Philip Roth – O Professor do Desejo (The Professor of Desire)

the professor of desireEu sei, eu sei, vocês estão pensando “Mas que m…, outro post do Philip Roth em menos de dois meses”. Mas também, problema teu, irmão, peguei uns livros seguidos dele e se não gostou vai ter dois trabalhos também. Uh, tô marrento hoje, mas não: há um bom motivo para se voltar a falar de Philip Roth, em especial nessa semana: isso é porque o senhor da foto aí comemorou 80 anos nesse final de semana, e por essa ocasião especial ganhou fotinha colorida no post de hoje para nos lembrar de que sim, Philip Roth ainda está vivo, embora não esteja mais escrevendo conforme seu anúncio do final do ano passado.

Para os idiotas da objetividade: SPOILER ALERT (sério, me sinto muito mal de ter que colocar isso).

Por isso, resolvi dar uma conferida nesse novo velho livro dele que ganhou nova tradução recentemente. E, antes de mais nada, vamos parar por um minuto para rir desse título ridículo. HOHOHOHOHOHOHOHO, que porcaria de título esse. “O Professor do Desejo”, parece chanchada de Cine Privê da Band, e das bem lazarentas ainda por cima. Tipo com Ron Jeremy no papel do PROFESSOR DO DESEJO. Sério, não sei o que esse sujeito estava pensando quando resolveu dar esse título pro livro, mas acho que deve ser verdade o que dizem: a década de 70 foi muito brega.

Bom, e do que fala exatamente o livro O PROFESSOR DO DESEJO, além de sexo, obviamente. Pra ser bem sincero, não captei o qualé do livro de primeira, e por isso recorri a um expediente de baixo nível ao qual, contudo, não me furto sempre que minha ignorância me encurrala num canto: a orelha. E, oh! A orelha se resume a um único parágrafo, um forte indício que o sujeito escalado para fazer esse trabalho sujo também não manjou muito do romance, ou que achou que seu único parágrafo dava conta do recado. Mas acho que essa é a beleza de um escritor bafejado pela crítica, para usar uma expressão idiomática que sempre me faz rir: seu caráter autoexplicativo, sua densidade que aflora com facilidade à superfície do texto, é tudo muito preto no branco, tudo muito certinho, o equivalente literário ao “filme para quem não quer pensar” que cada vez faz mais sucesso entre os frequentadores de locadora (alguém ainda vai à locadora?). Bom, vejamos o que o sujeito entendido aqui diz:

“Quando estava na faculdade, David Kepesh se considerava “um libertino entre os doutos, um douto entre os libertinos”. Mal podia ele imaginar o quanto esse lema seria profético – ou fatídico. Pois à medida que Philip Roth segue Kepesh da domesticidade da infância à selvageria da possibilidade erótica, de um ménage a trois em Londres às agonias da solidão em Nova York, ele cria um romance de extrema inteligência, pungência e humor sobre os dilemas do prazer: onde o procuramos, por que fugimos dele e como lutamos para obter uma trégua entre dignidade e desejo”.

Ora, poderia fazer um texto só analisando essa pequena orelhinha. Vamos combinar que o sujeito não teve seu momento mais brilhante ao enfileirar “inteligência, pungência e humor”, mas soube que era hora de parar quando mandou “uma trégua entre dignidade e desejo”, claramente o ápice de sua genialidade estilística. Mas ele acertou aqui em um aspecto que me dá um ponto de partida para analisar o livro: “os dilemas do prazer”. Ok, vamos ficar com essa frase por um momento e focar na história.

Philip RothDe fato, David Kepesh, depois de uma infância chata, de chupar uns peitinhos no colegial e de estudar com um maluco claramente gay, resolve ir pra Inglaterra para estudar e conhece duas barangas dinamarquesas com quem faz todo tipo de sacanagem, mas aí volta pros EUA depois de um troço corriqueiro que, de alguma maneira, ativa a paranoia do sujeito (judeus são assustados assim, a julgar por seus outros livros). E aí conhece uma mulher com quem se casa, mas a mulher é maluca e foge, e ele se separa e depois conhece uma outra com quem briga e depois uma outra com quem casa e é feliz, mas fica incomodado com a pasmaceira e fim.

Bom, aqui temos então, basicamente, o esqueleto da história, algo passível de ser encontrado escrito em algum lugar do escritório do Roth, em um bloquinho intitulado “ideias legais para livros que eu ainda vou escrever”. Esse esqueleto permite observar o movimento do escritor sobre suas reais intenções: o protagonista se depara com diferentes esquemas de relacionamentos: um promíscuo, um tradicional perturbado, um conflituoso e um sem graça. E, em cada um desses, aponta seus altos e baixos, sem exatamente elencá-los de maneira óbvia. Tudo isso pra dizer uma coisa: homem é um bicho inconformado que não sabe o que quer. Se tá no marasmo, quer putaria, se tá na putaria, quer marasmo, se briga, quer paz, se tá na paz, quer briga, etc. E veja, não que mulheres sejam tão diferentes assim, mas o Philip Roth, como alguns de vocês sabem, é um sujeito que não se arrisca a botar um pezinho que seja fora da sua zona de conforto, ou seja: não escreve sobre nada que não conheça com suficiente segurança. Por isso, por exemplo, que David Kepesh é judeu, sendo que ser judeu tem muito pouco a ver com um tema tão universal como o desse romance. E por isso ele é homem, estudioso das letras que foi morar na Inglaterra e tudo mais. Muito provavelmente ele não comeu tanta mulher que nem esse protagonista, mas hey, é o efeito Pedro Juan: se seus personagens são comedores, então você deve ser comedor também, né? Ou isso ou o completo oposto, nunca uma zona cinzenta ordinária, seu depravado.

E basicamente é isso a que ele se propõe. Não oferece uma conclusão, não se aprofunda no assunto, só ilustra uma questão pertinente e brinca com ela por duzentas e tantas páginas. Não é o Philip Roth em sua melhor forma, embora tenha aqui todos os elementos de sua literatura: sexo, judaísmo, baixa auto-estima, excesso de autoanálise, um tiquinho de comédia, escatologia e, claro, a própria literatura. Acho que ele resolveu muito melhor a questão do sexo no Complexo de Portnoy, mas hey, se o cara quer ser uma flor de obsessão, quem somos nós pra impedir, né mês? Até porque o livro já foi escrito há quase 40 anos, então nem rola espernear por pouca coisa a essa altura do campeonato. Lê quem é fã, ignora quem não é tão fã e dá uma espiada curiosa quem acha que o tema é pertinente. Mesmo com tudo explicado, O PROFESSOR DO DESEJO ainda é um péssimo título e, acreditem, bem mais decepcionante que Cine Privê da BAND.

Comentário final: 251 páginas em papel pólen soft. Machuca a alma do libertino.

Neil Gaiman e Dave McKean – A comédia trágica ou a tragédia cômica de Mr. Punch (The tragical comedy or comical tragedy of Mr. Punch: a romance)

The Tragical Comedy or Comical Tragedy of Mr. PunchFala moçada, como vocês estão hoje? Legal que as pessoas estão aderindo ao desafio, em breve vou postar a lista. E você, já decidiu o autor que vai ler esse ano? Decide aí e manda pra gente, choque.

“Ih, alá o Yuri, vim aqui querendo ler resenha de livro e encontrei resenha de quadrinho, que manezão!”, alguém diria. E eu respondo com um pedala Robinho e digo que a linha editorial do Livrada! não prevê quadrinhos, a menos que eles sejam muito bons e/ou originais ao extremo. E é o caso dessa graphic novel, que, já disse, é “banda desenhada” ou “história em quadrinho” no cultês. Então vamos aproveitar que hoje é domingo e você não tem nenhuma responsabilidade nos próximos minutos e abramos a cabeça um pouco para outros gêneros literários.

A comédia trágica ou a tragédia cômica de Mr. Punch, de Neil Gaiman e Dave McKean é um daqueles livros que você vê e pensa “meu Deus, olhaí uma dupla de zé ruela pagando de gênio atormentado”. Bom, amigo, fazer o quê se é assim que os caras se expressam. Dave McKean, o barbudinho que parece um torcedor do Fluminense, é o cara responsável pelos desenhos e fotografias doentias que você encontra dentro desse livro, e Neil Gaiman, o que parece da família do Stephen Rea, é o cara que escreve a história das coisas doentias do tricolor supracitado. Gaiman conta uma história de fundo autobiográfico, de quando foi passar um verão (verão na Inglaterra, vocês sabem, é só força de expressão) na casa dos avós, que moram no litoral. Lá ele conhece o teatrinho de Mr. Punch, um popular show de fantoches que rola por lá desde a idade média, que é basicamente o seguinte: Mr. Punch é um homem casado com uma mulher chamada Judy, e eles tem um bebê também. Só que ele é meio detestável (e existe algum fantoche que não seja?), então todo mundo meio que odeia ele. Aí ele mata a esposa, o bebê, e todo mundo que vem pra matar ele acaba morrendo também, inclusive o capiroto em pessoa. Bom, é isso. Um show de fantoche com um monte de personagem morrendo, e que mostra que a pessoa, mesmo sendo desprezível, pode ser muito sagaz pra sobreviver na base da malandragem.

Acontece que, como qualquer criança cercada de gente velha e coisas da época do guaraná de rolha, o pequeno Neil fica muito impressionado e tudo parece muito estranho, assustador e fascinante ao mesmo tempo. Ora, você, quando era criança, nunca se pegou assustado pela pele, que mais parecia bola de basquete ou, com sorte, frango cru? Então você sabe do que eu tô falando. E aí ele conhece diversas figuraças que participam da vida cultural mixa do litoral, que sim, é sempre mixa (e se você acha trio elétrico legal, sai do meu blog. Ooopa, brincadeira!), entre elas um velho chamado Swatchell, responsável por realizar o show de Punch e Judy. Swatchell é um cara meio obscuro, com um passado desconhecido, meio criminoso, meio assassino, quem sabe? Fato é que esses tipos são colírios para as crianças. Ou você nunca ficou fascinado quando descobriu que seu tio matou um cara? Nessas, o fedelho inglês fica impressionadíssimo com o show de Punch e Judy (a julgar pelas fotos, é um nightmare fuel aditivado pra encher o seu tanque) e aquilo fica cozinhando na sua cabeça impúbere por todo o resto das férias, e idealiza Mr. Punch como uma espécie de obsessor que suga a vida dos que o colocam na mão.

Basicamente o que o autor faz aqui é mexer com aquele velho fascínio que as pessoas sentem por bonecos mega expressivos. Será que tem vida, será que não tem vida, será que é assassino, será que é bonzinho, etc. Algo já visto em todas as escalas de terror, de Goosebumps a Chucky-me-dá-um-abraço, e em alguns outros filmes, como aquele Dummy, com o Adrian Brody, que eu vi no ônibus indo pro Rio uma vez. Vem cá, quem não odeia filme de ônibus aqui? Da última vez que voltei de São Paulo, passou Dr. Dolittle 4 e Homens de Preto 2. Olha, que raiva eu passei com aquele som alto, querendo concentrar na minha leitura. Mas onde é que eu estava? Ah sim, falando do fascínio por bonecos. O medo que a gente tem de boneco é basicamente o mesmo medo que Deus sente da gente, se é verdade o que os católicos dizem sobre imagem e semelhança. Ver uma coisa que parece outra coisa que você já conhece é meio assustador, mas os hipsters adoram: uma caneca que tem o formato de lente Canon, um relógio em formato de caneca, um prato em forma de relógio, um disco em forma de prato, uma bolsa em forma de disco, um boné em forma de bolsa, enfim, malditos hipsters, vão gastar seus dinheiros com coisas úteis pra variar.

Além do fascínio por bonecos, o trabalho que deixa o livro realmente interessante é de Dave McKean, do clube “tantas” vezes campeão. Com um domínio extremo de imagem e fotografia, ele compõe os quadros do quadrinho mesclando os formatos, usando panos, plantas e outros objetos que saltam da imagem, como um quadrinho 3D. Bom, não exatamente 3D, mas, digamos 2½D. Os desenhos são pintados, ao que me parece, com uma brocha em cima de madeira compensada, e as linhas do que seria nanquim são feitas no computador. É um trabalho muito interessante mesmo, embora todo mundo tenha mais ou menos a mesma cara. Ah sim, ele também conseguiu arrumar o Mr. Punch mais assustador da história, de olhos arregalados e dentinho no meio, Nosferatu-Chico-Bento-style. Palmas pra ele então.

O projeto gráfico desse livro, lançado pela editora Conrad, que eu considero uma das melhores editoras de quadrinho do Brasil, é primorosa. Capa dura, papel couché de excelente qualidade e um lettering (as letras usadas nos quadrinhos) feito, me parece, a partir da caligrafia de um dos autores. Fibou muito bom. Acho que eles deram um formato ao livro que permite que a gente aprecie os detalhes de cada quadro, cada fotografia, melhor, e a capa, que não foge à original, também tá irada. Enfim, projeto gráfico de quadrinho tem muita coisa pra analisar, melhor parar por aqui pra não me estender muito. Ah, não tem paginação (é moda isso agora? Os últimos quadrinhos que eu li não tiveram também), então não sei quantas páginas o livro tem porque não vou ficar igual bocó contando as páginas da bagaça.

Comentário final: Já dançou com uma velhinha de churrascaria rodízio sob a luz do luar?

 

Adam Thirlwell – Política (Politcs)

PoliticsCoééé. Ih, tá difícil voltar pra essa rotina de escrever duas vezes por semana. Sempre esqueço e vou escrever lá pelo fim da noite. Portanto, se eventualmente vocês aparecerem por aqui no dia da postagem e não tiver um livrinho novo ixperto comentado, é porque o tio Yuri tá com a cuca falha, e precisa de fósforo na dieta. Mas o importante é que hoje eu lembrei, mesmo que seja alta madrugada, então vamos lá.

Política, de Adam Thirlwell. Comprei o livro pela capa mesmo, tô nem aí. Aliás, comprei não, ganhei da Carlinha numa aposta. Mas escolhi pela capa sim. Então, senhor Raul Loureiro, pode o senhor botar a cabecinha no travesseiro com a sensação de dever cumprido — não que o senhor já não faça isso. Claro que a sinopse da quarta capa ajudou bastante, e pensei que essa poderia ser uma oportunidade de descobrir autores contemporâneos novos dos quais ninguém fala muita coisa.  Li, venci e vim aqui falar qualé que é. Vamo nessa.

Política, como o nome sugere, é um livro de sacanagem. Adam Thirlwell é talvez o primeiro autor a explorar em um livro a proximidade dos dois assuntos. Brincadeirinha. Na verdade, o livro é sobre uma sacanagem mais literal, e a política, essa sim, é mais metafórica. A história é a seguinte. Um rapaz meio judeu, chamado Moshe, e sua namorada, Nana, tentam explorar os limites da safadeza humana. Pelo menos eles acham que estão fazendo isso mas, coitadinhos, são dois britânicos moderninhos que nunca leram Marquês de Sade. A perversão deles resume-se a rolas de plástico e outras mercadorias de sex shop (e eu, ao contrário de todo o resto do mundo, me recuso a referir-me a esses artefatos como “brinquedinhos”. É gíria de Rede Globo, igual chamar vagina de “perseguida”, sem graça pra chuchu). Aí eles se metem num triângulo, quando a Nana resolve jogar uma amiga chamada Anjali no meio da roda, pra ver se as coisas ficam mais interessantes. Só que aí cada um do triângulo se vê numa posição desconfortável: Moshe não quer saber de outra namorada, mas aceita porque foi ideia de Nana; Anjali fica sentindo que está sobrando, e que tá de (com o perdão do trocadalho do carilho) penetra na relação; e Nana tem o ônus mais óbvio da história: tem que ver o namorado gordinho comer a amiga. Visão do inferno, maluco, terceira mensagem secreta de Nossa Senhora de Fátima na veia.

Bom, paralelamente a isso, o autor insere aqui e ali alguns pequenos ensaios sobre as relações humanas, as relações políticas, digamos, e faz a analogia com a história do casalzinho. Muitas coisas sobre líderes políticos comunistas, como o camarada Mao, que corre pelos encanamentos do Castelo, e Stálin, que diziam ser um cara muito amável quando falava ao telefone, donde se cunhou, no livro, a expressão (que eu vou levar comigo pro resto da vida) “stalinista telefônico”, pra fazer oposição ao outro tipo de stalinismo, aquele que é considerado mau, autoritário e coisa de maluco. Esses ensaios deixam o livro com uma cara de livro sério, em contraposição à putaria maluca (nem tão maluca assim) que permeia a história. Aí você, o leitor, fica com aquela cara de bunda, sem saber se o livro é profundo ou raso, querendo acreditar que seja mais raso. Todo mundo sabe que, até hoje, só um escritor conseguiu fazer um livro besteirento parecer sério, e é o Milan Kundera. Não é à toa que as menininhas colocam seus livros na estante quando querem mostrar o que elas tem por dentro. Não, caro leitor da revista Hustler, não é disso que estamos falando, o papo aqui é conteúdo, catilogência, morô?

De qualquer jeito, o livro deixa essa impressão. A narrativa é mais solta que arroz parboilizado de hotel grã-fino, e volta e meia o cara puxa umas conversas com você, pra parecer um cara legal — o que daria muito certo não fosse ele um inglês muito do arrogante que acha que, fazendo isso, tá transgredindo toda a literatura da Inglaterra desde Shakespeare. Pelo menos assim pareceu pra mim. Mas pode ser afetação minha com os ingleses. Até hoje nunca simpatizei muito com nenhum, nem com suas bandas de tralalá. Eu sou jovem, sou roqueiro, gosto de porrada e de violência e não de “sooo, Sally can waaaaait” e outras paumolescências da vida. Felizmente o país tem o Motörhead pra embrutecer umas gerações.

Divaguei de novo. Acho que já chega de falar do livro. Vamos falar do projeto gráfico que me deu tanta gana de levar pra casa um exemplar. Como disse lá em cima, a capa do livro é do Raul Loureiro, uma parada meio Jackson Pollock pintando com a careca, meio pintura-rupestre-abstrata. O livro tem capa dura e tem o projeto gráfico parecido com a trilogia da crucificação rosada, do Henry Miller, e do Diário de um Fescenino, do Rubão Fonseca e o Cidade Pequena, do Lawrence Block. Uma coleçãozinha, ou uma série que, segundo a Companhia das Letras, traz “autores brasileiros e estrangeiros em livros provocativos e irreverentes”. Tudo bem que “provocativo” e “irreverente” são adjetivos que devem estar escritos no cartão de visitas do Danilo Gentili, mas ainda assim, a coleção é bonita. Aliás, esse negócio de irreverente, pra mim não desce. O que é, exatamente irreverente? Alguns usam o adjetivo quando querem dizer que a parada é engraçada, mas nem tanto. Outros preferem dizer que é algo transgressor, mas engraçado ao mesmo tempo. Vamos combinar que “irreverente” é um adjetivo coxinha que não tem personalidade nenhuma e pode ser usado quando você não sabe o que escrever de uma parada minimamente engraçada e minimamente subversiva. Taí, esse blog aqui é irreverente. Não é engraçado, não é subversivo, mas pô, que mais que vai se usar pra escrever um release do Livrada!? Oi, o quê? Ah, o projeto gráfico. Então, papel pólen soft, fonte Fournier, capa dura e papel cartão colorido pra reforçar, encadernamento artesanal e várias páginas pretas, com a divisão dos capítulos e etc. No começo do livro, assim como nos outros da coleção, tem um tríscele, aquela parada de três pernas que tem na bandeira da Sicília. Aliás, o que é aquela bandeira?! Se eu fosse da Sicília, não ia dormir à noite, com medo da bandeira vir me pegar. Cruzes, vou ter pesadelo agora. Boa noite.

Comentário final: 283 páginas em pólen soft e capa dura. Uma porrada na careca do Jackson Pollock. Fala sério, pintar assim até a Susana Vieira, meu filho.