Vídeo: Desafio Livrada! 2015

Agora sim! Sejam bem-vindos oficialmente ao Livrada! 2015, que é o Livrada! on fire. Estamos em site, Twitter, página do Facebook, canal do YouTube e agora também no Instagram. Quase igual o McDonalds, onipresente, imperialista, querendo dominar o mundo enquanto você cochila. Yeah!

Pra começar o ano (que na verdade só começa depois do carnaval, tem o desafio do ano. Reparou que depois do Desafio Livrada! 2014 quase todos os desafios literários desse ano seguem esse molde? É, é o Livrada! lançando tendências em terras tupiniquins. Uns tentam me copiar, outros tentam… ah, sei lá, não tenho vocação pra fazer frase de piriguete.

Pra quem não sabe, já tinha lançado no começo de janeiro o Desafio Livrada! 2015 no Facebook. Mas aqui vão as 15 categorias e o vídeo explicativo (mais ou menos explicativo). Antes, contudo, algumas palavras sobre esse desafio.

Ele segue o mesmo molde do ano passado, só que a novidade é que agora existem categorias que vão causar desconforto, não importa qual tipo de leitor você seja. As categorias do ano passado eram mais abertas e mais flexíveis ao gosto de cada um, mas o Desafio Livrada! 2015 é um desafio de verdade porque invariavelmente você vai ler um ou dois ou três ou cinco livros que não leria de outra forma, e talvez sequer consideraria. Com isso, contudo, espero não irritar os leitores, mas fazer o papel de um blog literário, que não é, ao contrário do que alguns pensam, guiar o consumo, mas apresentar novas oportunidades de leitura e interpretação. E a interpretação passa pela diversidade. E a diversidade passa pela experiência do conhecimento, e a experiência do conhecimento nem sempre é massa. Então, fuerza.

Desafio Livrada! 2015 – HIGHWAY TO THE DANGER ZONE

1- um livro policial
2- um livro infanto-juvenil
3- um livro de ficção científica
4- um livro escrito antes do século 20
5- um livro de ensaios, artigos ou crítica literária
6- um livro que você já está querendo ler há mais de dois anos
7- um romance com protagonista feminino
8- um romance africano
9- uma peça de teatro
10- Um romance de realismo maravilhoso latino-americano
11- um livro que todo mundo diz que merece uma chance mas você acha que não
12- uma biografia
13- um livrorreportagem
14- um livro que virou filme.
15- Pastoral Americana

MONTAIGNEClica no Montaigne.

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Lucas Varela – Paolo Pinocchio

Lucas VarelaOra, estava faltando uma graphic novel para comentar aqui pelo Desafio Livrada! 2014 (aliás, como estão indo nessa empreitada desafiadora que é o desafio deste ano?) Ia comentar o livro do Marcatti, mas eis que me caiu nas mãos, graças ao povo da Itiban Comic Shop (jabá de graça pros bróder) esse livro que compila as histórias insanas do Paolo Pinocchio e sua saga dantesca rumo ao inferno e pensei “por que não? Assim eu escrevo sobre uma hq que eu realmente gosto (não que eu não goste do Marcatti, muito pelo contrário), e as crianças que leem o blog ainda ficam conhecendo mais um cabra responsa”.

Pois bem. Conheci a obra do argentino Lucas Varela por meio da revista Fierro, uma revista argentina de quadrinhos que publica tanto os portenhos quanto os autores brasileiros, e ganhou duas compilações máster pela editora Zarabatana, a mesma que publicou esse livro, sob a catalogação de “coleção Fierro #4”. A história é uma só, mas pode ser lida separadamente, como foi publicada nas Fierro: Paolo Pinocchio é uma versão do mal do Pinocchio, o boneco de madeira da história de Carlo Collodi. Ele mente pra Chapeuzinho Vermelho, abusa sexualmente de João e Maria, arranca dinheiro do Patinho Feio prometendo pílulas mágicas para aumentar a auto-estima, droga a Bela Adormecida e por aí vai, até que é sentenciado à morte e vai para o inferno, de onde tenta sair. Basicamente as histórias giram em torno disso: Paolo tentando fugir do inferno, o que não faria tanto sentido para um boneco do mal não fosse o prólogo, em que o autor retrata Dante e Virgílio como um menino e um cachorro visitando o averno, a entrada do inferno, numa clara referência ao notadamente mais legal livro da Divina Comédia. Ali, buscam um significado para o que é a dor e o sofrimento, e colhem o depoimento de vítimas e de verdugos.

Fábio Zimbres, eu, Lucas Varela (com o microfone) e Vitor Caffagi no lançamento da Fierro 2, na Itiban.

Fábio Zimbres, eu, Lucas Varela (com o microfone) e Vitor Caffagi no lançamento da Fierro 2, na Itiban.

A graça de Paolo Pinocchio reside no fato do personagem ser espírito de porco demais, até mesmo para o inferno e para o sofrimento interno. Mesmo sendo condenado à morte diversas vezes, por promover orgias em um convento ou traçar a filha de um juiz, por exemplo, ele dá um jeito de ludibriar os ludibriadores e salvar sua pele. As histórias são abarrotadas de humor negro e altamente doentio, o que, é claro, ganha minha simpatia logo de cara. Mas talvez haja mais do que meras sátiras de contos da carochinha e referências a Dante Alighieri em Paolo. A ideia de graphic novel adulta passa também por isso: não só expor uma temática adulta, mas também brincar com ela, leva-la para o lado infantil e de volta para o universo de gente grande com a mesma leveza que por muitas vezes, em nossos mais profundos arroubos de loucura, fazemos. A loucura de Pinocchio é a loucura do homem moderno, que grita de inconformidade por viver em um mundo que reprime as vontades do corpo ao mesmo tempo em que pune a falta de virtuosismo universal, conceito que, convenhamos, há muito não condiz com a realidade do século 21. Pronto, esse parágrafo só escrevi pra mostrar que qualquer zé mané consegue bancar o profundo em resenha literária. O gibi é maneirinho e vocês deveriam ler.

O projeto é da Zarabatana Books, que fez o livro lindão, com papel de gramatura grossa e inteiro colorido, com umas splash pages de respeito e tudo mais o que o cara merece. E ainda tem arte na parte de dentro da capa e da contra-capa!

Comentário final: 96 páginas coloridas de puro sarcasmo!

Paolo Pinocchio atende às seguintes categorias do Desafio Livrada 2014:

10 – Uma Graphic Novel

Desafio Livrada 2013 – O inimigo agora é outro

Já assistiram àquele filme Revolver, do Guy Ritchie? Se não viu, pule este parágrafo porque tem spoiler (olha só pra mim, avisando pras pessoas de spoilers nos meus posts, essa humanidade tá perdida mesmo). Então sabe como é, o sujeito tenta lutar para subir na vida, para vencer seus principais inimigos e no final das contas o inimigo é nada menos do que o ego. E não estou falando aqui do site de fofocas, nem do Caça-Fantasmas (não tinha um Caça-Fantasmas chamado Ego?), mas da partezinha do nosso inconsciente que nos forma. Em outras palavras, o inimigo é você mesmo.

Imbuído desse ímpeto de frenar as auto-sabotagens do dia a dia, seu humilde blog resolveu que a volta do Desafio Livrada! (quem não lembra do Desafio Livrada 2011?) seria marcado por desafios autoimpostos. Dessa forma, todos conhecem seus ritmos, seus gostos e suas forças de vontade, de maneira que esse é mais uma forma de fazer um desafio literário que fuja ao lugar comum de quantificar leituras e que permita inserir uma qualidade nesses momentos de prazer literário que eu espero que todos aqui tenham esse ano. Pedi então aos seguidores do Facebook para discriminarem ali seus desafios e agora os compartilho oficialmente aqui com todo mundo para que o mundo saiba: O desafio Livrada! 2013 está de volta e ninguém pode pará-lo. E se alguém tiver algum problema em divulgar a imagem de perfil do Facebook nesse blog, é só mandar um e-mail para bloglivrada@gmail.com, mas é aquela coisa: é o equivalente a ir pra praia de nudismo e não querer que ninguém te olhe.

Eis os nossos bravos soldados:

Pedro Victor

Nome: Pedro Víctor

Meta: “15 livros. entre eles o infinite jest, o mason e dixon e o idiota. e algum do roth, claro”.

Categoria: Triathlon de Cabeceira.

Bruno Rodrigues

Nome: Bruno

Meta: “6 livros: 3 clássicos e 3 lançamentos”.

Categoria: Offspring literário.

Raphael

Nome: Raphael

Meta: “Ulisses e Infinite Jest! O resto é complemento!”

Categoria: Companhia das Letras Fanboy.

Carolina

Nome: Carolina

Meta: “12 livros em 12 meses! Os dois primeiros eu decidi por culpa de posts do Livrada: Cosmópolis e A trama do casamento.”

Categoria: Cooper (de muito bom gosto).

Gabriel

Nome: Gabriel (não é a foto dele, mas era a única que dava pra pegar).

Meta: “Meta mesmo eu não tenho, mas o foco é Infinite Jest – ou seja, a responsabilidade pelo cumprimento da minha “meta” é do Galindo e estou livre, leve e solto pra ler qualquer coisa no caminho”

Categoria: It’s now or never.

Sandoval

Nome: Sandoval

Meta: “Conseguindo, até o momento, manter a meta de pelo menos um por semana. Até agora: Cinzas do Norte (Milton Hatoum), Cabeça de Negro (Paulo Francis), Um Copo de Cólera (Raduan Nassar), Como me Tornei Estúpido (Martin Page), A Mãe (Gorki), Jornalistas e Revolucionários (Bernardo Kucinski). Se bem que eu tava de férias, o que deu uma colaborada. Quanto à metodologia de escolha para os próximos 11 meses, ela é a mesma de anos anteriores: nenhuma.”

Categoria: Usain Bolt de biblioteca.

Guilherme

Nome: Guilherme

Meta: “Em 2013 quero ler Anna Kariênina, Ulysses e um grande do Pynchon (se quiser recomendar algum, só li Vício Inerente). O resto é lucro e complemento!”

Categoria: Em busca do clássico perdido.

RA

Nome: simpático blogueiro

Meta: 30 livros que estão na minha estante e que eu ainda não li.

Categoria: Acumulador.

Todos devidamente anotados, damos início aos trabalhos do Desafio Livrada! 2013. Não nos decepcione e, mais importante, não se decepcione. No final do ano, faremos um balanço, então mantenha o contato!

Até a próxima, coleguinhas!

Desafio Livrada – Reta Final

E aí, meus bons. Como vocês estão?

Conforme perceberam, não teve novidade por aqui no último domingo, e me justifiquei na página do Livrada no Facebook, a qual eu espero que vocês já estejam “curtindo” (seja lá o que seja isso), alegando motivo de força maior. Bom, na verdade eu menti: estava no bem bom da zona sul do Rio de Janeiro, aproveitando a vida com gente rica e batendo papo com meus novos camaradas, Antonio Banderas e Salma Hayek. É, essa é minha vida, esse é meu clube, e se eu vivesse dentro de uma propaganda de celular de vagabundo, desfilaria por aí enquanto uma câmera me acompanha de frente no melhor estilo Stanley Kubrick.

Mas enfim, esse post é curtinho e tem um único objetivo: quero ouvir de vocês, meus leitores, como foi ou como está sendo o desafio Livrada 2011. Conforme alguns de vocês, que não tomam cachaça no café da manhã, devem se lembrar, instaurei aqui no blog, seguindo a modinha de outros, o primeiro desafio literário qualitativo, que preza a qualidade do livro ao invés do número de páginas ou a quantidade de tomos que você precisa ler em um ano (aliás, todo ano faço uma listinha dos livros que eu li e preciso dizer que esse ano estou batendo recordes. Se tivesse uma olimpíadas disso, eu representaria o Brasil junto com o Paulo Venturelli). O problema é que qualificar um livro é mais difícil do que parece, então resolvi aplicar um conceito arbitrário: quatro livros de um mesmo prêmio Nobel. A ideia me pareceu nobre por incentivar a leitura de caras mundialmente renomados e não exigir muito. Claro que não é tão nobre quanto a Mulher Maçã escalada para rainha de bateria da Mocidade Independente e cobrir seu corpo nu com réplicas de pinturas de Candido Portinari para incentivar a cultura no Brasil, mas ainda assim é uma boa ideia, vai.

Bom, sendo assim vocês, meus principais leitores, aderiram à brincadeira — pelo menos no começo — e cada um deixou registrado aqui suas escolhas. Temos os seguintes leitores e os seguintes autores escolhidos:

Fausto – Mario Varga Llosa

Lucas – Harold Pinter
Raphael – J.M. Coetzee
Jack Guedes – ? (só falou que ia participar)
Angela – Mario Vargas Llosa
Francine – José Saramago
Carlinha – Orhan Pamuk
Suelen – Doris Lessing ou Günter Grass ou J.M. Coetzee ou Samuel Beckett
Lálika – J.M. Coetzee
Olga – J.M. Coetzee
Isabelle – José Saramago
Alison – Harold Pinter
Bom, eu escolhi um autor também, para incentivar a vocês da mesma forma que a Mulher Maçã incentiva a cultura brasileira, e escolhi V. S. Naipaul, o Charlie Chan de Trindade e Tobago. Vergonhosamente, porém, eu fui o primeiro a falhar no desafio: li apenas UM livro do rapaz, Uma Casa para o Sr. Biswas, que vocês viram resenhado aqui. Para minha defesa, não foi por vagabundagem que deixei de cumpri o combinado. Como alguns de vocês devem saber, acontece que nesse ano me tornei um crítico literário de verdade, que lê adoidado, entrevista escritores e recebe convites para eventos especializados. Com isso, gostaria de dizer que sobra muito pouco tempo para as leituras de prazer, mas a verdade é que não sobra absolutamente nenhum tempo. Espero que vocês não tenham passado pela mesma situação e tenham conseguido atingir suas metas de leitura. Estou aguardando ansiosamente vosso feedback.
Ps: eu sou lindo.