Hábitos de Leitura 4 – Catalogação

Feliz 2012, povão! Bem sei que nem todo mundo teve a oportunidade de passar o revéillon num ambiente tão distinto quanto a casa de Patrícia Abravanel, que teve além da minha presença, convidados ilustres como Boris Casoy, Walter Mercado, Bárbara Paz e Sander do Twister, para citar alguns, mas mesmo assim espero que todos tenham entrado neste ano com a vitalidade necessária para fazer dele um ano strondástico. De minha parte, a resolução de ano novo consiste em retomar minha carreira de fisioculturista, que deixei em segundo plano quando comecei a trabalhar como jornalista e leitor inveterado.

E tenho novidades para vocês! A primeira é que recebi o contato do pessoal simpático das editoras Dublinense e Não Editora, que se dispôs a mandar material literário para abastecer esse blog com o bom suco da literatura gauchesca (diria nacional, mas se eu falar que o RS faz parte do Brasil os gaudérios se estranham comigo). A segunda é que recebi o contato igualmente simpático da Sharon, do Quitandinha, que fez uma postagem sobre o Livrada! na sessão Blog de Quinta, que sai às quintas-feiras no site. Leiam lá!

E vamos ao texto de hoje, pelo qual espero muito não ser julgado, embora creia que seja tarde para isso. É a catalogação das leituras, algo muito nerd de se fazer e cuja utilidade descobriremos num futuro incerto, que pode ser remoto ou não.

Comecei a ler de maneira mais compulsiva quando me mudei pra Curitiba. Morava em um quarto sem televisão, sem internet, com nada além de meu violão e meu computador com GTA Vice City instalado. Sem conhecer ninguém na cidade, descobri ali perto da minha casa uma livraria e comecei a pedir dinheiro para livros. Fui lendo os que eu comprava e os que a minha mãe mandava pelo correio (geralmente Bukowski). Ela, que é leitora inveterada, recomendou que eu fosse anotando os livros que lesse, porque iria chegar um dia em que eu não me lembraria de todos — o que, particularmente, é um pesadelo: abrir um livro e lá pela página 50, falar: “eu acho que já li isso…”. Então comecei com uma listinha. E tenho ela aqui até hoje! Ei-la:

1- Trainspotting – Irwing Welsh
2- Cabeça de Porco – Vários
3- O Gosto da Guerra – José Hamilton Ribeiro
4- O Silêncio da Chuva – Luis Alfredo Garcia Roza
5- Achados e Perdidos – Luis Alfredo Garcia Roza
6- Vento Sudoeste – Luis Alfredo Garcia Roza
7- Uma Janela para Copacabana – Luis Alfredo Garcia Roza
8- Perseguido – Luis Alfredo Garcia Roza
9- O Apanhador no Campo de Centeio – JD Salinger
10- Cão come Cão – Edward Bunker
11- Nem os Mais Ferozes – Edward Bunker
12- Educação de um Bandido – Edward Bunker
13- Espere a Primavera, Bandini – John Fante
14- A Estrada para Los Angeles – John Fante
15- Pergunte ao Pó – John Fante
16- Sonhos de Bunker Hill – John Fante
17- Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez
18- Memórias de Minhas Putas Tristes – Gabriel García Marquez
19- Doze – Nick McDonnel
20- Homem que é Homem Não Dança – Norman Mailer
21- A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera
22- Batidão – Silvio Essinger
23- Feliz Ano Velho – Marcelo Rubens Paiva
24- Bala na Agulha – Marcelo Rubens Paiva
25- De Profundis – Oscar Wilde
26- O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
27- Muitas Vozes – Ferreira Gullar
28- A Revolução dos Bichos – George Orwell
29- Leão de Chácara – João Antonio
30- Minutos de Estupidez
31- Filosofia para Principiantes
32- Filosofia de Banheiro

Muita coisa inútil e uma certa vontade por devorar obras completas, alright. Conforme fui ficando mais interessado na coisa, aprimorei meus métodos e comecei a dar cotações para os livros e, em 2009, descobri o Skoob, um lugar para controlar a leitura melhor do que ninguém, embora ele tenha também sua função de orkut de bibliófilos.

Mas nada é tão trivial que não se possa complicar com nuances e metodismos. Comecei a fichar minhas leituras então num caderninho especialmente para tal chamado Moleskine Book Journal. A página pré-diagramada te dá espaço para colocar citações, opinião, além da ficha técnica básica do livro. Cheguei a isso:

Essa é, arrisco dizer, a maior manifestação a que meu lado virginiano já se dignou. Obviamente não fiquei só nisso e comecei umas viadagens desse tipo:

É miguxice? É. Mas penso sempre que antes ter um livrinho de fichamentos meio afrescalhado do que ser um desses tiozões que fazem coleção de latinha de cerveja.

Agora, lhes digo: o fichamento ajudou-me em vários sentidos a controlar minhas leituras anuais, minhas opiniões sobre autores (o Amyr Klink, a quem dei cotação máxima no caderninho, perdeu todo o respeito que eu tinha por ele depois de ser maltratado por balela numa entrevista, em 2010), para guardar as citações que eu achava interessante sem riscar meus livros e para saber a época precisa em que os li. De maneira que hoje, quando termino um livro, anoto-o na lista, adiciono ao skoob e faço o fichamento no book journal. É um empenho, mas tenho empenhos maiores na minha vida, e esse blog que beira dois anos é um deles.

E agora jogo a bola para vocês, caríssimos. Fazem alguma coisa nesse sentido ou é apenas viagem da minha cabeça? Vamos, eu não posso ser o único anormal desse recinto!