Vídeo: Tag das princesas da Disney

YAAAAAAY! TAGS E PRINCESAS DA DISNEYS! É o Livrada! aderindo às coisas que a molecada mais gosta hoje em dia. A gente é sem vergonha mesmo, e fez o vídeo com a tag literária criada pela Mel (já viram a minha entrevista com a Mel?) e quem quiser pode fazer também e linkar o vídeo original.

Ah, e não pense que a coisa tá mole pro nosso lado, porque enquanto você se diverte com esse vídeo, a gente tá se matando com a cobertura da Flip! Mas por hora, assistam aí, tem várias dicas de livros bons no meio. Clica na imagem!

taG DISNEY

Flip 2015

Flip 2015

É isso, amigo. O Livrada! vai estar muito ocupado essa semana fazendo a cobertura da Flip 2015. Para quem não sabe ou chegou no mundo nos últimos quinze minutos, a Flip é a Festa Literária Internacional de Paraty, que toma conta da minha cidade natal por uns bons cinco dias e gente bonita e diferenciada vem prestigiar escritores que ninguém nunca viu na vida e comprar livros caros. Paraty fica um inferno e é para lá que nós – eu e o Murilo, cinegrafista e amigo de todas as horas – vamos.

Nossa meta na flip é: 1- Entrevistar escritores 2- Falar com a galera e cobrir o evento em geral 3- Zoar o barraco 4- Participar da lendária suruba secreta que acontece durante o evento 5- Travar contato com algum milionário filantropo que queira dar dinheiro pra gente fazer o que a gente já tá fazendo de graça. Fora isso, só diversão.

Como vamos fazer a cobertura em vídeo, ela deve sair depois que o festival acabar, mas tá valendo. Em tempo real, peço que fiquem de olho no instagram do Livrada!, que terá fotos toda hora para vocês não perderem muito mais do que já estarão perdendo por não comparecer a essa bagaça histórica. Temos credenciais, temos tempo livre, temos uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. O chão vai tremer, o tempo vai fechar, os lisos vão correr e as cocotas, rebolar.

A propósito: devo levar para a Flip alguns exemplares da coletânea Livro dos Novos, antologia de novos contistas da qual eu participei, e venderei de bom grado pra qualquer curioso que se interessar por essas coisas e marcadores de página do Livrada! feitos pelo Estúdio Invertido. Então, se me virem por lá, me peçam!

A Flip começa na quarta-feira dia 1, e vai até domingo, dia 5. Acompanhem!

Ah. e mandem sugestões sobre o que fazer por lá. Escritores que vocês acham que vale a pena conhecer, eventos legais, pessoas em geral, enfim, dêem pitacos 😀

Vídeo: A literatura que produzimos

O post de hoje é um vídeo, e o vídeo de hoje é sobre um caderno, e o caderno de hoje traz uma reflexão. Não sei se esse vídeo vai ser muito assistido (eu acho que não), mas acho importante ter um espaço desses para discutir esse tipo de assunto, que no caso é sobre a literatura pessoal, e o que nos motiva a ler.

Clique na imagem para ver o vídeo.

stil0001

Vídeo: Desafio Livrada! 2015

Agora sim! Sejam bem-vindos oficialmente ao Livrada! 2015, que é o Livrada! on fire. Estamos em site, Twitter, página do Facebook, canal do YouTube e agora também no Instagram. Quase igual o McDonalds, onipresente, imperialista, querendo dominar o mundo enquanto você cochila. Yeah!

Pra começar o ano (que na verdade só começa depois do carnaval, tem o desafio do ano. Reparou que depois do Desafio Livrada! 2014 quase todos os desafios literários desse ano seguem esse molde? É, é o Livrada! lançando tendências em terras tupiniquins. Uns tentam me copiar, outros tentam… ah, sei lá, não tenho vocação pra fazer frase de piriguete.

Pra quem não sabe, já tinha lançado no começo de janeiro o Desafio Livrada! 2015 no Facebook. Mas aqui vão as 15 categorias e o vídeo explicativo (mais ou menos explicativo). Antes, contudo, algumas palavras sobre esse desafio.

Ele segue o mesmo molde do ano passado, só que a novidade é que agora existem categorias que vão causar desconforto, não importa qual tipo de leitor você seja. As categorias do ano passado eram mais abertas e mais flexíveis ao gosto de cada um, mas o Desafio Livrada! 2015 é um desafio de verdade porque invariavelmente você vai ler um ou dois ou três ou cinco livros que não leria de outra forma, e talvez sequer consideraria. Com isso, contudo, espero não irritar os leitores, mas fazer o papel de um blog literário, que não é, ao contrário do que alguns pensam, guiar o consumo, mas apresentar novas oportunidades de leitura e interpretação. E a interpretação passa pela diversidade. E a diversidade passa pela experiência do conhecimento, e a experiência do conhecimento nem sempre é massa. Então, fuerza.

Desafio Livrada! 2015 – HIGHWAY TO THE DANGER ZONE

1- um livro policial
2- um livro infanto-juvenil
3- um livro de ficção científica
4- um livro escrito antes do século 20
5- um livro de ensaios, artigos ou crítica literária
6- um livro que você já está querendo ler há mais de dois anos
7- um romance com protagonista feminino
8- um romance africano
9- uma peça de teatro
10- Um romance de realismo maravilhoso latino-americano
11- um livro que todo mundo diz que merece uma chance mas você acha que não
12- uma biografia
13- um livrorreportagem
14- um livro que virou filme.
15- Pastoral Americana

MONTAIGNEClica no Montaigne.

Vídeo: Desafio Livrada! 2014 – Reta Final

O Desafio Livrada! está de volta para comentarmos na reta final os 15 livros que eu, o criador dessa bagaça, escolhi para não ficar de fora da febre de 2014. E claro, ótima oportunidade para fazer um vídeo e ostentar as minhas lindas edições conseguidas com árdua negociação e dinheirinho suado. E agora chega disso que eu tenho um avião pra pegar nessa linda segunda-feira.

desafio livrada

 

Clica na imagem, abestado. Ou clica aqui.

Quatro anos de Livrada!

Uma mensagem pessoal do honorável e marmorizado editor e criador deste blog.

600842_10202009725538432_1052563728_n

Entrando oficialmente no Ano V do nosso querido blog e, como sempre, comemorando a data atrasado. Esse deveria ser o post da semana passada, mas quem é que quer saber dessas engenharias internas anyway? Engraçado, essas coisas só acontecem com blog, vlog, essas paradas em que o making off e a produção final meio que se misturam. Imagina se você abrisse o jornal toda manhã e as matérias começassem assim: “Infelizmente, porque entrou um anúncio de última hora, a gente teve que deduzir o tamanho dessa matéria aqui, e a gente ia dar ela ontem, mas resolvemos segurar porque blá blá blá”?

O que eu queria dizer é que em Abril de 2010, eu começava essa empreitada maluca de resenhar livros, e nos anos seguintes, escrevi posts comemorativos em que ensaiava um discursinho mais ou menos bacana para marcar a data. Só que acho que já falei tudo de bom que se pode falar sobre um pedaço tão desimportante da internet como esse, e acho que falei até demais. Mas ainda assim, gosto de tirar essa data do ano para refletirmos um pouco sobre o trabalho, sobre o porquê de fazer o que eu faço. Então prefiro falar das novidades que teremos para esse ano até o momento, que são novos parceiros no blog. Antes, algumas palavrinhas sobre esse negócio que pode ser pra lá de promíscuo, e desde já peço desculpas pela cagação de regra eventual.

Eu não sei ao certo como isso começou, mas parece que a prática foi escancarada nos blogs de meninas: as marcas, de roupa e cosmético, sei lá, mandavam as coisas, pagavam um extra, e de repente chovia elogio na mídia informal. Aos poucos, com a crescente demanda, nem precisavam mais pagar nada, tinha muita gente aí pra ser comprada com batom, rímel, melissa e sei lá mais o quê. Hoje em dia tem blog que existe com o único propósito de ganhar essas paradas e não é difícil concluir que o raciocínio pode ser transposto para o conceitualmente menos promíscuo mundinho dos blogs literários. E de fato, hoje temos de tudo: gente puxando o saco de editora, gente que faz blog pra ganhar livro, gente praticamente analfa comentando best-seller e por aí vai.  Não posso falar por todo mundo, mas pra diferenciar o que eu faço do resto, é preciso buscar apoio editorial (que é, no fundo, um apoio financeiro, porque gastar dinheiro com livros é um troço que pode falir um blogueiro), mas ao mesmo tempo, ser firme e fiel com a linha editorial. Com isso, tive que rejeitar editoras de qualidade duvidosa, brigar com assessor de imprensa que acha que eu tenho a obrigação moral de escrever sobre um livro porque ele me mandou, ou, pior ainda, escrever e escrever bem, explicar que não faço post pago, que eu tenho uma fila gigantesca de livros, e que às vezes um passa na frente do outro sem nenhuma razão. Enfim, aqui entraria alguma frase miguxa do tipo “falar de mim é fácil, quero ver ser eu” ou algo do tipo, mas acho que já deu pra entender a ideia, e a moral da história é: não acredite em tudo o que você lê por aí e exija independência editorial e intelectual dos blogs que você lê.

Atualmente, O Livrada! recebe livros das melhores casas editoriais do Brasil. Algumas ainda menosprezam o site porque não tem foto miguxa nele ou, sei lá, não tem um milhão de acessos por mês, ou têm medo de que eu fale mal de alguma coisa. Das boas que estão de fora, acho que a Biblioteca Azul, do grupo Globo, foi a única que solenemente rejeitou a proposta até o momento. É diferente, por exemplo, da Alfaguara, que não responde meus e-mails. De resto, tenho o mais saudável dos relacionamentos com as editoras que me mandam livros, e é apenas uma pena que algumas tenham cota apenas para lançamentos, impossibilitando que a gente comente coisas mais velhas – o que, aliás, considero uma das grandes vantagens deste blog sobre os outros. Para incrementar a variedade editorial que é comentada aqui, anuncio dois novos parceiros já confirmados para este ano.

Zahar

Editora-Zahar

Ora, quem não gosta da Zahar boa gente não é. Jorge Zahar, quase pioneiro no lance de tratar livros como negócio de gente grande no Brasil, é quem abriu as portas para que a coisa fosse feita como é hoje. Livros bonitos, edições caprichadas, tudo nos conformes de quem manja da parada é o que esperamos. E temos já alguns livros da editora em mãos, da coleção Clássicos Zahar, que são edições comentadas, e Deus sabe como eu gosto de edições comentadas. Aguardem aí.

Editora 34

quadrado34

O meu interesse na Editora 34 é muitíssimo específico, e não é segredo: as maravilhosas edições comentadas e megatraduzidas direto do russo dos clássicos eslavos. Quem não gosta também é bobo e quem gosta sabe que o Livrada! é o canal pra encontrar essas coisas aqui. E obviamente outras coisas não-russas podem rolar eventualmente, mas a Coleção Leste é sempre a pedida do bolso deste blogueiro nas feiras universitárias. Aguardem que também já temos obras em mãos.

Basicamente é isso, deixem aí seus comentários sobre as reflexões ou sobre qualquer outra coisa. E segue o baile.

Desafio Livrada 2014

Desafio

1- Um clássico da literatura brasileira

2- Um clássico esquecido da literatura mundial

3- Um livro do seu autor favorito

4- Um livro de contos

5- Um livro que não foi te indicado por ninguém

6- Um livro com mais de 500 páginas

7- Um livro de poesia

8- Um livro escrito por alguém com menos de 40 anos

9- Um livro escrito originalmente em um alfabeto diferente do seu

10- Uma graphic novel

11- Um livro publicado pela primeira vez neste ano

12- Um livro de não-ficção

13- Um volume de alguma trilogia ou série

14- Um livro que algum amigo te enche o saco pra ler

15- Um livro escrito por uma autora

I’m back like I’m Rosa Parks fare on the same damn bus! Nada como começar o ano com um desafio literário novinho em folha, hein? Ah, obrigado à televisão, graças a você, meus narizes de cera agora parecem uma propaganda porcamente escrita. Mas nem todo mundo pode crescer ouvindo Ravel e bebendo Veuve Clicquot na mamadeira, né?

Sejam bem-vindos ao quinto ano do Livrada!, meu povo. Quem iria imaginar que chegaríamos tão longe, eu e os meus livrinhos, vocês e suas vontades de lerem coisas um pouco mais divertidas do que um crítico sisudo e mal humorado que acha que está fazendo a diferença no mundo. Estamos aqui, com nossa bíblia velha, nossa pistola automática e um sentimento de revolta, sobrevivendo no inferno, mano. E vamos ao que interessa porque vocês não vieram aqui pra ficar lendo abobrinha por muito tempo.

Basicamente o que nós temos aqui, neste nosso desafio Livrada de 2014, é uma espécie de bingo literário, inspirada no Readong Bingo da Retreat by Random Housei. A deia não é original, mas isso não impede que criemos nossa própria e original versão dela. Seu desafio, bravo guerreiro beletrista que vem a essas paragens com sangue nozóio, é ler livros que se encaixem nessas quinze categorias, que vamos destrinchar uma a uma agora:

Um clássico da literatura brasileira: livros que o sistema educacional brasileiro se esforçou muito para você odiar, mas que agora você vai ler para provar que é um mau aluno.

Um clássico esquecido da literatura mundial: vamos ver… Que tal um clássico da literatura mundial que não virou filme nas mãos de algum diretor engraçadinho?

Um livro do seu autor favorito: não importa quem seja o seu autor favorito, leia algum livro dele. Se você já leu a obra completa, releia. Ou arrume outro autor favorito, porque esse negócio de ficar endeusando quem você já conhece por completo não tem graça nenhuma.

Um livro de contos: o terror das editoras, mostre que nesse país tem gente que lê contos.

Um livro que não foi te indicado por ninguém: uma descoberta quase etérea, de algum passeio por livraria, em que você agarra um livro sem nenhum motivo aparente e fala “hoje você é meu, neném”.

Um livro com mais de 500 páginas: cheio de alegria e preguiça, quem lê tanta notícia e quem lê livro longo hoje em dia, não é mesmo?

Um livro de poesia: “Porra, Yuri, tá de sacanagem comigo, né?”. Vamos vencer nossos preconceitos, amigo. Encare uma poesia, de boa qualidade de preferência.

Um livro escrito por alguém com menos de 40 anos: Será que existe vida inteligente antes dos 40? Vamos explorar e descobrir.

Um livro escrito originalmente em um alfabeto diferente do seu: pelo amor de Deus, não vá tentar ler kanji ou cirílico. É pra ler uma tradução de um livro escrito em russo, em grego, em chinês, em georgiano, em armênio, em etíope, em birmanês, sei lá, te vira, negão.

Uma graphic novel: Você é desses que não gosta de livro com figura? Vamos mudar isso esse ano.

Um livro publicado pela primeira vez neste ano: vamos se inteirar das novidades, porque a máquina não para e você não pode deixar de acompanhar o motor do tempo e depois ficar falando mal. Isso é coisa de vagabundo.

Um livro de não-ficção: Sair um pouco do mundo da imaginação e ler as coisas que estão acontecendo no mesmo universo em que você. Vai ser legal, vai por mim.

Um volume de alguma trilogia ou série: Nem só de Jogos Vorazes e Meg Cabot vivem as séries e trilogias. Tem muita coisa boa por aí e a sua missão é descobrir. Contamos com você.

Um livro que algum amigo te enche o saco para ler: salve uma amizade neste ano e dê ouvidos ao seu amigo bem intencionado que quer te apresentar a alguma coisa que ele acha que vai te dizer alguma coisa. Quem sabe sobre você mesmo!

Um livro escrito por uma autora: Who run this mother? (Girls)

******

Bom, e o que eu quero que vocês façam com isso? Em primeiro lugar, abram suas cabeças com uma leitura diversificada neste ano. Em segundo, me contem! A cada livro lido dessa lista, comentem aqui, ou na página do Facebook, ou me mandem um e-mail, eu vou gostar de saber e até vou gostar de publicar aqui, se estiver tudo bem para vocês.

Por último, quero que vocês espalhem essa ideia por aí. Tem esse banner aqui, que não é muito bonito, eu sei, eu fiz no paint, mas eu gostaria que vocês coloquem em seus blogs, espalhassem por aí. Dessa maneira, vamos fazer as pessoas lerem o que elas quiserem, mas quem sabe conseguimos fazê-las ler algumas coisas que elas mesmo não leriam.

 

Eu, de minha parte, também estou nesse desafio e a cada nova resenha de livro que preencha algum desses requisitos, discrimino por aqui. Como diz aquele banco deplorável, vamos fazer juntos?

Nos vemos por aí. And let the games begin!

Arte e Letra: Estórias

Arte e letra estoriasDeus sabe que não sou exatamente um leitor de revistas. Prefiro o bom e velho jornal diário, mas isso é uma outra história. O que queria dizer é que não sou exatamente um leitor de revistas, mas existe uma revista que eu coleciono religiosamente e leio sempre e que talvez vocês não conheçam, por isso o post de hoje. A Arte e Letra: Estórias é uma revista literária trimestral (se não me engano) que publica contos de autores brasileiros e estrangeiros, muitas vezes em traduções inéditas no Brasil. Dos nomes conhecidos de fora, já publicou Paul Auster, Coetzee, Saul Bellow, Andres Neuman, Voltaire, Gonçalo Tavares, Jonathan Swift, Fitzgerald, etc, etc. Dos menos conhecidos, temos Karel Capek, Miroslav Hasek, Hjalmar Soderberg, Frank Stockton, Samanta Schweblin, entre outros. E dos nacionais, tanto os famosos, do naipe de Cristóvão Tezza, Marçal Aquino, Joca Reiners Terron e Moacyr Scliar quanto os ilustres anônimos, como eu. Rá, vocês bem que estavam desconfiando que este era um daqueles posts pagos que se fingem de amigões que as blogueiras de maquiagem fazem sob o pêndulo do vil metal, mas eis que a arapuca se fecha e tudo se torna claro como a luz do dia.

Mas não. Esse não é um post pago e não estou aqui pra falar da minha publicação na revista. Mas, é claro, se quiserem ler meu conto, ele foi publicado na edição U. É, também tem isso que eu esqueci de falar: a revista não tem números, tem letras. Claro, uma sacadinha para uma revista que trata justamente de letras, nada podia ser diferente. Ela começou na já esgotada e objeto de colecionador Arte e Letra: Estórias A (que eu tenho!), publicando Stephen King, Tezza, Saramago e Adolfo Bioy Casares e atualmente está na Arte e Letra: Estórias V, que tem César Aira, Marçal Aquino, Melville e o russo Leonid Andrêiev, entre outros. E quando chegar à letra Z, o que deve acontecer no ano que vem, a revista chegará ao seu fim.

Sei disso porque os editores da Arte e Letra: Estórias são os irmãos Tizzot, amigos livreiros donos da Livraria Arte e Letra, a mais charmosa livraria que Curitiba poderia ter. Mas sobre ela não vou falar nada porque, já disse, esse não é um post pago e não quero começar a mexer com a cabeça da galera implantando a dúvida sobre o motivo de tamanha generosidade de um blog mais áspero que papel higiênico de rodoviária. Mas sim, são meus amigos e acho que é tradição na crítica literária brasileira aliviar pro lado dos amigos, não? Mas a coisa nem se trata de aliviar a barra pros outros porque a revista é mesmo irrepreensível, e bom, afinal, pra que eu estou falando disso? Pra compartilhar com os senhores das virtudes que é descobrir a literatura por outro meio que não o mainstream da crítica de jornal, de blog literário (que quase sempre são mancomunados com as editoras, embora esse seja um verbo muito forte pra usar nesse caso) e de expositor de livraria.

arte e letra estorias RFalo isso porque nessas últimas semanas, tanto a Folha de S. Paulo quanto o Estadão, dois dos maiores jornais do Brasil, deram resenhas do livro novo da Bridget Jones, que saiu pela Companhia das Letras, uma editora que eu, particularmente, adoro e confio, mas que vez ou outra dá umas bolas fora desse naipe. Sem entrar no mérito da influência da editora na divulgação dos livros, que esse é um trabalho que precisa ser feito indiscriminadamente, o fato do Estadão, que tem um dos suplementos de cultura mais elitistas do Brasil, se propor a escolher esse livro dentre tantos outros para doar um latifúndio de espaço na tão disputada mídia impressa a um livro cujo nível já dá pra imaginar, no mínimo desperta em mim uma pequena paranoia sobre quais são os fatores externos a um livro que me fazem considerá-lo “boa literatura”. Quer dizer, gosto de pensar que sou um leitor com certo discernimento, um tanto melhor do que isso. Mas alguém, por favor, pense nas criancinhas que crescem sozinhas sem ter com quem conversar sobre livros e buscam suas referências pseudo-intelectuais em resenha de jornal, e o que me aparece? Bridget Jones! Acho que era o meu amigo Lucas que estava me falando de um ensaio que ele leu dia desses que postulava que a cultura literária que temos hoje foi toda estabelecida nos séculos 17 e 18 por donas de casa, que eram as pessoas que liam romance enquanto os homens faziam política e trabalhavam em ensaios cabeça. Enfim, dá pra fazer uma analogia com o agora, mas é melhor não pensar nisso e buscar fatores extra-comerciais, como essa revista, que, pra mim, serve como um bom cardápio do que pedir no futuro. Em tempos de Bridget Jones no jornal, Arte e Letra: Estórias (nem precisam me pagar por esse slogan, hein?).

O que mais? A revista é bem lindona, cada edição é ilustrada com desenhos ou fotos de um autor diferente, que, assim como os autores, pode ser um local talentoso ou um mundial consagrado, tem papel pólen soft de boa gramatura, alguma fonte bonita de serifa discreta e, enfim, tudo bem maneiro. Ia tirar uma foto da minha pilha de revistas aqui, mas esse tipo de miguxice já foge do propósito desse espaço, então paremos por acá.

E pra quem quiser comprar a revista, uma buscada num buscapé da vida dá conta do recado. E fica aqui o site da editora e livraria para quem quiser conhecer mais o trabalho deles. http://arteeletra.com.br/

3 anos!

Ô, ô, ô, o Livrada! voltou!, cantariam vocês, caso tivessem inclinações para rimas pobres e fossem educados musicalmente nas arquibancadas dos estádios. Mas como sei que meus leitores podem ser poucos (lentamente se tornando muitos), mas com a qualidade intelectual para apreciar boas piadas e críticas ácidas sobre livros outrora respeitados, sei que o que impera por aqui é uma casualidade mais comportada e menos musical. Não tem problema, o fato é que após pouco mais de um mês, estamos cá de volta para nossa árdua e inglória missão de propagar piadas e exegese literária aos quatro cantos da interweb brasileira e mundial.

E estou cada vez mais relapso com as efemérides, pois passou o aniversário do Livrada! e eu deixei por isso mesmo, sendo que não deveria ser assim. Afinal de contas, são três anos da minha vida dedicados a esse recôndito obscuro da deepweb. De novo, não ganhei dinheiro, mas ganhei amigos. Trocaria os amigos por dinheiro? Talvez, mas o fato é que consegui fazer desse lugar mais um dentre os milhões a discutir literatura de qualidade. E pode ser um pouco arrogante da minha parte, ou pode ser o timing, mas o fato é que na época em que comecei isso aqui, no começo de 2010, quase não havia blogs de literatura de qualidade e muito menos que tratassem o assunto de maneira leve e engraçada, ao passo que hoje tem um engraçadão em cada esquina. De maneira que o Livrada! pode ser considerado pioneiro em alguma coisa, e isso muito me orgulha.

De lá pra cá, muita coisa mudou no mundo da literatura, e destacaria, sobretudo, o crescimento absurdo do mercado editorial e a maneira como as editoras tratam hoje os blogs literários. A sensação é quase como a daquela galera de Seattle que fazia um som assim, meio pop, meio deprê, e de repente todos começaram a assinar contratos com grandes gravadoras. Ser percebido por quem tem interesse mercadológico no que você faz é bom, por que de repente você pelo menos não gasta mais dinheiro para alimentar isso com novidades, mas ser percebido por quem tem interesse cultural no que você escreve não tem preço. As mensagens de apoio e carinho que recebo aqui nesta caixa de comentários e da cada vez mais curtida página do Facebook por vezes me deram fôlego para escrever por mais uma semana, e por isso eu agradeço a todos.

Mas nada de ficar sentimentalóide por agora. Estamos em celebração pelos três anos do Livrada!, e não poderia deixar de falar dos escritores que também passaram por aqui. Cristóvão Tezza, Xico Sá, Elvira Vigna, Valter Hugo Mãe e Pedro Juan Gutierrez, obrigado pela leitura. E se deixei de agradecer a algum autor comentado, shame on you! Custa fazer a gente saber que você passou por aqui, ô, gostoso? Larga a mão de ser gostoso, ô, gostoso. Seja humilde, ô, gostoso. Nojento, tcham.

Eu tinha um livro para comentar por aqui nessa semana, mas resolvi dedicar esse post a nós mesmo e a tudo que construímos. E por nós quero dizer eu, você, leitor costumaz, você, leitor esporádico e você, adolescente chato que vem aqui pedir resumo de livro pra trabalho de escola. Obrigado pelas lembranças boas, pelos prêmios disputados e nunca conquistados, por todos os anunciantes que desapareceram depois de saber o preço de um banner simples aqui (eu acho que os caras tão achando que o Livrada! é bolinho ainda), por todas as editoras parceiras que me mandam livros sem pressão e por toda a atenção dedicada. Continuamos nos vendo por aqui até surgir a ordem de despejo.

Doem dinheiro para o Livrada! (é sério).

Desafio Livrada 2013 – O inimigo agora é outro

Já assistiram àquele filme Revolver, do Guy Ritchie? Se não viu, pule este parágrafo porque tem spoiler (olha só pra mim, avisando pras pessoas de spoilers nos meus posts, essa humanidade tá perdida mesmo). Então sabe como é, o sujeito tenta lutar para subir na vida, para vencer seus principais inimigos e no final das contas o inimigo é nada menos do que o ego. E não estou falando aqui do site de fofocas, nem do Caça-Fantasmas (não tinha um Caça-Fantasmas chamado Ego?), mas da partezinha do nosso inconsciente que nos forma. Em outras palavras, o inimigo é você mesmo.

Imbuído desse ímpeto de frenar as auto-sabotagens do dia a dia, seu humilde blog resolveu que a volta do Desafio Livrada! (quem não lembra do Desafio Livrada 2011?) seria marcado por desafios autoimpostos. Dessa forma, todos conhecem seus ritmos, seus gostos e suas forças de vontade, de maneira que esse é mais uma forma de fazer um desafio literário que fuja ao lugar comum de quantificar leituras e que permita inserir uma qualidade nesses momentos de prazer literário que eu espero que todos aqui tenham esse ano. Pedi então aos seguidores do Facebook para discriminarem ali seus desafios e agora os compartilho oficialmente aqui com todo mundo para que o mundo saiba: O desafio Livrada! 2013 está de volta e ninguém pode pará-lo. E se alguém tiver algum problema em divulgar a imagem de perfil do Facebook nesse blog, é só mandar um e-mail para bloglivrada@gmail.com, mas é aquela coisa: é o equivalente a ir pra praia de nudismo e não querer que ninguém te olhe.

Eis os nossos bravos soldados:

Pedro Victor

Nome: Pedro Víctor

Meta: “15 livros. entre eles o infinite jest, o mason e dixon e o idiota. e algum do roth, claro”.

Categoria: Triathlon de Cabeceira.

Bruno Rodrigues

Nome: Bruno

Meta: “6 livros: 3 clássicos e 3 lançamentos”.

Categoria: Offspring literário.

Raphael

Nome: Raphael

Meta: “Ulisses e Infinite Jest! O resto é complemento!”

Categoria: Companhia das Letras Fanboy.

Carolina

Nome: Carolina

Meta: “12 livros em 12 meses! Os dois primeiros eu decidi por culpa de posts do Livrada: Cosmópolis e A trama do casamento.”

Categoria: Cooper (de muito bom gosto).

Gabriel

Nome: Gabriel (não é a foto dele, mas era a única que dava pra pegar).

Meta: “Meta mesmo eu não tenho, mas o foco é Infinite Jest – ou seja, a responsabilidade pelo cumprimento da minha “meta” é do Galindo e estou livre, leve e solto pra ler qualquer coisa no caminho”

Categoria: It’s now or never.

Sandoval

Nome: Sandoval

Meta: “Conseguindo, até o momento, manter a meta de pelo menos um por semana. Até agora: Cinzas do Norte (Milton Hatoum), Cabeça de Negro (Paulo Francis), Um Copo de Cólera (Raduan Nassar), Como me Tornei Estúpido (Martin Page), A Mãe (Gorki), Jornalistas e Revolucionários (Bernardo Kucinski). Se bem que eu tava de férias, o que deu uma colaborada. Quanto à metodologia de escolha para os próximos 11 meses, ela é a mesma de anos anteriores: nenhuma.”

Categoria: Usain Bolt de biblioteca.

Guilherme

Nome: Guilherme

Meta: “Em 2013 quero ler Anna Kariênina, Ulysses e um grande do Pynchon (se quiser recomendar algum, só li Vício Inerente). O resto é lucro e complemento!”

Categoria: Em busca do clássico perdido.

RA

Nome: simpático blogueiro

Meta: 30 livros que estão na minha estante e que eu ainda não li.

Categoria: Acumulador.

Todos devidamente anotados, damos início aos trabalhos do Desafio Livrada! 2013. Não nos decepcione e, mais importante, não se decepcione. No final do ano, faremos um balanço, então mantenha o contato!

Até a próxima, coleguinhas!