. Fora isso, e de uma maneira geral, a facilidade com que o país abraça essas mudanças é uma forma do escritor dizer “vocês acham que não, mas bem que vocês gostariam de um pouco de ordem nessa bagaça”, e reside aí a polêmica mencionada no chamariz “O livro mais polêmico do ano”, que, aliás, é péssimo. É talvez a primeira vez na bibliografia do Houellebecq em que a situação converge a favor do personagem, mesmo que ele não se dê conta disso em um primeiro momento. Porque antes era legal ser descolado da sociedade careta, hoje o legal é ser careta na sociedade descolada, né não, véio? Então é isso o que ele traz de novo. Agora, de velho, é o mais do mesmo. A tristeza, a inadequação para a vida, a falta de tino pra tudo, as filosofias baratas que não se sustentam nem por um minuto e todas essas coisas gostosas que a gente gosta de ler pra se sentir melhor com a nossa própria vida. Recomendo, viu?

Esse livro foi o primeiro dele que saiu pela Alfaguara. Os dois primeiros saíram pela editora Sulina e os três últimos, pela Record. O projeto gráfico ficou bem bonito, com pantone especial para o dourado da capa em preto fosco, mas por dentro, é um livro da Alfaguara, tudo meio padronizado até onde eu sei.

Comentário final: Allah wakbaaaar! LALALALALALALALALA

Vídeo: Entrevista com João Anzanello Carrascoza

Algumas leitoras minhas são muito fãs do João Anzanello Carrascoza, esse cara tão lírico e tão contundente nas palavras. Eis que alguém (não lembro quem, perdão) deu a ideia de fazer uma entrevista com ele. O pedido foi acatado e facilitado quando minha amiga Elisa me deu o Caderno de um Ausente, livrinho dele lançado pela Cosacnaify. Resolvi tirar um minuto da minha cobertura oficial para o Litercultura para entrevistá-lo então, e o resultado você vê clicando na imagem abaixo.

Clica na imagem, eu falei!

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Vídeo: Entrevista com Alison Entrekin

Eu estava na Flip no começo de julho, e fiquei sabendo que a tradutora Alison Entrekin estava lá. Ela já traduziu livros como Cidade de Deus, Budapeste e O Filho Eterno, para falar dos mais lembrados. Veja bem, eu queria entrevistar a Alison há muito tempo, sendo ela uma das mais importantes tradutoras do português para o inglês que nós temos hoje, mas como foi no improviso e não preparei uma pauta e nem lembrava das coisas que queria perguntar pra ela, saiu algo básico, mas, acredito, relativamente completo no que tange assuntos introdutórios sobre tradução. Sei que não é um tópico muito popular, mas eu gosto muito de falar com tradutores, então assistam aí!

Só clicar na imagem.

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Vídeo: Book Haul Maio/Julho de 2015

É, amigo, fiz um book haul. Quem me viu, quem me vê. Mas eu não podia deixar de fazer, afinal, foram tantas coisas maneiras que eu recebi na caixinha do Livrada! que eu precisava fazer uma “prestação de contas”, por assim dizer. No vídeo eu falo dos livros que ganhei, dos que eu comprei e dos que recebi de editoras, além de filmes e séries que assisti. Aproveito ainda pra falar dos marcadores do Livrada!, que você recebe se mandar uma cartinha, um livro, uma calcinha ou qualquer coisa do tipo pra minha caixa postal, que é:

Yuri – Livrada!

Caixa Postal 19501

Curitiba – PR

CEP 80050-380

No mais, as imagens falam por si só. Assista ao vídeo clicando na imagem abaixo.

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Vídeo: Desafio Livrada 2015 – As Minhas Escolhas

Vocês devem estar se perguntando o porquê desse post ter saído na terça-feira e não na segunda, como habitualmente sai. A resposta é simples: eu esqueci.

Mas bom, a notícia não está aqui de qualquer jeito. A notícia está no Youtube e o que tá rolando agora é que eu finalmente fiz um vídeo com as minhas escolhas do Desafio Livrada 2015. Aqui você confere os livros que eu li/estou lendo/vou ler para o desafio, e confere também o link para os outros vídeos feitos por leitores para suas escolhas.

Se você não sabe do que eu tô falando, veja aqui o post original.

Se você sabe do que eu tô falando, clica na imagem.

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Vídeo: Um rolé pela Flip 2015 (parte 2)

E chegamos a última parte da nossa cobertura maravilhosa pela Flip 2015! Aproveitem cada minuto desse vídeo como nós aproveitamos cada minuto fazendo ele (tomando chuva e pisando naquelas pedras desgraçadas. Sério, alguém gosta dessa porcaria? Se eu fosse prefeito, mandava asfaltar tudo!)

Clica aí na imagem e deixe um comentário massa lá no vídeo pra gente saber o que você achou 🙂

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Vídeo: Um rolé pela Flip 2015 (parte 1)

Finalmente! Eis aqui a primeira parte do nosso passeio pela Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip!

Gostaria de agradecer muito ao Murilo, que topou fazer essa trip com sua câmera e seu tripé para fazermos essa cobertura maneira pra vocês. Sem ele isso não seria possível!

Clica aí na imagem:

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