Mia Couto – Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

Mia Couto, caralho! Tava demorando para esse mestre aparecer por aqui. E justamente com qual livro senão o meu favorito em língua portuguesa (depois do Grande Sertão, lógico): Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra.

Conheci o autor através do amigo Cássio (compadre meu Quelemém), que emprestou O outro pé da Sereia para a Carlinha, que sempre foi muito mais destemida para literatura do que eu (do tipo “Ah, acho que vou começar a ler Górki”), e ganhei o livro de Natal do pai numa festinha na Fnac. Vou falar que fiquei com um pé atrás com esse título, que soa como a) livro de poesia (ugh!) b) livro psicografado pelo espírito Lucius (ou coisa que o valha) c) livro arrogante com nome arrogante, do tipo “O Pêndulo de Foucault” d) livro de escritor que publica livro independente e vende na feirinha (“ganha um cd com mantras para ouvir enquanto lê, bicho!”). Claro que o livro no fim das contas não era nada parecido com o que eu achava e isso me ensinou a não ter preconceito com título de livro (mais ou menos, ainda não tive coragem de ler O Segundo Sexo).

Um rio chamado tempo conta a estória de Marianinho e sua família, e parte da ocasião da morte de seu avô Dito Mariano em Luar-do-Chão, uma daquelas aldeias onde a única opção de lazer deve ser o barranqueio. Voltando à aldeia, o neto reencontra a família de tipos engraçados e nomes mais engraçados ainda: os tios Abstinêncio, Admirança e Ultímio, a avó Dulcineusa, sem falar no seu pai, Fulano Malta. No meio do velório e de tanta coisa esquisita tida como tradição local, como tirar os telhados da sala para o velório, Marianinho começa a receber cartas do avô morto. Aí entra um viés policial que, até pouco tempo atrás (antes de Antes de nascer o mundo, seu último livro), era uma característica corrente de sua obra. O mistério a ser resolvido, esse, muito mais num lance Miss Marple, faz de uma ocasião chata pra caralho (afinal, velório só era legal pro Nelson Rodrigues) no cu do mundo um thriller de suspense familiar eletrizante (maldita Sessão da Tarde e os vícios que ela deixou na nossa escrita).

Vi uma entrevista com o Mia Couto uma vez na televisão junto com o José Eduardo Agualusa, onde ele falava que a molecada de hoje quer muito escrever mas quer fazer literatura só de palavras bonitas. Ele nos lembrava da importância de se ter uma história para contar. E o Mia Couto tem história pra contar sim, hein? (Menos naquele Venenos de Deus, Remédios do Diabo) A história não te larga e você, por sua vez, não larga a história. Eu li esse livro em dois dias e fiquei amarradão.

Mas, além da boa história para contar, Mia Couto também SABE escrever (com tudo maiúsculo). Sério, rapeize, esse moçambicano é a melhor coisa da língua portuguesa desde Guimarães Rosa. E não é só a prosa fluida e a musicalidade de seus parágrafos, é tudo: seu estilo híbrido, seus neologismos que brotam da terra e suas pequenas filosofias que são despejadas de torneirinha no livro (se bem que às vezes ele não sabe a hora de fechá-la um pouco). Eu geralmente me limito a resenhar os livros, mas dessa vez vou abrir uma exceção e dizer que se você gosta de boa literatura e de linguagens diferentes, você precisa ler Mia Couto. Se você for cagalhão como eu fui quando peguei esse livro pra ler, sugiro uma coisa: Vá numa livraria, pegue esse livro para folhear e leia as frases que abrem os capítulos, de autoria do autor: “O mundo já não era um lugar de viver. Agora, já nem de morrer é”, “A mãe é eterna, o pai é imortal”, “Se eu não creio em Deus? Lá crer, creio. Mas acreditar, eu acredito é no diabo”, etc, etc. Amigo, só um retardado mental não percebe a preciosidade que existe por trás da escolha de palavras para compor esses ditos e filosofiazinhas.

E o projeto gráfico da Companhia das letras hein? Sen-sa-c-i-on-al (porra, preciso reaprender a separar sílabas) Uma fonte especial para os títulos das obras, capas coloridas com desenhos em silhuetas translúcidas, porra, fantástico. Só uma ressalva, que é coisa de gente chata eu sei, mas o nome do autor ficou na metade da lateral ao invés de ficar no topo como todos os outros livros. Damm, nigga! No mais, tudo um pitéu: fonte maneira, papel maneiro e o principal: falta de economia com papel. Acho ótimo deixar sempre o título do capítulo numa página a parte, sempre no lado ímpar, coisa e tal. Mostra que você tá nessa pra fazer algo que valha a pena os quarenta e cacetada reais que você gasta no livro.

Comentário final: 262 páginas em papel pólen soft. Pimba!

PS importante: Porra, como esqueci de colocar isso aqui? Eu entrevistei o Mia Couto para a Gazeta, sobre seu livro mais recente “Antes de nascer o mundo”. A entrevista está aqui.

Stieg Larsson – Os homens que não amavam as mulheres (Män som hatar kvinnor)

Pode parecer, mas este blog não está morto. Como prometi no último post, continuaria a postar aqui independentemente das agruras do cotidiano. E pode crer, tá agruradasso. Mas enfim, o conselho se reuniu, deliberou e decidiu que doravante as postagens aqui no livrada serão como a fé cristã de 99% da população: dominical. Por isso, espalhem a mensagem, assinem o RSS e fiquem ligados porque muito provavelmente ler isto aqui vai ser uma das únicas coisas divertidas no seu domingo.

E que volta por cima, minha gente! Esse é o retorno mais oportunista da história brasileira desde Fernando Collor no senado graças aos alagoanos burros, desde RPM graças ao Big Brother, desde Los Hermanos graças ao Radiohead, desde Marcelo Tas graças à Band, desde sua mãe graças à drenagem linfática! Pois estou aqui justamente hoje para falar de um livro está bombando neste fim de semana, quando sua adaptação para o ecrã cinza estreia majestosamente nos cinemas de todo o Brasil. Senhoras e senhores, eis o primeiro volume da trilogia Millennium: Os homens que não amavam as mulheres!

Stieg Larsson, o sueco que é a cara do Bill Gates no corpo do Elton John, fez fama com muitas coisas: seu trabalho jornalístico militante, que denunciou os grupos fascistas na Suécia, sua revista tchananã que era promessa de jornalismo verdade no continente dos The Suns, sua obra policial megalomaníaca do tamanho de três Montanhas Mágicas e, mais recentemente, sua morte misteriosa e repentina, que gera especulações totalmente justificáveis na cabecinha da legião de pequenos detetives que ele formou. Desta vez, vamos nos concentrar na obra megalomaníaca. A trilogia Millennium, não se sabe ao certo, poderia ser na verdade uma decalogia. Isso mesmo, há quem diga que o plano inicial do sujeito eram fazer uma Barsa recheada de histórias policiais ao invés de cultura inútil. E vamos combinar que ainda bem que parou no terceiro, porque os livros estavam crescendo assustadoramente a cada novo volume. É como aquela bruaca que escreveu o Harry Potter: escreve um livro de umas duzentas e tantas páginas, faz aí um sucessinho e quando você vê, tem mais seis livros depois desse sendo que o último é maior que o Dom Quixote! (E o pior é que a garotada lê). Por isso, para quem for se aventurar a ler Millennium, não se espante com pontas soltas deixadas para trás: pode tudo ter feito parte um dia de um plano maior (ou não).

Os homens que amavam as mulheres é um policialzinho muito do sem vergonha se você for parar para pensar. É o feijão com arroz, afinal. Está tudo lá: mocinhos obstinados, mocinhas desajustadas, vilões ocultos, pistas conseguidas a muito custo, revelações ao acaso e por aí vai. E o livro nem é tão bem escrito assim, em termos de estilo e erudição. Mas o mérito do sujeito é justamente o talento em fazer você grudar no livro mais grudado do que Eng e Chang. A história flui que é uma beleza e a narrativa te empolga que quando você vê, as quinhentas páginas que te separavam do final do livro viram trezentas, duzentas, cem e acabou. Deve ser esse o segredo de outros best-sellers sem consciência ecológica, tipo Stephen King.

Ora, não vou aqui ficar gastando meia hora para dar a sinopse do livro quando há por aí um filme que lhe conta a história inteira em três horas (três horas, Charlie?). Leia lá o resuminho tosco do Cinemark para se inteirar que eu quero falar de outras coisas.

Muito se falou em Lisbeth Salander desde que o livro caiu nas graças do povo. Caiu sim, claro, nada melhor pra fazer um sucesso com as gatinhas que carregar um livro tão grosso quanto Moby Dick embaixo do braço, com a diferença de ser um livro que você de fato lê. Lisbeth é isso, Lisbeth é aquilo, será Lisbeth uma feminista? Será Lisbeth uma anarquista? Será Lisbeth a bola esquerda do meu saco? Então chega de falar de Lisbeth, foda-se a Lisbeth, vamos falar aqui do coadjuvante que mais parece protagonista desde Michael Madsen em Cães de Aluguel: Mikael Blomkvist, o jornalista empenhado em ganhar uma bolada para resolver o mistério da família de um velhus decreptus magnata. Mikael é pura obstinação: não tem nenhum talento em especial, não é necessariamente inteligente, ou bonito, ou engraçado, ou o que for. Ele é só um cara que se dedica. E, veja bem, você conhece alguns romances policiais escritos nos últimos dez anos? Essa é a matéria primordial de qualquer protagonista do gênero. Chega de Sherlocks Holmes com suas observações precisas, o fim da era Conan Doyle coincide com o fim da era de Peixes e, seguindo em frente, estamos entrando na era de Aquário e Agatha Christie, com seus Hercules Poirots e Miss Mays. Menos 007 e mais Tintin, clamam as massas. Contanto que o rapazote faça seu trabalho e consiga comer sete oitavos do elenco feminino, ninguém está reclamando de nada.

Claro que em Millennium ninguém está reclamando de nada por enquanto porque todo mundo só presta atenção em Lisbeth Salander, mas repare só quando ler o livro: Mikael Blomkvist é tudo o que você sempre quis ser, com a diferença que você pode. É só fazer a porra do seu trabalho direito. Sim, mais ou menos como quando seus atletas favoritos dizem que o segredo do sucesso é comer verdura e fazer lição de casa. A que ponto um escritor precisa chegar para criar a devida conexão com o homem moderno?

E enquanto a Salander, bem, todos gostam dela porque ela sim tem os talentos, ela é o Sherlock na história de um Poirot. Mas, basta um olhar detalhado ante a irrealidade da personagem para o leitor juntar-se a mim no lado negro da força e advogar a favor de Blomkvist. Mas hey, Larsson quis ser melhor que Jesus e agradar todo mundo, colocando uma criação de Conan Doyle e uma de Agatha Christie no mesmo livro. E agora ele está morto. Pense nisso.

Comprei o livro nesse mesmo mês no ano passado junto com o livro do J.M.G. Le Clézio que dei para a Carlinha de aniversário. Tava barato, era uma promoção da livraria que dizia “conheça a Trilogia Millennium, compre um livro maior que você por vinte reais”. Ora, por que não? Todo mundo falando desse cara, vamos ver qualé que é. No final do ano já tinha lido todos e inclusive resenhei o último volume lá na Gazeta do Povo (atenção: contém spoilers), El Dorado particular. Tudo bem que hoje em dia tem aquelas edições “econômicas” da Companhia das Letras, que na verdade, só tem uma capa diferente e sem orelhas, o que só ajuda a danificar o livro mais rápido. Ainda assim, conseguiu adquirir todos os volumes em promoções vantajosas de maneira que todas as edições foram econômicas para mim. Só não está sendo econômico para a parede daqui de casa, que está quase cedendo com o peso da estante. Fazer o quê?

Ah, ainda não vi o filme. O quê? Acha que eu ia fazer uma coisa dessas e misturar crítica de cinema aqui nesse espaço inconspurcável? É muito querer jogar água no chope, pimenta no seu, e etc. Nada disso, estou indo ver o filme hoje. Vamos ver quantas voltinhas Stieg Larsson vai dar no caixão.

Comentário final: 510 páginas pólen soft. Se jogar no prédio do lado, também é terrorismo!

PS: não sei o que houve com o tamanho da letra nesse post. Malz aí!

Rubem Fonseca – Agosto

Sabe que eu li aí num blog de alguém algum dia indicado por outro alguém algum post que falava que o Rubem Fonseca — justo ele, vencedor do Prêmio Camões em 2003 — era um mau escritor, que só usava uns clichês mais clichês que uma porta e que a escrita dele, além de óbvia, era brega. Vou te falar que, embora goste do autor, reconheço que o referido e já esquecido sujeito tem lá seus argumentos, exemplificados com excertos de alguns livros aleatórios. E gosto do Rubem Fonseca, mas não sou nenhum fanático também. Li aí uma meia dúzia de livros e se aparecer mais algum, vou continuar lendo. Mas não está nas minhas prioridades.

Mas enfim, não viemos aqui falar de livros ruins do Rubem Fonseca, viemos falar de AGOSTO (a torcida vibra!!), um de seus maiores e melhores romances, lançado em 1990 e até pouco tempo atrás publicado pela Companhia das Letras e agora publicado pela Agir (embora tenha lido a edição antiga, as tags e as glórias vão para a editora que está com a bola. Mas a foto é sempre da edição que eu tenho). Agosto não só é um excelente romance policial como também uma ficção histórica (que serve de escada como aquele tal de Kiabbo) muito bem detalhada. Tudo se passa na década de 50, na ocasião do suicídio de Getúlio Vargas, mas começa um pouco antes, na verdade: com o infame atentado da Rua Toneleiros, que ocorre pouco depois do assassinato de um ricaço (esse só existe no livro). Aí que um delegado que curte ópera (é o tipo da coisa meio difícil de achar), tá sofrendo das úlceras e com uma mulher enchendo o saco resolve investigar o caso por achar que os envolvidos nas duas ocorrências podem ser a mesma pessoa. A partir daí, ficção e realidade tendem a se cruzar, embora não cheguem a fazê-lo de fato. As histórias seguem em paralelo, mais ou menos como aquele filme O Verão de Sam, do Spike Lee. O enredo te gruda no livro, como o Rubem Fonseca sabe fazer bem, aliás, e sua forma de narrar com aspas ao invés de travessões — que condensa o livro em grandes blocos de texto a cada página — não tira a fluidez com que percorremos suas trezentas e cinquenta páginas (da edição antiga). Um livro inspiradíssimo sem dúvida, e que, enquanto policial, não é de todo vagal pela parte da pesquisa histórica.

As realidades descritas por Rubem Fonseca quase nunca escapam aos clichês dos romances policiais: Mocinhas irritantes, poderosos maus-caráter, delegados que resistem à corrupção, submundo exposto, espionagens e perseguições. São poucos elementos, mas, hey, com três notas foram compostas quase todas as punk rock songs. E nem dá para dizer, entretanto, que Agosto é uma variação sobre o mesmo tema porque, lendo bem direitinho, até que é um policial diferente do resto. Ok, não tão diferente, mas diferente o bastante para merecer o devido destaque. E mesmo assim, já disse, é um livro muito do cativante. Acho que até fizeram uma minissérie na Globo sobre o livro, mas não vi e não sei de nada, portanto, prefiro não comentar. Sintam-se livres para falar sobre a transposição televisiva da obra, entretanto.

E falando um pouco da edição da Agir: porra, palmas para a editora Agir que tá relançando as obras do Rubem Fonseca em um formato agradabilíssimo de ler, com capas criativas e padronizadas, assinatura do autor, uma margem de página grande e confortável, fonte Minion Pro (um abraço pra essa fonte, caralho!) e um acabamento na encadernação que parece que vai durar pra sempre (acho que são brochuras menores, talvez com dezesseis páginas cada, não sei ao certo). E o melhor: o preço tá consideravelmente mais em conta do que a edição antiga, o que só dá alegria pra gente que tem que meter a mão no bolso.

E um PS: esse livro é da Carlinha e foi ela que sugeriu o livro de hoje. Fiquem à vontade para sugerí-los também.

Comentário final: 368 páginas pólen bold 90g/m². Die, die, die!

Leonardo Sciascia – A cada um o seu (A ciascuno Il suo)

Gosto muito quando um escritor teórico, sério e cuja literatura é focada em outro assunto se aventura a fazer algo tão literariamente efêmero quanto um romance policial. Opa, peralá camarada! Romances policiais não são efêmeros (pelo menos não o suficiente), mas digamos que são discriminados assim como um gênero menor. Digamos que o romance policial, se fosse uma mulher em um concurso de misses, seria uma loirassa turbinada. Pode agradar aos olhos do público, mas dificilmente agradaria os olhos dos jurados. Enquanto aqueles a elegessem paradigma de beleza (talvez porque a sensualidade para as massas seja traduzida em volume), estes a achariam clichê e visualmente monótono. Isso não significa porém, que a loirassa turbinada e o romance policial não tenham seu valor e seu lugar (provavelmente junto ao povão). Jorge Coli costumava recomendar a seus alunos que lessem romances policiais, imagino com o objetivo de apurar a lógica e a visão para os detalhes. Eu, que durante o ano de 2004 fui seu aluno duas vezes (mesmo que por um curto espaço de tempo), acatei a recomendação.

O policial do italiano Leonardo Sciascia que trataremos, entretanto, é um livro que, dentro de sua categoria, poderíamos classificar como atípico. A primeira irregularidade não é bem uma irregularidade desde que Agatha Christie a consagrou: o investigador não é um policial ou um detetive, mas uma pessoa comum — no caso, um professor. A segunda fica por conta da linguagem: uma vida dedicada a ensaios políticos e livros satíricos (também sobre a política), refinaram sua escrita ao nível do formalismo peculiar de alguns italianos, como Pirandello em Seis personagens a procura de autor ou Ítalo Calvino em livros como Os amores difíceis e Se um viajante numa noite de inverno. Por isso o amigo Cássio — e faço minhas suas impressões — na ocasião que leu esse livro achou-o chato até sua metade e, uma vez terminada a leitura, uma excelente obra. Alguns são assim mesmo, precisamos terminar a última página para perceber a grandiosidade da bagaça.

Um resuminho: Em uma pequena vila da Sicília, um farmacêutico e um médico são mortos enquanto caçavam. Suspeita-se de infidelidade por parte do farmacêutico (e o médico teria morrido de bucha). A partir daí o professor começa a investigar, com pistas sensacionais e algumas reviravoltas. O que salta aos olhos e a impressão que fica é que Leonardo Sciascia é um excelente escritor.

A história de como esse livro veio parar na minha mão é interessante. Minha mãe uma vez disse-nos que tinha lido um livro em que um farmacêutico morria, e que o livro era muito bom, mas que não lembrava o nome nem o título. No mesmo dia, passeando na livraria, a Carlinha saca um livro da prateleira, lê a orelha e pergunta: “Ei, esse não é o livro do qual sua mãe estava falando?” E era. Achei legal, mas li-o na época em que estava fazendo um pequeno estágio na Gazeta do Povo, descobrindo que de ilustrador eu não tenho nada, então li meio na pressa e ele passou meio batido por mim. Até que ontem a supracitada Carlinha terminou de lê-lo e resolvemos conversar sobre ele. E veio-me a ideia de escrever sobre ele aqui, já que agora ele está sendo vendido ao preço módico de 9,90 nas Livrarias Curitiba.

Sobre a edição: É um dos poucos livros da editora Alfaguara lançados no Brasil com capa revestida de papel couché. Tem uma capa bacana com uma foto de um tal de Antoine Gyori, pegada da Corbis (bendita Corbis, hein?) que por acaso ficou fodassa no livro (no canto da parede tem uma escrita em roxo quase imperceptível, tente ver). No mais, é tudo igual, mas acho que essa escolha da Alfaguara de padronizar os livros em uma mesma diagramação não é tão ruim tendo em vista a excelente qualidade do material. Ah, o livro também foi traduzido pelo genial Nilson Moulin, tradutor de Calvino e outros fodásticos. Nilson, a galera aqui te curte, cumpádi!

Comentário final: 135 páginas pólen soft de gramatura alta. Tem que bater muito pra machucar.