Vídeo: Desafio Livrada! 2015

Agora sim! Sejam bem-vindos oficialmente ao Livrada! 2015, que é o Livrada! on fire. Estamos em site, Twitter, página do Facebook, canal do YouTube e agora também no Instagram. Quase igual o McDonalds, onipresente, imperialista, querendo dominar o mundo enquanto você cochila. Yeah!

Pra começar o ano (que na verdade só começa depois do carnaval, tem o desafio do ano. Reparou que depois do Desafio Livrada! 2014 quase todos os desafios literários desse ano seguem esse molde? É, é o Livrada! lançando tendências em terras tupiniquins. Uns tentam me copiar, outros tentam… ah, sei lá, não tenho vocação pra fazer frase de piriguete.

Pra quem não sabe, já tinha lançado no começo de janeiro o Desafio Livrada! 2015 no Facebook. Mas aqui vão as 15 categorias e o vídeo explicativo (mais ou menos explicativo). Antes, contudo, algumas palavras sobre esse desafio.

Ele segue o mesmo molde do ano passado, só que a novidade é que agora existem categorias que vão causar desconforto, não importa qual tipo de leitor você seja. As categorias do ano passado eram mais abertas e mais flexíveis ao gosto de cada um, mas o Desafio Livrada! 2015 é um desafio de verdade porque invariavelmente você vai ler um ou dois ou três ou cinco livros que não leria de outra forma, e talvez sequer consideraria. Com isso, contudo, espero não irritar os leitores, mas fazer o papel de um blog literário, que não é, ao contrário do que alguns pensam, guiar o consumo, mas apresentar novas oportunidades de leitura e interpretação. E a interpretação passa pela diversidade. E a diversidade passa pela experiência do conhecimento, e a experiência do conhecimento nem sempre é massa. Então, fuerza.

Desafio Livrada! 2015 – HIGHWAY TO THE DANGER ZONE

1- um livro policial
2- um livro infanto-juvenil
3- um livro de ficção científica
4- um livro escrito antes do século 20
5- um livro de ensaios, artigos ou crítica literária
6- um livro que você já está querendo ler há mais de dois anos
7- um romance com protagonista feminino
8- um romance africano
9- uma peça de teatro
10- Um romance de realismo maravilhoso latino-americano
11- um livro que todo mundo diz que merece uma chance mas você acha que não
12- uma biografia
13- um livrorreportagem
14- um livro que virou filme.
15- Pastoral Americana

MONTAIGNEClica no Montaigne.

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Vídeo: Milan Kundera – A Festa da Insignificância (La Fête de L’insignifiance)

Você ainda gosta de ver vlogs? Espero que sim, porque o nosso está apenas começando e ó, tá ficando legal. Nesse, comentamos o best-seller tcheco Milan Kundera e colocamos alguns pontos simples de entender em um livro meio complicado de sacar. Mas, como dizem pra todo mundo que já fez uma cagada nessa vida, o que vale é a intenção.

Já falei pra se inscrever no canal? Vou falar de novo, porque precisa. Me ajudem a ficar rico, gente.

Já falei que isso é só uma imagem? Você tá tentando apertar o play até agora e achando que o que tá abrindo na outra aba é pop-up desgraçado. E tá errado.

livrada

Sérgio Sant’Anna – O Livro de Praga

Hoje é domingo, pé de cachimbo, dia das mães, todo mundo enchendo a pança em família e fazendo as mesmas piadas de “é pavê ou pá cumê” e “afinal, avó é mãe duas vezes”, enquanto têm-se a ligeira impressão de que mais um domingo acaba, mais um final de semana chega a seu ocaso e mais uma vez, os objetivos alcançados foram mínimos. Suspira conformado e vai para a cama esperar o começo de mais uma melancólica semana. Mas não tema, homem moderno e exemplo patético da herança orgânica da Terra, cá está o livrada para colocar mais miolos nos seus miolos e mais tutano no seu tutano. Sente-se, relaxe e aproveite mais esse livro do dia, quem sabe quando você chegar ao final você se anime a visitar uma livraria e comprar algo bonito para a sua estante e seu cérebro.

Bom, este é o penúltimo post antes das minhas tão merecidas férias, e fala logo sobre Praga, cidade que estarei visitando daqui a exatamente um mês. Por isso achei conveniente e vamos lá, é livro nacional, sempre uma boa pedida!

O Livro de Praga é obra do escritor Sérgio Sant’Anna, que obviamente já viu dias melhores na hora de bolar um título criativo. Sant’Anna fez parte do time da coleção Amores Expressos, do almighty Rodrigo Teixeira, da RT Features, produtora paulistana de qualquer coisa. Pra quem tá de bobeira, vou explicar: dezesseis autores viajaram bancados pela empresa para passar um mês em alguma cidade do mundo com a missão de voltar e escrever uma história de amor situada nessa cidade. Primeira consideração: vida chata, hein galera? Fala sério, ser chegado do Teixeirão aí é a maior jogada (me liga, cara, vamos jogar uma bola qualquer hora!) E isso prova que eu não teria o menor tino pra coisa, o santo aqui ia desconfiar dessa esmolada toda e não ia arredar o pé com medo de ter a alma roubada depois. Sério, gente, não me ofereçam dinheiro, morro de medo… Bom, de qualquer jeito, até o momento, sete livros já saíram pela Companhia das Letras: esse, o Cordilheira do Daniel Galera (Buenos Aires), , Estive em Lisboa e Lembrei de Você do Luiz Ruffato (Lisboa… dã), Do Fundo do Poço se Vê a Lua, do Joca Reiners Terron (Cairo), O Único Final Feliz Para Uma História de Amor é um Acidente, do João Paulo Cuenca (a vírgula se faz necessária aqui… Tóquio), Nunca Vai Embora, do Chico Matoso (idem… Cuba) e O Filho da Mãe, do Bernardo Carvalho (ibidem… São Petesburgo). A coleção prevê ainda livros do Lourenço Mutarelli sobre Nova York e um livro rejeitado de um gaiato de Goiânia que foi para São Paulo (o azarento da turma, provavelmente), entre outros. Olha, já vi ideias melhores para coleções literárias, e essa me parece a Paris Hilton das coleções literárias: perdulária, superficial e altamente desejada por fashionistas antenados nas tendências. Isso enquanto coleção, o que não quer dizer que, individualmente, a parada não guarde boas surpresas, como é o caso desse livro. Vamos a ele.

Sérgio Sant’Anna teve muito culhão pra fazer o que fez no Livro de Praga: pegou a grana que lhe foi dado, passou um mês usufruindo sabe-se lá de quais serviços do Leste Europeu e voltou não com um romance, mas com um livro de contos mascarado de romance e com um roteiro de filme pornô mascarado de história de amor, usando como pano de fundo a maior parte dos clichês da capital checa – coisa que uma semana na cidade ou duas semanas na Wikipedia resolveriam de forma igualmente eficaz.

O protagonista é um sujeito chamado Antônio Fernandes, um cara que guarda grandes semelhanças com o autor do livro à exceção do excesso de swag que lhe permite passar o rodo em Praga. Fernandes – olha só! – também está passando um mês em Praga a pedido de um ricasso para uma coleção literária. É, a imaginação do cara voou longe pra bolar essa história… O “romance” é dividido em vários contos e em cada um deles o herói Antônio Fernandes (que também poderia ter sido batizado Dirk Diggler) se envolve com alguma peripécia artística e sexual: numa hora é precisa desenbolsar uma bolada para ver e trepar com uma pianista reclusa e seleta, noutra descobre que um sujeito cafetina a irmã que tem tatuado um manuscrito inédito de Kafka no corpo, noutro compra uma boneca no teatro que ganha vida na cabeça dele, noutro ainda transa com uma santa fictícia num altar. Tudo no maior delírio, na maior loucuragem, na maior psicodelia libertina. O sujeito está em alfa, em nirvana, pra lá de Bagdá, viajando na maionese enquanto essas coisas acontecem nos seus sonhos diurnos. Cada uma das aventuras é um tipo de tara e um tipo de arte: felação e música, penetração e escultura, literatura e donkey show, sei lá, o cara vai misturando as taras da cabeça dele com as artes que vai encontrando.

E aí vai aquela coisa, aquela ambiguidade onírica gostosa: é sonho ou é realidade? É sexo ou é amor? É romance ou é conto? É arte ou charlatanismo? Você decide, você julga e você escolhe, porque a minha opinião está guardada na minha cabeça e se eu intercedesse nesse ponto eu interferirira da pior maneira na sua leitura: limando a sua imaginação e sua capacidade de julgamento e discernimento. Como eu não tenho cara de televisão, jogo pra galera.

Esse projeto gráfico é uma maravilha, faz todo mundo querer fazer a coleçãozinha, porque vem com um carimbinho e o público gosta disso: gotta catch ‘em all, mr. Pokémon. Essa capa é mais bonita que as outras, na minha modesta opinião, por ser menos pop, menos teen e menos hype. Papél pólen, fonte Electra e todo mundo fica feliz. Alright!

Eis os meus recados:

1-    Essa é a última quinzena para mandar seus autógrafos. Tô querendo fazer uma parada massa aqui e a galera não colabora. Não adianta nada ter dez mil acessos no mês e receber quatro e-mails, sejam participativos, colaborativos, sejam mais Che Guevara e menos “com 5 mil ‘curtir’ o médico vai fazer um transplante de rim pro labrador dessa garotinha com câncer”. Vamos lá, vai ser legal: envie fotos ou imagens scaneadas de seus autógrafos favoritos para bloglivrada@gmail.com

2-    Não sei se já viram, mas agora além de criticar livros, também critico hambúrgueres – um trabalho bem mais gostoso, vá lá. Se não conhece ainda, passa lá no Good Burger a qualquer hora e procure os meus textos, mas leia também os do Murilo, meu camarada que tampouco foge à luta.

3-    Já que nunca é pedir demais: curtam o Livrada! no Facebook e sigam @bloglivrada for more.

Comentário final: 144 páginas pólen soft. Voando daqui até Praga, uma porrada no orelhão do Kafka.

Livrada! x os maléficos e-readers

Já disse aqui mas vou repetir que toda a proposta do Livrada! se resume a analisar livros físicos, de papel, grossos ou finos, que sirvam pelo menos para machucar alguém com uma livrada. Bom, a nossa amiga ciência, aquela que diz que a arca de noé é uma mentira (na verdade seria algo mais próximo de um catamarã, dizem os sabichões), está tentando reduzir o desmatamento ilegal da amazônia que resulta nestas belas páginas sobre as quais os senhores deslizam os olhos para saber quem vai pegar Rodión Raskolnikov, que que essa Anna Kariênina tá fazendo de novo na estação de trem, quem é o traidor de Hogwats, quem é o amante misterioso de Sabrina, que deu duas quando as luzes se apagaram durante aquele baile, enfim, estão tentando reduzir o desmatamento da amazônia fabricando readers eletrônicos.

Se você caiu no planeta Terra agora, explico: o e-reader é uma maquininha sem-vergonha que serve pra você ler livros eletrônicos segurando algo que mais parece um palmtop espichado e passando as páginas por meio de botõezinhos. Nada de orelhas, nada de projeto gráfico, nada de ostentar lombada, nada de ostentar capa no ônibus, nada de nada. Pra quem tá de fora, só o que se vê é você olhando fixamente pra uma maquininha ad nausea e se divertindo hor-ro-res. Como se ler já não fosse um hábito esquisito o bastante.

Pois bem, jogaram nas minhas hands um desses e-readers. Não vem ao caso qual é, não vem ao caso como veio, e peço discrição nesse assunto. Fato é que, aos 24 anos, me vi, pela primeira vez, frente a frente com uma dessas bugigangas da pós-modernidade. Bugiganga sim senhor. Quem lembra do Inspetor Bugiganga sabe que a Penny tinha um livro que era um computador, e todo mundo achava aquilo a coisa mais legal do mundo até aparecer um computador que é um livro e a coisa não ser mais tão legal assim.

A primeira impressão positiva foi com a tela. Realmente é uma tela muito confortável para se ler, não é como ler na tela do computador, que emite luz própria. Também não é como ler na tela de um gameboy da década de 90, que não emite luz própria. É uma tela feita especialmente feita para leitura. Só que o homem, vaidoso, se esqueceu que Deus todo-poderoso  já tinha fabricado uma tela dessas antes, e ela se chama PAPEL. Super legal essa mania de inventar coisa que já existe, e agora todo mundo acha que o Steve Jobs inventou o telefone celular. Amigos: ser melhor, mais muderno, mais prático é uma coisa muito boa para acéfalos. É para os acéfalos que a ciência fez o Segweg, o Iphone, o Nike Shox, o Frozen Yogurt, o Listerine, o Band-Aid, o Ben 10, o IMAX, a Gibson, o Smart, o WD-40, o WI-FI, o forno de micro-ondas e o e-reader. Se você quiser entrar nessa vibe de douchebag way-of-life, fica à vontade, mas aqui, como diz Xitãozinho & Xororó, o sistema é BRUTO.

Mesmo a telinha sendo prática, ela invariavelmente é minúscula, não importa a marca da tranqueira que você comprou. Sempre menor do que um livro pocket e, eu não sei quanto a vocês, mas eu só leio livro pocket quando a grana tá curta ou quando não tem mesmo em outra edição decente.

Vamos continuar com as vantagens: você pode começar a ler livros pirata. O papai aqui, que é muito esperto, baixou do torrent o Nemesis, o livro novo do Philip Roth que ainda não chegou aqui no Brasil. Comecei a ler toda aquela história de crise de poliomelite em Newark, aquela chatice de todos os começos dos livros do Roth (à exceção de O Animal Agonizante talvez. Talvez, eu disse) e me achei o bacana. Fui continuar a ler no dia seguinte e, tchanam! o reader não reconheceu mais o arquivo que eu tinha baixado. De um dia pro outro, sem razão aparente. Legalzão isso, né? Quer dizer, você tá lá com seu e-reader lendo as últimas peripécias de Harry Potter e seus amiguinhos e termina um capítulo falando que alguém mata o diretor Dumbledore (que é uma perversão sexual da infância, matar o diretor do colégio, afinal) e você vai dormir, doidão de curiosidade mas cheio de sono pra continuar. No dia seguinte, na hora de tirar a prova dos nove, a porcaria falha e você está para sempre angustiado por ter lido essa porcaria de livro nessa porcaria de reader e não em um livro de gente normal. É como naquele episódio do The Office em que o GPS mandou o Michael Scott dirigir o carro pra dentro de um lago e ele fez exatamente isso. Cego pela ciência! Cego! Cego!

Mais uma vantagem: um precinho camarada! Um reader deste está entre 400 e 800 reais no mercado. Faça as contas e veja que você, que é um bom leitor porque se não fosse não leria este blog, gasta em média 40 a 50 reais num livro BOM, ou seja, uma dúzia de livros lidos no reader pagam a gerigonça, certo? Errado, camarada, porque os e-books novos custam dinheiro também, e não custam barato. Ou seja, você paga caro no reader e passa a pagar mais barato em cada livro que você compra, pra sempre. O problema é que, pelo menos por enquanto, todos os livros disponíveis em versão virtual são belas de umas porcarias. É comer, rezar e amar pra cá, marley e eu pra lá, monge e o executivo aqui, dan brown acolá, harlan coben no meio do caminho, enfim, livros que não custam de 40 a 50 reais, custam de 20 a 35 reais, livro chulé, feito com papel jornal. E na versão virtual o preço deles abaixa pouco: de 15 a 25 reais. Então, se você ainda não entendeu, chupa aí um osso de galinha pra criar tutano nessa cabeça e perceba que o aparelho só vai se pagar a longuíssimo prazo, no mesmo prazo em que você pagaria sua biblioteca vendendo seus livros pro sebo e comprando novos. Esse lance de comprar o reader e comprar livro virtual achando que vai valer o investimento é uma corrida de Zenão, só que sem ilusão de ótica.

Sem falar as pequenas coisinhas:

1- Perder um livro numa viagem custa 50 reais. Perder um e-reader custa a sua passagem de volta.

2- Ladrão nenhum se interessa por roubar um Pastoral Americana, mas qualquer vagabundo quer botar a mão em qualquer aparelhinho eletrônico na esperança de que ele possa ser repassado para outro vagabundo que vai comprar achando que dá pra usar o e-reader pra tocar poperô no ônibus.

3- Acaba essa negócio de emprestar livro pros outros (há quem seja contra, mas quem é precisa mostrar que o é por ser cuzão, e não dar uma desculpinha esfarrapada do tipo “ai, é que o meu livro é virtual, sabe? não rola, amiga”).

5- Ilustradores, diagramadores, arte-finalistas, capistas, artesãos da editoração: preparem-se para começar a acordar bem cedo pra assistir o Telecurso 2000.

6- Editoras, livreiros, atravessadores, publicitários: preparem-se para fazer o novo módulo de marketing do Senai: “Como fazer o consumidor se interessar e pagar por algo que não existe de verdade?”.

7- Donos de sebos: os negócios vão bem?

8- Quer entrar na fila de autógrafos com o seu e-reader? Vá em frente, champeão, você é muito especial. Sim, essa definição de ‘especial’.

9- Gosta de dar livros de presente para as pessoas mas procura saber se elas já têm o livro antes? Espero que você seja hacker.

10- Tá bom ou quer mais?

Contudo, há de se notar vantagens óbvias para os leitores eletrônicos: leitores do Stephen King não vão mais sofrer de lordose, livros didáticos não vão mais garantir a ceia de natal do catador de papel, qualquer zé ruela vai poder ter seu livro mais facilmente comercializado, e quando eu digo zé ruela eu estou falando de VOCÊ, jovem aspirante a escritor que já teve seu original recusado até pela Não-Editora, ler de pé no ônibus fica mais fácil porque você não precisa mais equilibrar um livro e virar as páginas com uma mão só, seus rebentos que odeiam ler mas adoram qualquer porcaria com um botão de liga e desliga vão dormir com o reader debaixo do braço, enfim, a invenção não é de se jogar fora. Mas pra nós aqui, que somos descolados e apreciamos uma boa literatura, essa parada tá por fora, falei?

E você, concorda?

Hábitos de leitura 2 – Organizando sua estante

O quê?? O post de hoje não saiu às 9 horas? Que absurdo, Yuri! Quanta irresponsabilidade! Pois é, gente, ia escrever ontem à noite, mas veja só como esse blog está profético: Quando falei do Rota 66, estourou aquele corre-corre no Rio. Depois, fui falar do Mez da Grippe e chumbei de gripe mesmo, uma das mais violentas que já tive. Por isso fiquei de molho, e ao invés de escrever ontem, perdi a hora vendo o filme Gelo Negro. Êta filminho tenso da gota serena! Mas não estamos aqui pra falar de filmes, não é?

Ah, vocês, perguntariam, e como foi o show da Sua bunda? Ô galera, foi bunito demais, sô. A pancadaria comeu solta e a galera se divertiu. Pra quem tiver interesse, disponibilizei três vídeos no Youtube: Um de uma música nossa chamada Café na Sua bunda, uma composição trilíngue (português, inglês e francês, mané, tá pensando o quê?); Outra composição nossa chamada Laktostasi (que originalmente se chamou Laktonazi, mas a Stasi faz muito mais sentido na música), que foi escrita em alemão e tem uma pegada meio rammstein enquanto dialogamos sobre a intolerância à lactose, um mal que acomete muitas pessoas;  e finalmente, um cover do Dead Kennedys, Police Truck! A quem tiver interesse taí. Mas não estamos aqui pra falar de música também, não é?

Viemos aqui para falar dos hábitos de leitura, uma seção nova no blog e que hoje, serve como encerramento das atividades do Livrada! neste ano de 2010, e justo hoje que o blog completa oito meses! Foram mais de 80 livros resenhados, acessos que não param de subir e muitos novos amigos feitos. Mas por enquanto, vamos dar um tempo. Afinal de contas, fim de ano chegando ninguém tá com saco de ler resenha de livro ou coisa que o valha. Neguinho quer ficar só na maciota, dar uns abraços na vó, se decepcionar com amigo secreto, dar pulinho ridículo em onda no ano novo, encher o bucho de sidra e tender, ver o Show da Virada na Globo. Por isso, voltaremos em 2011, logo no comecinho, alright?

Pois bem, galera, estantes. As estantes de livros não são indispensáveis nas casas dos leitores, já que tem uns ratos de biblioteca por aí que não sustentam o falido mercado de livros no Brasil. De qualquer jeito, a maioria tem lá sua dúzia de livros espremidos entre dvds, gibis, etc. Digo pra vocês, gente: é importante ter a sua estante de livros em um lugar visível e bem frequentado da casa, por uma única razão: a gente precisa fazer os livros serem legais de novo. Quando eu digo legal, quero dizer cool, descolado, transado, choque, brasa mora, entendeu? Sério gente, se vocês arrumarem uma paquera no bar à noite e ele(a) leva você pra casa dele(a), repare se há estantes de livros. Se não tiver, simplesmente NÃO transe com ele(a)! Vamos estabelecer a ditadura dos livros nesse país, é ou não é?

Enfim, aqui em casa as estantes ficam na sala, e tirei uma foto (que depois descobri que ficaram todas meio borradas, mas tô muito debilitado para tirar novas fotos… cof cof… tadinho de mim) pra vocês verem como é:

Atualmente tenho 6 prateleiras então, e uma pintura original, minha primeira obra de arte nessa casa, presente do André Dahmer, pai dos Malvados. Vamos ver se colocamos em detalhe, assim é possível sacar um pouco da arrumação que eu faço:

Essa é a estante do meio. Aqui guardo minha pequena coleção do Nelson Rodrigues, alguns livros do Saramago, alguns vários do Cristóvão Tezza, a coleção policial completa do Luiz Alfredo Garcia-Roza, a coleção completa de livros publicados no Brasil do Mia Couto, O tempo e o Vento inteirinho e mais o Olhai os Lirios do Campo (que é da Carlinha. Tem um monte de livro dela nas estantes, ok?), uma boa dúzia de livros do Italo Calvino, um Marquês de Sade ixperto pra galera e dois Faulkner.

Aqui na estante inferior direita, guardo a trilogia da Crucificação Rosada, do Henry Miller, todos os Kafkas que consegui encontrar nessas edições (me falta O processo, se alguém aí tiver, eu compro), todos os Michel Houellebecq, alguns Philip Roth, quase todos os Coetzee publicados (me faltam a Vida dos Animais, o Mestre de Peterburgo e o Diário de um ano ruim) E o Viva o Povo Brasileiro, do João Ubaldo.

A estante superior direita tem bons títulos também: Stanislaw Ponte Preta, Leonardos Sciascias, Vargas Llosas, Rosas Monteiros, Fernando Vallejos, Kunderas, Pedros Juans, Rubens Fonsecas, Kadarés, Valêncios Xavieres, Stieg Larssons, Cacos Barcellos, entre outros.

A estante mais baixa do lado esquerdo tem muitos livros que eu ainda não li, entre eles a Mulher do Próximo, Gomorra, Freud, Conversa na Catedral do Vargas Llosa, V.S. Naipaul, Operação Massacre, Política e uma edição de My life as a Man do Philip Roth em inglês, presente do camarada Irinêo. Todos na fila. Que agonia!

Mais livros na estante menos baixa do lado esquerdo. Dois títulos do ciclo de Albany, do William Kennedy, Godot, Vermelho e o Negro, uns Miguel Sousa Tavares, Kawabatas, Paul Auster, Sándor Márai, Borges, mulheres modernistas, Elogiemos os Homens Ilustres, DOIStoiévski (trocadilho do século, hein?) Cervantes, Isaac Asimov e Tolstoi.

Por último, na estante superior do lado esquerdo, alguns livros que deixei um pouco para trás misturados a outros, dos quais ainda gosto. John Fante, Irving Welsh, Ed Bunker, García Márquez, Palahniuks, e uns livros de jornalismo, afinal de contas, passei por uma faculdade, né?

E essas são as minhas estantes, galera. Dá pra ver que não há um critério de arrumação melhor definido do que pelo tamanho. Gosto dos livros grandes nas bordas da estante, e só. Mas vejamos aqui o que os nossos leitores usam como critério para organizar seus alfarrábios!

O Fausto, nosso leitor de além-mar, tem uma estante clássica, dessas de chão, onde empilha livros tanto na horizontal quanto na vertical. Ele não soube precisar se há alguma ordem ou não, pois sua esposa é quem organiza, e disse que quebra o pescoço quando precisa procurar um título. No entanto, fez questão de me mandar a estante de livros das filhas dele, essa sim, um exemplo de organização. Check it out:

Fala sério hein, se você tivesse metade da organização dessa estante na sua vida você não estaria atolado de problemas. Os fichários são documentos da mãe das meninas e esposa do Fausto, que é professora primária.

A Lálika, do blog Elo Amarelo, tem prateleiras de parede com cavaletes de suporte, e escreveu “Come as You Are…” numa parede totalmente pink. Entre seus livros tem porta-retratos, porta-lápis e várias caixinhas que eu imagino que sejam para guardar joias. Entre seus títulos, é possível ver uma pequena coleção do Fernando Morais, uma mega coleção do Harry Potter, alguns livros do professor Dawkins, Zuenir Ventura, Mafalda e Rolling Stones. Ela disse que o quarto dela foi reformado e isso tudo aí já mudou, e que uma das estantes caiu.

O Bruno, do blog Pizza Frita, é o nosso leitor mais nerd. Tem uma prateleira só de livros de RPG, Harry Potter, Tolkien, caixinhas, pôster do Evanescence e vários bonequinhos do Star Wars. Isso porque vocês não viram a coleção de mangá do rapazote, que chega até o teto e volta umas três vezes. Mas o rapaz também lê livros técnicos, veja só.

Vish, que preguiça que dá só de olhar pra esses livros. O Bruno está se especializando em desenvolvimento de jogos, rapaziada (me corrija se eu estiver errado), então tudo bem que tem um Tormenta e um AD&D ali no meio, né?

Por último, a nossa leitora Karen, do site Saturnália, diz que não tem uma estante, então os livros ficam espalhados todos pelo chão mesmo, no que ela chama no e-mail de “Galeria anarquista”. Na foto, entre dicionários e sapatinhos, está o livro Christine, do Stephen King, seu livro favorito.

Aqui, em mais uma foto (ela me mandou várias, então tive que escolher) vemos mais um pouco do caos de sua (des)organização. Em destaque, o livro O amante, da Marguerite Duras, parte da coleção das mulheres modernistas, o Exorcista (que medo!) e mais uma porrada de livros encostados. Punk’s not dead!

Então é isso, minha gente. Agradeço a todo mundo que acompanhou o blog até aqui e vai continuar acompanhando no ano que vem! Acho que fizemos algo meio inédito no campo cheio de dedos da crítica literária e vamos aumentar ainda mais nosso alcance em 2011. Tenham todos um bom fim de ano e um próspero ano novo. Ah, fiquem de olho na seção de recados. Vou escrever ali a data da volta do blog!

Abraços a todos,

Yuri Alhanati