Pedro Juan Gutiérrez – O Rei de Havana (El Rey de la Habana)

Isquindolelê que o Livrada! completou mais um mês de existência, caralho! Isso aqui não é grupo de hip hop da periferia de São Paulo, mas tamos aí também contrariando as estatísticas, morô, mano? O mês de maio fechou com quase 1600 visitantes, mais de 600 visitas a mais do que no mês de abril. Muitos comentários, feedbacks positivos (outros nem tanto) e sempre algum amigo meu retardado pra dizer “mas porra, livro?” É livro, sim senhor, cacete! Vamos provar que ainda tem gente miolada nesse Brasil que se interessa por literatura, mas não se informa sobre o assunto por conta de babaquice de alguns críticos que afastam o povão com seus jargões pomposos. Aqui é todo mundo junto, valeu?

Mas, como leitor de blog de literatura também é filho de Deus, vamos instaurar uma promoçãozinha babaca pra atrair os menos interessados no assunto da mesma maneira que a Dilma alguns candidatos compram voto da pobretada. E a Lilian, colega de trabalho que tem um blog sobre maquiagem (eu acho que é isso), já me deu o caminho das pedras para tal ardil. É o seguinte, macacada: o comentário de número 500 ganha um livro! Aí vem o amigo retardado: “mas porra, livro?” É, um livro, sim, arrombado! E não é um livro podre, velho, despedaçado, é um livro porreta novinho em folha especial para esta promoção (e assim que eu decidir qual vai ser, eu aviso). Estejam avisados então da promoção, avisem os colegas e corram para as montanhas, digo, para cá.

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Sem mais, vamos à resenha de hoje. Estava eu aqui pensando em qual livro escolher para o post de hoje, e eis que chega o amigo e cineasta Giuliano “Foba” Batista, um dos sócios da Asteroide Filmes, resolve sugerir um: O Rei de Havana, do nosso moleque prostituto favorito, Pedro Juan Gutiérrez. O Foba achou um livro tenso e pesado, e, cara, ele não tá errado.

O Rei de Havana foi o primeiro livro do Pedro Juan que eu li, emprestado da Carlinha, que perdeu seu exemplar (aliás, se alguém me descolar um aí, eu faço uma postagem especial), em meados de 2007. Três anos, portanto, e eu espero palminhas efusivas pela minha memória. Primeiro pensei: “Meu Deus, o que um livro tão cheio de sacanagem como esse está fazendo em posse de uma menina tão meiga quanto a Carlinha?” Mas então entendi que, mais do que o monte de sacanagem sobre a qual ele escreve, Pedro Juan se propõe a fazer um retrato, o mais fiel possível, de sua realidade. E se a realidade do sujeito é isso, confete nele, porra! “Ao cubano só resta a salsa, o rum e o sexo”, diz ele lá para quem abrir o livro pra ler a orelha. E nessas de contar a saga do Rei de Havana, um jovenzinho taradão como qualquer jovenzinho que cresce nas ruas depois de sua família inteira ser morta, o autor cubano mostra que entende de sacanagem (e corta pros dois lados) e sabe filtrar o dia a dia para misturar com doses saudáveis de porralouquice e ficção. Sem ter pra onde ir, o Rei de Havana é criado por uma puta e um travesti, depois de ter passado pela cadeia, onde foi tatuador. É ou não é mundo cão?

A trajetória da narrativa é uma coisa de doido. Não dá pra largar o livro. Eu mesmo li em uns dois ou três dias, fiquei boladão e passei a ler tudo o que foi publicado sobre o autor desde então. A capacidade do escritor de segurar alguém pela leitura nunca vai deixar de ser algo louvável, e o segredo para isso pode estar perto de ser revelado, com tantos best-sellers por aí que mais parecem gerados por softwares esquisitões, mas Pedro Juan não tem outra fórmula senão a sua busca pela verdade. Verdade, pera lá, verdade verdadeira não. Mas a verdade dessas que se constroem para exportação, exacerbada em alguns pontos, omissa em outros, mas sempre com aquele fio condutor que não deixa ninguém esquecer que se trata de uma realidade vivida por alguém.

Essa edição da Companhia das Letras é simplesmente do caralho. Colocou-me um olhar atento sobre esse capista chamado Angelo Venosa, cujo nome não lembro de ter visto em outras obras da editora, mas que revela grande talento pra coisa. Além do Trilogia suja, é o único livro com foto da capa do hermano Pablo Cabado, que, apesar do nome mega-engraçado, é um ás da fotografia na minha singela opinião. No mais, fonte Electra, papel pólen e tudo mais que você pode desejar num bom livro. Orna pra caralho. Ah, e tradução do mestre José Rubens Siqueira. Sim, o mesmo que traduz Coetzee do inglês. Os caras capricham quando querem. Tá bom ou quer mais, filhão?

Comentário final: 224 páginas em pólen soft. Água mole em pedra dura…

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